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Pensamento do Ciclo de Vida

por redação

Rede ACV reúne empresas líderes em Avaliação de Ciclo de Vida do Brasil e conecta agenda com outros temas da sustentabilidade

 

A Rede Empresarial Brasileira de Avaliação de Ciclo de Vida (Rede ACV) foi lançada em 2013, logo após a Rio+20, onde vários manifestos internacionais, como a Life Cycle Initiative (Nações Unidas, 2002) e o próprio documento “O Futuro que Queremos”, entre outros, reforçam a necessidade de se considerar os impactos no ciclo de vida inteiro, de forma integrada, para evitar a mera transferência de problemas.

Leonardo Guimarães Ribeiro, presidente do Conselho Deliberativo da Rede ACV e que também coordenou o Grupo de Trabalho Economia Circular da Rede ACV, informa que já havia ambientes de discussão conceitual e acadêmica deste conceito, inclusive no Brasil, mas havia necessidade de criar-se ambiente empresarial, no qual organizações poderiam compartilhar sua experiência concreta.

A Missão da Rede ACV é mobilizar as empresas, articular governos e educar o consumidor visando incorporar o pensamento de ciclo de vida e a Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) como conceito e ferramenta para determinar a sustentabilidade dos produtos. Para isso, ela visa criar um ambiente de cooperação para o uso de ACV no Brasil; educar e capacitar a sociedade sobre este conceito, sua aplicação e benefícios; disponibilizar e disseminar para diversos públicos informações sobre ACV no Brasil e influenciar e apoiar o governo para a consolidação do Banco de Dados Brasileiro.

Leonardo Guimarães Ribeiro é graduado em Engenharia Sanitária e Ambiental pela UFSC, possui especialização em química da água pela École nationale supérieure d’ingénieurs de Poitierse e mestrado em geologia pela UFOP. Ao longo dos 15 anos de carreira acumulou experiência em gestão ambiental empresarial, com foco em auditorias de fornecedores, certificação ISO14001, hidrogeologia, ACV/DAP, economia circular e radioproteção. Ele trabalha na Gerência Geral de Sustentabilidade da ArcelorMittal Brasil. Já foi coordenador dos grupos técnicos de recursos hídricos e áreas contaminadas na FIEMG, e coordenador do grupo Avaliação de Ciclo de Vida no Instituto Aço Brasil, onde atualmente coordena o CT de Mudanças do Clima. Com sua vasta experiência no assunto ele nos conta sobre a Rede ACV, que através de seus Grupos de Trabalho e suas iniciativas, almeja ser referência para a aplicação e desenvolvimento da ACV no Brasil, fomentar a aplicação das boas práticas relacionadas ao tema no ambiente empresarial brasileiro contribuindo para a defesa, preservação e conservação do meio ambiente e a promoção do desenvolvimento sustentável.

Leonardo Guimarães Ribeiro, presidente do Conselho Deliberativo da Rede ACV; coordenou o Grupo de Trabalho Economia Circular da Rede ACV

Nesta entrevista ele nos conta sobre os trabalhos da Rede ACV para fomentar o Pensamento do Ciclo de Vida no Brasil e ser referência em nível global. Confira:

Qual a importância da Avaliação do Ciclo de Vida para o setor produtivo? Como é o desempenho do setor empresarial brasileiro neste assunto?

A ACV é, antes de tudo, uma forma sistêmica e holística de pensar e, portanto, gerenciar impactos. Ela nos orienta a considerarmos várias dimensões e vários elos da cadeia produtiva, refletindo a complexidade na qual todos estamos inseridos. Além de contribuir com mensuração concreta, que possibilita uma análise objetiva da situação e dos cenários de aprimoramento de determinado aspecto, ela torna o processo transparente, possibilitando uma interação entre áreas da empresa, sua cadeia de fornecedores e seus clientes, aproximando todos os atores no objetivo comum de promoverem a sustentabilidade.

