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Uso de geradores impacta emissões de gases de efeito estufa

por redação

Gabriel Mariano Picca

Consultor da Unidade de Negócios de Sustentabilidade da Keyassociados.

A preocupação com o risco de apagões no setor elétrico levou o Ministério das Minas e Energia a anunciar este ano a preparação de planos de emergência para enfrentar situações limite. Um desses planos contempla o incentivo da utilização de geradores próprios pelos shopping centers também em horário de pico de consumo durante a tarde,  das 14h às 17h, e não somente no horário de pico legal,  normalmente entre as 17h e 20h.

A medida, no entanto, visa cobrir um santo, mas pode descobrir outro, por falta de uma análise mais completa dos impactos associados, fato comum no Brasil quando tomamos medidas para cobrir emergencialmente falhas graves de planejamento.  Além do custo do MWh ser elevado nesse tipo de geração, passando de R$ 700 / MWh,  há ainda impactos ambientais significativos, como emissões de gases como SOx, NOx e, mais especificamente,  emissões de gases de efeito estufa (GEE).  Essas últimas são decorrentes da queima do combustível pelos geradores que emitem como dióxido de carbono (CO2).  Considerando que no País existem 522 shopping centers e que a demanda energética de cada  um seja  de 2MW,  aliados ao fator de potência de um gerador a diesel (0,8),  seria necessário a geração de 2.505 MWh/dia via gerador.

Como muitas vezes acontece, a urgência faz com que direcionemos nosso futuro energético carecendo de uma visão correta, incentivando uma fonte cara,  poluente e contrária até mesmo ao que defendemos nas negociações internacionais de mudança do clima sem uma contrapartida de incentivo claro a fontes renováveis.

Em se tratando de energia distribuída, o mundo inteiro olha para a fonte solar como uma das melhores alternativas, enquanto por aqui seguimos o caminho do diesel. Por exemplo, uma geração média de 1,450 MWh/ano por MWp solar, equivaleria à instalação de aproximadamente 630 usinas de 1 MWp, ou seja,  aproximadamente uma usina de 1,2 MWp por shopping center.  Porém, a regulamentação nº 482 da  Aneel, que visa incentivar / regulamentar a geração distribuída, ainda que de forma imperfeita, estabelece como limite máximo para mini geração 1 MWp.  Como há no País 522 shoppings,  a produção estimada de energia seria de 2.073 MWh/dia,  atendendo cerca de 82% da energia prevista para geração com geradores.

O investimento inicial para a instalação de usinas solares nesses centros comerciais seria maior do que a de um gerador a diesel. No entanto,  no médio e longo prazos,  o custo da energia produzida pelas usinas solares seria mais barata em comparação à produzida pelos geradores.  O custo do  MWh  dos geradores a diesel está em torno de R$ 700,00, enquanto que o custo da solar é inferior a R$ 500,00.

Considerando que para grandes gerações é necessário um gerador maior ou grupos de geradores,  se os shoppings instalarem dois grupos geradores de 450 KVA e cada grupo tiver consumo médio de 73 litros de combustível/ hora, teremos o consumo de 146 litros/ hora.

Como são 522 shoppings centers com energia fornecida através de gerador por 3 horas diárias,  o consumo diário de óleo será de 228.638 litros de diesel.  Assim,  a queima desse montante de diesel irá gerar a emissão de 575.177 toneladas de CO2/dia, ou 209.939,731 toneladas de CO2/ ano.

No longo prazo, portanto, a geração de energia pelas placas fotovoltaicas é mais viável economicamente e com a vantagem de não emissão de GEE, bem como não poluição local com gases como SOx e NOx e não emissão de fuligem.

Assim,  enquanto não foram consideradas todas as premissas e suas consequências, continuaremos com ações que cobrem um pé, mas descobrem o outro, durante situações de crise, já que a condição climática  foi um dos fatores que contribuiu para as crises hídrica e elétrica.

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