Home SeçõesEficiência Energética Regulamentação da geração híbrida pode gerar 475 mil empregos no Brasil em 10 anos

Regulamentação da geração híbrida pode gerar 475 mil empregos no Brasil em 10 anos

por redação

Desde 21 de outubro, o setor energético analisa proposta da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que vai normatizar e dar segurança jurídica a instalação dos novos parques de geração sobre lâminas d’água no gigantesco complexo de hidrelétricas em todo o País. A instalação das chamadas “fazendas solares flutuantes” tem impacto econômico, social, ambiental e de eficiência do modelo de geração. Especialistas apontam que a implantação de painéis fotovoltaicos nos 109 Gigawatts (GW) ampliaria a oferta para 128 GW, atrairia R$ 76 bilhões em 10 anos, abrindo caminho para a criação de 475 mil empregos no Brasil.

Para Luiz Piauhylino Filho, sócio-diretor da Sunlution, empresa brasileira pioneira na tecnologia de geração solar flutuante no País, a solução passa pela otimização dos investimentos e ganha mais relevância como mitigação do impacto da pandemia do coronavírus (Covid-19) sobre a economia. Segundo o executivo, a União Europeia projeta instalação de 3.350 GW adicionais até 2050 em energias renováveis na meta do carbono zero. “A substituição da geração fóssil pelas tecnologias renováveis será responsável por um salto na sustentabilidade e na geração de empregos. A pandemia ampliou a necessidade de medidas de recuperação da economia. Nosso País é um caso ímpar beneficiado por condições que poucos lugares no mundo têm: sol e vento em abundância”, defende Piauhylino Filho. “Recentemente vimos que as prefeituras e governos estaduais de todo o País veem nas parcerias público-privadas uma solução para investir em geração limpa. A notícia é boa, mas é preciso ter foco no impacto social positivo da geração de empregos, não só na economia do setor público. Os investimentos vão abrir um novo mercado de trabalho, e interessados devem desde já buscar a qualificação”, acrescenta.

Projeções do setor apontam que 17% dos profissionais deverão migrar para novas funções porque o cenário deverá mudar nos próximos 10 anos. A tendência, no setor de renováveis, é a de que as principais vagas sejam para eletricistas, engenheiros eletricistas e operadores de drones. A planta fotovoltaica abrirá vagas na construção, na operação e na manutenção. “Empresas dos segmentos de fertilizantes, aço e cimento já demonstram a preocupação de se adaptar ao compliance internacional, que exigirá cadeia limpa na produção. Este é um caminho irreversível porque os mercados vão cobrar”, adianta Piauhylino Filho.

O setor se debruça na discussão sobre a regulamentação para cobrar incentivos à geração híbrida. Vantagens ambientais, a preservação dos níveis dos reservatórios que hoje sofrem com a baixa e atenuam efeitos do chamado GSF (Generation Scaling Factor, em inglês) lideram a lista de benefícios. O GSF é um fator de segurança adotado para mitigar impacto da baixa de nível de água dos reservatórios, determinando limite para a geração. Geradores não operam em sua capacidade e, muitas vezes, têm elevado gasto com multas por não poderem cumprir contratos de fornecimento e arcam com um seguro específico para esse tipo de contingência. A geração que combina hidrelétrica e solar flutuante atenua tais efeitos por complementar a energia e, ainda, reduzir a baixa dos níveis dos reservatórios. O modelo híbrido reduz necessidade de construir novos parques hidrelétricos, favorecendo queda nas tarifas ao consumidor na ponta por postergar investimentos.

Em parceria com a Companhia Hidrelétrica do Rio São Francisco (Chesf), do Grupo Eletrobrás, a Sunlution implantou painéis fotovoltaicos flutuantes em área de 10 mil metros quadrados na Usina Hidrelétrica de Sobradinho, no interior da Bahia, gerando 1MWp (megawatt-hora pico). A capacidade subirá para 2,5 MWp. Em seus 70 anos, a Chesf construiu 10 GW em hidrelétricas. Usar 10% da lâmina d’água dessas 12 hidrelétricas resulta em 52 GW em energia solar flutuante. São quatro Chesfs em dez anos. Os principais agentes e investidores têm debatido constantemente a necessidade de o Ministério de Minas e Energia rever as metas e projeções de evolução da matriz energética nacional, que tem plano conservador para os próximos 10 anos. O planejamento divulgado está centrado na expansão nas térmicas a gás, com menor peso para as energias renováveis.

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