À medida que a ACV se torna mais visível e acessível, e a experiência na condução de estudos é compartilhada, vemos cada vez mais empresas no Brasil adotando seus benefícios.

 

A Rede ACV é considerada uma das entidades mais atuantes para a valorização das atividades que abrangem a Avaliação do Ciclo de Vida. Desde a fundação da entidade, quais os principais desafios e conquistas alcançadas?

Desde a sua criação, a principal contribuição da Rede ACV tem sido proporcionar uma maior aproximação entre importantes organizações, líderes em seus segmentos de atuação, com representantes da academia, da sociedade civil, do governo e de consultorias para a execução e revisão de estudos de ACV, compreendendo os desafios e as oportunidades relacionados a ela.

Adquirindo personalidade jurídica de associação em 2017, a Rede ACV investe esforços em debater temas de relevância estratégica para seus cerca de 30 associados, compartilhar seu conhecimento, através de publicações e da promoção de ambientes abertos de engajamento, e profissionalizar sua gestão de forma contínua, tendo lançado recentemente Código de Conduta e Ética.

Nos últimos anos participamos como palestrantes em eventos diversos, sempre tentando levar o pensamento do ciclo de vida a discussões em temas como os ODSs e a Economia Circular. Em 2020, por exemplo, o GT de Economia Circular publicou um position e um White paper, documentos que buscam explicar a associação entre a ACV e a Economia Circular.

 

Poderiam fazer um Raio-X da ACV no País, com dados sobre a evolução do mercado em termos de investimentos e incentivos para a inovação desde a fundação da Rede ACV? Vocês chegam em 2021 com um saldo compensador? 

Havia no início pouco conhecimento sobre a ACV no meio empresarial brasileiro, seus benefícios e potenciais aplicações, concentrado mais em empresas que eram filiais de empresas europeias, em sua maioria, ou brasileiras, de segmentos muito demandados por evidências concretas de boas práticas orientadas à sustentabilidade. Também, uma relativa escassez de profissionais para executarem estudos, com acesso a bancos de dados representativos e que tivessem uma abordagem empresarial no tocante à aplicação do conhecimento adquirido com o estudo.

Atualmente, estas barreiras foram em grande parte superadas, e vemos um crescente interesse em formas de comunicar resultados de estudos, torná-los de compreensão mais fácil, influenciando, de fato, decisões de consumo, bem como estabelecermos as conexões com conceitos contemporâneos, como Economia Circular e Regenerativa.

Há várias linhas de financiamento, como a própria Lei do Bem, ou linhas do FINEP, políticas públicas, como o RenovaBio, a Política Nacional de Resíduos Sólidos e questionários, como o ISE da B3, ou do Sistema B, que pontuam e beneficiam práticas orientadas ao ciclo de vida. Outro exemplo é a ISO 20400 de Compras Sustentáveis, cuja definição é: “Compras que têm os maiores impactos ambientais, sociais e econômicos positivos possíveis durante todo o ciclo de vida”, que destaca a ACV como orientadora de processos de decisão visando a sustentabilidade.

Na Rede ACV debatemos todas estas possíveis alavancas para uma adoção mais generalizada do Pensamento de Ciclo de Vida e da ACV. O ano de 2020, com toda a situação global imposta pela pandemia do Covid-19, demonstrou ser um momento de profunda reflexão, individual e coletiva, com um aumento significativo no interesse por estas e outras pautas propostas pela Rede ACV.

Em reconhecimento a esta expertise, teremos a fantástica oportunidade de moderar debate mundial sobre arranjos locais de engajamento empresarial em torno da ACV, em evento LCM (10ª Conferência Internacional sobre Gestão do Ciclo de Vida), em setembro.

 

Formar um banco de dados de ACV sempre foi um dos gargalos a serem superados para subsidiar a área empresarial no Brasil. Como a Rede ACV trabalha essa questão? Existem ações em parceria com entidades/empresas públicos e privados para construir esse banco, por exemplo?

