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No Dia Mundial da Água, setor empresarial destaca bons exemplos de gestão e eficiência hídrica

por redação

Com iniciativas que envolvem conscientização ambiental, inovação, gestão eficiente dos recursos hídricos, reúso e participação de colaboradores e cidadãos, empresas dão exemplo em prol da conservação da água em nível nacional

Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), o objetivo do Dia Mundial da Água, celebrado no dia 22 de março, é reforçar a importância de se ampliar as ações para a conservação das fontes hídricas, essenciais à sobrevivência humana. O setor produtivo já é referência em ações para a conservação deste recurso. Vamos conhecer algumas iniciativas que estão sendo adotadas em empresas de todo o País.

  Gestão da água na indústria do aço

Por muito tempo, o agregado siderúrgico – resultante do beneficiamento da escória de Aciaria e oriundo do processo produtivo da indústria do aço – era destinado a aterros controlados. Uma mudança de paradigma, entretanto, tem garantido uma nova destinação para esse material. Por meio da segregação e beneficiamento, ele foi transformado em coprodutos com diversas aplicações em mercados como agricultura, cimento, lastro ferroviário, construção civil e reciclagem interna. E agora, ele também ajuda na preservação dos recursos hídricos.

Um dos principais usos que vêm sendo adotados nesse momento é na pavimentação de estradas rurais, por meio do programa Mobiliza pelos Caminhos do Vale, da Usiminas, realizado em parceria com a Associação e Consórcio dos Municípios do Vale do Aço – AMVA / CIMVA. A iniciativa foi lançada pela Usiminas há cerca de seis anos e hoje já atinge 84 municípios participantes, no Vale do Aço e na região Leste de Minas Gerais.

Conservação dos recursos hídricos em 84 cidades mineiras

O trabalho nas estradas é realizado utilizando o agregado siderúrgico, especialmente tratado para esse fim. O material é doado pela Usiminas às prefeituras e entregue pela siderúrgica em pontos específicos indicados pelos municípios. A aplicação do material é realizada pelas prefeituras, com o apoio da Amva/Cimva, e acompanhado pela companhia. Como contrapartida à doação do material pela Usiminas, as cidades se comprometem com a recuperação de nascentes e outras iniciativas socioambientais, com a participação das comunidades diretamente beneficiadas e, também, de estudantes da rede pública de ensino. Dessa contrapartida nasceu o programa Mobiliza Todos pela Água, abrangendo o mesmo grupo de municípios.

A metodologia de trabalho é mapear, recuperar e proteger as nascentes, garantindo maior produção de água e enriquecendo o nível da bacia do rio Doce e suas sub-bacias que o circundam. Um banco de dados das nascentes foi criado para realizar a gestão de cada uma delas, verificando as mudanças que podem ocorrer com o tempo pela falta de proteção e revitalização. Ao todo, já são 4.715 nascentes identificadas e mapeadas e 1.329 nascentes protegidas e em processo de recuperação.

O programa propõe também planejar e fomentar a implantação de viveiros municipais, que servirão para o fornecimento de mudas para a recuperação de matas ciliares, e estimular a educação ambiental em toda a sociedade.

Desde sua criação, o Mobiliza pelos Caminhos do Vale já é responsável pela recuperação de mais de 3 mil quilômetros de estradas rurais e. Já são cerca de 3,5 milhões de toneladas de agregado siderúrgico aplicado, evitando o depósito do material em aterros, e 1,3 milhão de pessoas beneficiadas.

 Foco na gestão sustentável da água

Na Bem Brasil Alimentos a preocupação com a conservação da água está no DNA da empresa. Desde sua inauguração, o consumo consciente e a gestão sustentável desse recurso estão atrelados às práticas e à cultura organizacional. Tanto que a companhia reutiliza 90% da água absorvida no decantador do lavador, além de tratar os 10% restantes. E continua implementando iniciativas pioneiras para reduzir ainda mais os impactos ambientais do negócio.

Um dos destaques dessa atuação responsável é a Estação de Tratamento de Efluentes (ETE), grande desafio na época da inauguração da sua primeira fábrica, em 2006. O clima quente e úmido de Araxá, no Triângulo Mineiro, exigiu a criação de um método específico, único e, ao mesmo tempo sustentável, para realizar a limpeza físico-química e biológica dos resíduos gerados na linha de produção, antes de devolvê-los ao corpo hídrico, dentro de padrões estabelecidos pelo órgão ambiental. A unidade ainda conta com uma ETA – Estação de Tratamento de Água, que tem como principal objetivo garantir os padrões de potabilidade ao consumo humano.

Outra ação importante é a fertirrigação das lavouras, na planta de Perdizes, que aproveita os efluentes líquidos tratados e é considerado um dos métodos mais eficientes na utilização sustentável dos recursos hídricos e economia de água, prática associada à chamada “Economia Circular”. Além disso, dentro do próprio processo produtivo da companhia, há equipamentos que consomem menos as fontes naturais e possibilitam a recirculação em algumas fases. “A sustentabilidade nasceu com a empresa, antes mesmo de ser prática comum no mercado. Os investimentos e a busca por inovação no setor ambiental são permanentes e com resultados eficientes aqui. Aliás, acreditamos que, para crescermos e nos mantermos prósperos, é preciso respeitar todo o ecossistema”, ressalta Érika Araújo, supervisora de Meio Ambiente da Bem Brasil.

Reúso mais nobre

Ela acrescenta que, atualmente, a companhia, considerada líder em vendas de batata pré-frita congelada no País, implanta novos projetos estratégicos de gestão da água, incluindo a captação de chuva para destinar às áreas internas e à jardinagem. “Poderemos ter um reúso mais nobre, como com irrigação de plantas, limpeza de pisos, descargas de vasos sanitários, dentre outros. É uma iniciativa que compreende componentes nas várias etapas do processo: transporte da água da chuva através de tubos, filtragem e armazenamento em grandes tanques para reutilização ou recarga em grande escala”, explica.

Érika ressalta que a escassez da fonte hídrica afetaria, ao menos, dois terços da população mundial em 2050, segundo relatório da ONU. “Isso quer dizer que trabalho e dedicação na indústria alimentícia serão necessários para garantir a qualidade da água e a segurança alimentar”, conclui. Segundo a executiva, a Bem Brasil também realiza treinamentos internos com os colaboradores: “para consumo consciente do insumo nos nossos processos – e atividades de sensibilização e orientação da comunidade, especialmente escolas, sobre a utilização racional da água”.

Compromisso com a redução do consumo de água

Em sua jornada para se tornar uma líder global em soluções de mobilidade, a Bridgestone colocou a sustentabilidade no centro do seu negócio. Como parte de sua estratégia global de longo prazo, rumo a 2050, divulgada recentemente, a companhia reforçou seu comprometimento com o meio ambiente, divulgando os resultados do seu plano de metas 2020 e anunciando novos objetivos para 2030. Entre estes resultados, a companhia celebrou 40% de redução no consumo de água, entre 2005 e 2020, resultado acima do objetivo estipulado originalmente, de 35%.

Com celebração do Dia Mundial da Água, a Bridgestone reforça junto a seus colaboradores e à sociedade suas iniciativas para preservar os recursos hídricos no Brasil. Elas fazem parte do seu compromisso global de responsabilidade socioambiental, Nosso Jeito de Servir, com benefícios ao longo dos últimos anos e novos projetos em suas quatro plantas de produção.