Um importante objetivo da Rede ACV é contribuir para a consolidação do Banco de Dados Brasileiro. Apenas com dados representativos de nossos processos produtivos, desempenhados com as nossas condições ambientais poderemos executar estudos que possam vir a nortear compras públicas, por exemplo.

Há no Brasil uma reduzida quantidade de datasets que representam a realidade ambiental do comércio e da indústria brasileira. Por outro lado, verifica-se o crescimento da demanda por estudos de Avaliação de Ciclo de Vida e o crescimento do interesse por declarações ambientais do tipo III.

Entrega concreta do Grupo de Trabalho Banco de Dados da Rede ACV, coordenado pela Embrapa e o Ibict (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, responsável pelo SICV, banco de dados brasileiro), o projeto “Pedra Fundamental” tem por objetivo melhorar a quantidade e qualidade dos inventários que representam o Brasil, através de minuciosa adaptação de datasets (inventários de processo e metadados). Iniciado em 2020, foi acompanhado por Comitê Técnico de especialistas, alinhamentos com atores representativos, como a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e está em fase final de verificação por parte de técnicos especialistas do ecoinvent, fundação suíça, reconhecida mundialmente pela disponibilização de dados para estudos de ACV.

O projeto contribuirá com perfis representativos de Energia Elétrica, Diesel, Gás Natural e Transporte Rodoviário de Carga. Estes datasets foram escolhidos por apresentarem contribuição significativa em vários processos industriais no Brasil e estarão disponíveis no ecoinvent e no SICV.

Em sua fase seguinte, o projeto conduzido pela Rede ACV, associados e parceiros visa levantar dados primários de segmentos-chave.

 

Como a Rede ACV trabalha para conectar a Agenda de ACV com outros temas de sustentabilidade (redução de emissões, precificação de carbono, economia circular, entre outros), especialmente na gestão empresarial?

Economia Circular, Rotulagem, Questionário ISE/Bovespa (B3), Precificação de Carbono, ACV Social são alguns exemplos de Temas Especiais que debatemos nas reuniões bimensais da Rede ACV, pois todos têm em comum o potencial de alavancarem o debate na sociedade, por traduzirem resultados de estudos em questões concretas e relevantes na tomada de decisão, seja de gestão, de pesquisa, de relacionamento, de investimento etc.

 

Em termos de ACV na prática, quais os principais estudos e casos empresariais gostariam de destacar?

Em seu site, a Rede ACV divulga cerca de 40 estudos de associados, frequentemente demonstrando desafios envolvendo situações cotidianas, visando esclarecer termos e conceitos, para ir engajando cada vez mais todos os segmentos da sociedade. Há estudos dos mais distintos segmentos, como Construção, Têxtil, Alimentos, Embalagens e publicações, como as que descrevem a complementariedade entre ACV e Economia Circular.

No seu perfil no LinkedIn, a Rede ACV compartilha práticas de associados e parceiros, datas de eventos e oportunidades de capacitação. O número de seguidores vem aumentando consistentemente desde sua criação, em 2017, o que demonstra que é possível descomplicar o tema e conquistar pessoas, para refletirem sobre os impactos de suas decisões de consumo.

 

A Rotulagem Ambiental significa um diferencial no cenário da Avaliação do Ciclo de Vida dos produtos? Como o Brasil está se desenvolvendo nessa esfera?

Rótulo ambiental é forma que as versões brasileiras das normas internacionais ISO traduziram a expressão “environmental label”. Os rótulos e declarações ambientais são afirmações que indicam os aspectos ambientais de um produto ou serviço de uma forma consistente, confiável, precisa e verificável. Dessa forma, os rótulos e declarações ambientais são ferramentas muito poderosas para evitar o greenwashing e fornecer informações relevantes para que compradores e todas as partes interessadas considerem critérios ambientais em suas escolhas.