Bridgestone Camaçari

Na Bahia, onde inaugurou sua segunda fábrica de pneus brasileira, em 2007, a Bridgestone reduziu em 56% o consumo de água, entre 2014 e 2020. Entre as iniciativas que contribuíram para este resultado, destaca-se a automatização de sistemas de vazão de água e o controle rigoroso da manutenção de equipamentos, prevenindo vazamentos. Seguindo nesta jornada, a planta segue implementando novos projetos, incluindo uma estação interna de captação e tratamento de água pluvial, que entrará em uso em 2021 e trará novos ganhos para a unidade e o meio ambiente.

Bridgestone Santo André

Em Santo André, onde está instalada a primeira fábrica de pneus da Bridgestone no Brasil, inaugurada em 1940, o consumo de água industrial proveniente da água subterrânea foi reduzido em mais de 80%, desde 2014, com a implantação do projeto Água de Reúso, que substitui o uso da água subterrânea pela água de reúso, poupando recursos naturais renováveis. A Fábrica também conta com uma Estação de Tratamento de Efluentes, que trata 100% dos efluentes industriais da unidade para reutilização na própria linha de produção. Em 2020, em busca de novas oportunidades, a equipe instalou redutores de vazão nos chuveiros dos vestiários, que atendem mais de 3.000 colaboradores. O projeto significa uma economia estimada em mais de 46.000.000 litros de água potável por ano, um volume suficiente para abastecer cerca de 290 residências pelo mesmo período, demonstrando que ações simples podem fazer a diferença.

Bridgestone Bandag

Com duas fábricas, responsáveis pela produção das bandas de rodagem da companhia, em Campinas e Mafra, a Bandag alcançou mais de 25% de redução no consumo de água, entre 2014 e 2020 e espera avançar ainda mais nos próximos anos. Na planta de Campinas, SP, a inauguração de uma estação de tratamento de efluentes, em 2020, permitirá o tratamento de até 28.000 litros de água por dia, que poderão ser reutilizados no processo produtivo da planta. Já em Mafra, no sul do País, um projeto para reutilização do efluente tratado na própria planta tem potencial de reduzir em até 19.000 litros o consumo mensal de água da planta.

“Estamos comprometidos em continuar inovando para promover a mobilidade e conservar o meio ambiente”, comentou Janaína Braga, gerente Sênior de Meio Ambiente e Segurança da Bridgestone Latin America South. “Só assim poderemos seguir cumprindo a nossa missão de servir à sociedade com qualidade superior, não apenas nesta geração, mas nas gerações futuras”, complementa a executiva.

Para 2030, a Bridgestone Corporation direcionará esforços globalmente para o fortalecimento da gestão de recursos, prevenindo a poluição do meio ambiente, implementando novas iniciativas de redução do consumo de água em áreas de seca e promovendo ações de conservação de água junto à comunidade.

Água Virtual conecta a responsabilidade ambiental e o consumo consciente

Aquilo que compramos e consumidos tem um grande impacto no meio ambiente. A Água Virtual pode ser definida como o volume do recurso hídrico utilizado – mas que não se vê – na produção de itens que fazem parte do nosso cotidiano e que revelam números assustadores. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a cada segundo são retirados dos rios 2,3 milhões de litros para a fabricação de bebidas, alimentos e cosméticos, e esse consumo só perde para o da agricultura, que consome aproximadamente 70% do montante de toda a água consumida no planeta.

De acordo com a United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization – World Water Assessment Programme, das Nações Unidas, estima-se que o aumento do uso da água no mundo será entre 20% e 30% até 2050. A organização revela que o aumento da demanda de água está relacionado, principalmente, com os setores de alimentos, energia e indústria de manufaturado. Para o setor de alimentos, a demanda de água deve crescer de 50% a 70%, já no setor energético a demanda deve aumentar 60%, e na indústria de manufaturados 400%, todos até o ano de 2050.

Para Wagner Carvalho, professor de sustentabilidade e especialista em eficiência hídrica e energética na W-Energy, a população precisa despertar para as questões socioambientais enquanto ainda há tempo e começar a consumir com mais consciência, qualidade e responsabilidade. “Há grandes chances da próxima extinção ocorrer pela falta ou contaminação da água. Vivemos no País que tem a maior reserva hídrica do planeta. 11% de toda água doce do mundo está no Brasil e somos a nação que mais desperdiça e um dos mais poluentes. Se não pensarmos no que compramos, vestimos e colocamos em nossa mesa, estamos compactuando com um futuro terrível para nossos filhos, netos e para toda a geração futura”, explica.

Conheça os produtos que, para serem produzidos, consomem muito mais água do que se imagina:

– Papel: a produção de uma folha de papel A4 consome cerca de 10 litros de água.
– Leite: para cada litro de leite são necessários mil litros de água.
– Café: uma xícara de café gasta 130 litros de água em sua produção.
– Manteiga: um quilo de manteiga consome 5.500 litros de água na produção
– Carne bovina:
 um quilo de carne de boi consome 15.400 litros de água na produção.
– Carne suína: um quilo de carne suína consome 6 mil litros de água na produção.
– Carne de frango: para produzir um quilo, são necessários 4 mil litros de água.
– Chocolate: para fabricar uma barra de chocolate, são gastos 1,7 mil litros de água.
– Camisa de algodão: para fabricar uma camisa de algodão, são gastos 2,5 mil litros de água

– Calça Jeans: a fabricação de uma calça jeans usa cerca de 8 mil litros de água.
– Smartphone: o aparelho demanda de 12.760 litros de água em sua produção.
– Computador: a fabricação de um computador pessoal consome, aproximadamente, 35 mil litros de água.

Para conscientizar sobre o consumo de água, o especialista diz que todos devem ser responsáveis não só na hora do banho, de lavar a louça e roupa, de escovar os dentes, como costumamos pensar, mas sim em tudo o que se compra e consome. “Com visão do futuro sobre a grande crise de água no mundo, devemos estar cada vez mais alinhados com a ecologia, com as tecnologias e com a cultura sustentável”, explica ele, salientando que, sem uma alteração de comportamento, a água potável chegará a ser um recurso disputado e até mesmo raro daqui alguns anos.

Goianos plantam água

Dos 5.570 municípios brasileiros, apenas 25% tinham Plano Diretor contemplando prevenção de enchentes e enxurradas e 23% declararam ter Lei de Uso e Ocupação do Solo prevendo essas situações. Mais da metade dessas cidades (59,4%) não contavam com instrumentos de planejamento e gerenciamento de riscos em 2017. Entre aquelas com mais de 500 mil habitantes, 93% foram atingidos por alagamentos e 62% por deslizamentos. Os dados são do Perfil dos Municípios Brasileiros (Munic), divulgado em 2018 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Como é possível constatar todos os anos através dos noticiários, a proporção de localidades afetadas pelos desastres naturais é mais alta nas áreas urbanas, devido a construção de moradias, rodovias e outras obras que interferem na drenagem da água das chuvas e nos processos erosivos. No entanto, ao longo dos últimos anos, as pessoas e empreendimentos têm procurado meios para percolar a água no solo, principalmente por meio de bacias de contenção, uma iniciativa que beneficia o meio ambiente, auxiliando no abastecimento dos reservatórios subterrâneos e posterior uso desse recurso pela comunidade. A iniciativa, que ganha destaque neste 22 de março, Dia Mundial da Água, ainda merece ter seu uso ampliado no Brasil.

Percolação da água reabastece reservatórios subterrâneos

Dependendo da umidade inicial, da intensidade e duração da chuva, em um determinado momento, a capacidade de armazenamento de água do solo poderá ser esgotada, ou seja, ele ficará saturado. A partir desse momento, devido à ação da gravidade, o excesso de água que infiltrar diretamente será drenado para as camadas mais profundas do solo, indo abastecer os reservatórios subterrâneos. Esse movimento descendente da água no interior do solo, de cima para baixo, é chamado de percolação. A parte da água que percolou passa a ser chamada de água subterrânea.