As informações contidas no rótulo têm o poder de comunicar atributos de sustentabilidade, com o objetivo de nortear a tomada de decisão mais consciente. Além disso, os programas de rotulagem ambientais e de declarações ambientais exigem a verificação de terceira parte independente. Estes mecanismos aumentam a confiabilidade das informações, podem minimizar o trabalho das equipes de compras e aumenta a transparência em toda a cadeia produtiva.

No Brasil temos exemplos de aplicações na Construção e em Infraestrutura, como pela ArcelorMittal Brasil e Votorantim Cimentos, ambas associadas da Rede ACV. As Declarações Ambientais de Produto auxiliam a comunicar características de sustentabilidade, aproximam públicos externos e áreas internamente às empresas.

Nos últimos anos o interesse e a necessidade por informações ambientais cresceram substancialmente. Um dos principais setores é o da construção civil. Inúmeros fatores contribuíram para que hoje a construção civil seja o setor com maior número de declarações ambientais publicadas. Um deles foi a popularização de certificações de edifícios sustentáveis (ou edifícios verdes), tais como AQUA-HQE e LEED. Isto porque esses sistemas premiam empreendimentos que fazem uso de materiais e sistemas que possuam informações ambientais certificadas e com base em uma avaliação de ciclo de vida.

Mesmo diante do cenário apresentado em 2020, cerca de 300 declarações ambientais apenas no setor da construção civil foram publicadas no ano, no âmbito do programa de declarações ambientais International EPD System.

A Europa é sem dúvida um dos principais mercados e impulsionadores do uso de rótulos e declarações ambientais, mas os EUA, Austrália, Japão, também são países que já possuem uma tradição na utilização de rótulos e declarações ambientais, inclusive em compras públicas sustentáveis.

Naturalmente, a exigência por informações ambientais destes mercados tem influenciado outros países, como o Brasil. Por exemplo, produtos exportados para os países mencionados acima normalmente precisam atender requisitos ambientais.

Além disso, existem fatores específicos para cada setor, por exemplo, o Brasil é o 2º do mundo com o maior número de certificações HQE e o 4º país com o maior número de certificações LEED. Como mencionado acima, essas certificações de edifícios sustentáveis são catalisadoras no uso de rótulos e declarações ambientais.

O interesse sobre este assunto tem aumentado, não apenas de instituições, mas de pessoas. O segundo setor com o maior número de declarações ambientais é o de alimentos, este dado é especialmente interessante porque é um setor praticamente impulsionado pelos consumidores finais, indicando que existe um movimento, uma busca por um estilo de vida mais saudável e sustentável.

As informações contidas no rótulo têm o poder de comunicar atributos de Sustentabilidade, com o objetivo de nortear a tomada de decisão mais consciente. A Rede ACV tem associados com experiências concretas neste sentido. Combinando ambos, oferecemos capacitação que objetiva demonstrar o impacto concreto da ACV nos negócios, do pensamento de ciclo de vida neste contexto, promover a Rede ACV, o Grupo de Trabalho Rotulagem e seus parceiros, capacitar organizações e impulsionar a adoção de rotulagem Tipo III no Brasil.

 

Qual é o papel dos Grupos de Trabalho que compõem a Rede ACV? Como são delineados e perpetuados seus trabalhos?

A Rede ACV tem atualmente 6 Grupos de Trabalho: Capacitação, Comunicação, Banco de Dados, Rotulagem, Economia Circular e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Todos eles são compostos por, no mínimo, cinco organizações, representantes de empresas, sociedade civil, governo e academia, o que assegura que vários pontos de vista estejam refletidos em todas as propostas de atuação da Rede ACV.

A Comissão de Estudos de Metodologias se debruça sobre o detalhe da compreensão da Norma 14040, a condução e a verificação de estudos de ACV.