A bacia de contenção é um recurso da engenharia civil muito utilizado para a percolação e que consiste na implantação de reservatórios que receberão a água das chuvas. Ela atua na diminuição da velocidade das águas captadas para que sejam absorvidas lentamente pelo solo. Em caso de excedente, a água será direcionada a cursos e mananciais de água, próximos ao loteamento. Um exemplo é a bacia feita na área verde do loteamento Jardim Alta Vista, em Trindade, GO. “A tubulação tem 1,5 metro de diâmetro chegando na bacia e sai da bacia e lança com 0,4 metro de diâmetro no córrego. Com isso, o escoamento chega com menor vazão no manancial, além de ser absorvido naturalmente”, explica o engenheiro Raphael Gualberto, responsável pela obra.

O futuro bairro, em implantação na região do Trindade 2, receberá cerca de 800 famílias. Raphael chama atenção também para a importância da consciência dos futuros moradores, que não devem impermeabilizar todo o quintal, evitar jogar lixo nos bueiros, entre outras práticas, para manter a permeabilidade do solo. “Essa é uma responsabilidade do cidadão também. A infraestrutura é importante mas, sem as boas práticas, elas se tornam ineficientes”, diz.

 Sistema para “plantar água”

Outra iniciativa em prol da absorção das chuvas foi implantada no Residencial Aldeia do Vale, em Goiânia, o qual possui um sistema com 11 bacias de contenção e caixas de infiltração para captar as águas pluviais e fazer com que elas retornem ao solo, para alimentar o lençol freático. “Elas são de extrema importância, pois mitigam o efeito da enxurrada. Sem isso a força da água é maior, até pela nossa topografia, e ela acaba indo embora, sem penetrar no solo e até assoreando nossos lagos”, destaca Ovídio Palmeira, presidente da Associação dos Amigos do Residencial Aldeia do Vale (Saalva).

Palmeira conta que o sistema começou a ser implantado em 2015. “Para a bacia, é feita uma elevação de terra nos locais determinados, como se fosse uma barragem. Temos também algumas curvas de nível, que são parecidas com as bacias. A diferença entre elas é que a curva de nível tem a função de diminuir a velocidade da enxurrada, enquanto a bacia contém e infiltra a água no solo”, explica, destacando ainda que no fundo das bacias são colocadas caixas de infiltração, para facilitar a penetração da água no solo e não deixar que ela fique empoçada por muito tempo.

Elas são buracos de 1,5m x 1,5m feitos nos fundos das bacias e formados por várias camadas de pedras, das maiores para as menores. “Isso é feito até se chegar na brita. Depois colocamos areia e vegetação e com o tempo ela fica disfarçada no local. Nós chamamos esse sistema de Plantar Água. Aqui no Aldeia, além de uma extensa área verde onde plantamos árvores, também plantamos água. À medida que aumenta nossa urbanização, aumentamos a quantidade de bacias de contenção”, salienta o presidente da Saalva e que mora no condomínio horizontal há 18 anos.

Captação, tratamento e reúso de água de chuva

 A Ambipar inaugurou, neste Dia Mundial da Água, um sistema de captação, tratamento e reuso de água da chuva, no complexo industrial da companhia, localizado em Nova Odessa, interior de São Paulo. O equipamento tem capacidade de armazenamento de 60 mil litros e, levando em conta o índice pluviométrico da região, que mede em torno de 1.317,1 mm/ano, a expectativa é a reutilização de 1,5 milhões de litros por ano de água. Isso equivale a 75 mil galões grandes de água.

O projeto denominado de “Sistema de Captação, Tratamento e Reúso de Alta Performance” será utilizado para abastecer os caminhões pipas destinados a atendimento emergencial, combate a incêndios, limpeza predial, higienização de veículos, máquinas e caminhões, irrigação de áreas verdes e eventuais utilizações para uso potável.