Transversal aos Grupos de Trabalho e à Comissão, a Rede ACV tem atuações setoriais, em Construção, Finanças e Agro.

As três formas de atividades, aliadas à atuação institucional e às reuniões bimensais, que debatem Temas Estratégicos, representam as plataformas de conhecimento e aplicação concreta do pensamento de ciclo de vida e da ACV, por parte do meio empresarial no Brasil.

 

Conseguimos avançar em termos de arcabouço legal, políticas públicas e incentivos financeiros para o fortalecimento e maior adoção da ACV no País? Que observações gostariam de fazer a esse respeito?

Políticas públicas, como a Política Nacional de Resíduos Sólidos, com seus Acordos Setoriais, ou o RenovaBio, que tem no RenovaCalc uma ferramenta ancorada em ACV, incentivos financeiros, como a Lei do Bem ou o Rota 2030, que permitem e até incentivam o uso de estudos de ACV para demonstração de determinados benefícios ambientais, estão demonstrando que este conceito está ganhando representatividade e relevância no Brasil.

 

Com a crescente importância da inovação e novas tecnologias no setor de meio ambiente, a Rede ACV tem algum trabalho voltado para startups? Já contam com alguma em seu escopo de associados ou parceiros?

Ainda não desenvolvemos ações específicas para este público, mas apoiamos iniciativas através de nossos associados, como o Braskem Labs, que em sua mais recente edição explorou questões envolvendo ACV e Design for Environment ou o programa de apoio a startups do agronegócio, da Raízen.

 

Quais as principais iniciativas da Rede ACV para a disseminação das informações em toda a sociedade (eventos, cursos etc.). Com a pandemia do novo coronavírus vocês adotaram as ferramentas digitais para dar continuidade a esse trabalho?

Um grande desafio da ACV é transmitir a riqueza de informações mapeadas num estudo para um público leigo, que tem o poder da tomada de decisão de consumo. Para isso é necessário simplificar todo o conceito, mas também executar estudos de relevância deste consumidor, abordar questões do cotidiano, para ele compreender os benefícios que uma ACV pode proporcionar.

Em seu site e nas mídias sociais (LinkedIn), a Rede ACV divulga informações, eventos e boas práticas. Além disto, oferece turmas abertas de duas capacitações: um workshop de Sensibilização em Pensamento de Ciclo de Vida, de curta duração (2 horas) e de grande impacto e Rotulagem Ambiental, com cases de associados. Ambos são oferecidos na plataforma Teams da Rede ACV.

 

Recentemente a Rede ACV oficializou uma parceria com a Associação Ecoinvent. Qual a importância dessa parceria para promover o pensamento do ciclo de vida e ampliar as ações em prol dos inventários de ACV no Brasil?

O ecoinvent é uma fundação suíça, reconhecida mundialmente pela consistência de seu banco de dados, e sempre muito atuante em ambientes de debate e em ações concretas visando a disponibilidade e a integração de dados de inventários globais.

Além de ser parceira no projeto “Pedra Fundamental”, do Grupo de Trabalho Banco de Dados da Rede ACV, onde cede seus datasets, para serem recontextualizados à realidade brasileira, disponibilizando-os na sequência e sendo responsável pela sua atualização, ecoinvent contribui com a visibilidade internacional da Rede ACV e trabalha em sinergias entre as propostas, como o debate em torno da Economia Circular e da ACV Social, por exemplo.

 

Quais as principais ações da Rede ACV para ampliar a participação brasileira na comunidade internacional de ACV?

Como membro da Life Cycle Initiative e parceiro do Consumer Information Programme, ambas iniciativas das Nações Unidas, a Rede ACV assegura a representatividade do meio empresarial brasileiro em ambientes internacionais de compartilhamento de boas práticas, formadores de opinião e de políticas públicas globais.

Celebrando parceria institucional com a associação americana de ACV, a ACLCA, estamos promovendo a necessária e estratégica integração entre Américas, importantes mercados consumidores.

Como reconhecimento internacional de sua expertise e atuação, a Rede ACV foi convidada pelos organizadores do congresso mundial de Gestão do Ciclo de Vida (LCM), a concentrar a avaliação de todos os cases que serão submetidos para a edição de 2021, em setembro, e a moderar debate sobre os arranjos empresariais locais em ACV no mundo.

 

Podemos considerar que a Avaliação de Ciclo de Vida também tem um alinhamento com os Princípios ESG?

Certamente. Os ESG são conceitos muito importantes para tentar estruturar e orientar as empresas na questão das finanças para pensar em um modelo sustentável de sociedade e avaliar, de certa forma, os impactos com os quais a empresa está se preocupando para atender a sociedade, mas ainda é um conceito, diríamos,guarda-chuva, pois tem muita coisa a ser definida.

Outro ponto importante está na questão de quando falamos em Avaliação de Ciclo de Vida existe a avaliação ambiental, a econômica e a social. A Rede ACV está muito focada na parte Ambiental, mas já estamos abrindo um grupo voltado para a questão Social. E neste âmbito, os critérios ligados aos ESG podem ajudar bastante no desenvolvimento dos nossos trabalhos.

 

Como os players envolvidos com os estudos e iniciativas da Rede ACV podem ajudar na recuperação econômica do País em meio à crise provocada pela pandemia da Covid-19? A ACV é um segmento chave para perpetuar o desenvolvimento sustentável considerado a base do “novo normal” no planeta atualmente?

Como signatários do Pacto Global, apoiamos ações de nossos próprios associados, bem como de membros de iniciativas que também promovam a cidadania, educação, conscientização e responsabilidade de cada um, no ciclo de vida.

Acreditamos que a recuperação econômica passa por uma profunda reflexão sobre a contribuição ao desenvolvimento humano de cada organização, de cada indivíduo, no seu entorno imediato e na sociedade, de forma mais ampla. Um desenvolvimento aliado ao uso eficiente de recursos, de forma a que estes levem em consideração a capacidade de regeneração do planeta.

Todo este processo demandará acesso a informação de qualidade, e a tecnologias. A Rede ACV se desafia a fornecer ambos.

 

Quais as expectativas da Rede ACV diante de tantos desafios trazidos pela pandemia?

A atuação da Rede ACV, desde sua criação, demonstrou estar alinhada com as expectativas de seus associados mantenedores e institucionais. O debate de Temas Especiais contribuiu para uma maior percepção das possibilidades envolvendo o pensamento de ciclo de vida e a ACV e certamente será mantido. Diante do aumento de engajamento de consumidores, cidadãos, estamos nos desafiando a comunicar também com e para este público, o que demandará uma capacidade ainda maior de simplificação, e foco no que é relevante e, de fato, transformador.

A digitalização veio para ficar. Mesmo que retornemos a reuniões e eventos presenciais, seguiremos oferecendo nossas atividades de forma remota também.

O Grupo de Trabalho Objetivos de Desenvolvimento Sustentável promoveu capacitação no SDG Compass, do Pacto Global, em fevereiro deste ano. A participação foi expressiva, assim como a intenção de seguirem contribuindo com o diagnóstico de como a Rede ACV está aderente à Agenda 2030, seja institucionalmente (como associação e parceira), seja através de seus Grupos de Trabalho, da Comissão e da atuação setorial, bem como do próprio pensamento de ciclo de vida e da ACV, como conceito e metodologia.

Assim, acreditamos que identificaremos metas concretas de contribuição, muito provavelmente focadas no ODS12, que explora formas de promoção da Produção e do Consumo Responsáveis, bem como o ODS17, que nos incentiva a todos a alcançarmos estes importantes Objetivos globais, através de parcerias.

 

Entrevista concedida à jornalista Sofia Jucon

 

 

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