Para o diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), Gabriel Estevam Domingos, a reutilização de água de chuva no complexo proporciona economia no consumo de água potável.

“É uma forma de conservar o recurso, principalmente em momentos de crise hídrica ou na situação atual, em que estamos com o principal reservatório do Estado de São Paulo encontra-se em baixa, com 51,5% da capacidade”, afirma Gabriel.

O sistema conta com tratamento da água para reutilizar em fins potáveis ou não potáveis, bem como o sistema de captação (calhas, dique e tubulações), sistema de descarte dos primeiros minutos de água, componentes filtrantes, purificadores, armazenamento de água bruta e tratada, painel de comando e controle automatizado, que também funciona de forma remota como pelo aparelho celular.

Indicadores ESG

Além da preservação do recurso hídrico, o projeto também apoia os indicadores sociais do ESG (Environmental, Social, Governance na sigla em inglês). A ONG Ciclo, Social Arte, conta com grafiteiros da comunidade Jardim Ângela, em São Paulo, para realizar a estética visual da área que contempla o sistema de reúso de água de chuva no complexo de PD&I, em Nova Odessa. A arte contempla a fórmula molecular da água, o ciclo dinâmico e parte de seu ecossistema de forma interativa e didática.

O Complexo de PD&I também atende aos indicadores ambientais. O espaço conta com uma horta colaborativa de produção de hortaliças e legumes orgânicos, área verde (grama, árvores nativas e sistema de drenagem) que é regado com a água de reúso e contém compostagem dos restos de alimentos orgânicos do restaurante como adubo para terra. O piso é ecológico, feito de resíduos reciclados, conta com luz solar natural, mural de exposição de artigos, prêmios, produtos ecológicos desenvolvidos e patentes registradas. E também um painel de cálculo e neutralização da pegada de Carbono de pessoas e empresas (CarbonZ), tornando-se, assim, um núcleo inovativo, sustentável e agradável para o desenvolvimento de projetos clean techs.

Outros benefícios do Sistema:

  • Alta capacidade de tratamento;
  • Fácil operação e manutenção;
  • Atente as normas reguladoras que definem a qualidade para diferentes usos;
  • Baixíssimo custo operacional (não há necessidade de operador, sistema aciona e desliga automático conforme é captada, tratada e distribuída a água);
  • Ecologicamente correto – preserva os recursos naturais e atende as diversidades de limitações de espaços das empresas e áreas urbanizadas;
  • Reserva de água para situações de emergência ou interrupção do abastecimento público;
  • Praticidade (o suprimento ocorre no ponto de consumo);

Programa ambiental de uso consciente de água

Ao lançar o “Programa ambiental de uso consciente de água”, a Agroforte está fazendo um trabalho e reflexão e conscientização com sua equipe

Responsáveis pelo reaproveitamento diário de toneladas de resíduos de pescados do litoral catarinense, os colaboradores foram estimulados pela empresa a pensar em novas ideias para o uso racional da água dentro da indústria. Em uma união de forças, cada um poderá entregar a sua sugestão por escrito, sendo que nessa primeira etapa todos serão premiados com uma caixa de bombons.

O programa prevê ainda premiações em dinheiro para as 10 melhores sugestões e a possibilidade das três mais eficientes saírem do papel, podendo ser aplicadas pela fábrica. “Mais que estimular a todos a pensarem sobre a necessidade do uso consciente da água, com a ação buscamos investir na mudança de certos hábitos. Nosso objetivo é ajudar a formar pessoas realmente atentas às questões ambientais que tanto prezamos”, explica William Dal Mago, engenheiro ambiental da indústria.

Localizada em Biguaçu, SC, a Agroforte é uma das maiores empresas de reaproveitamento de resíduos de pescados do Brasil, gerando mais de uma centena de empregos diretamente. Ela atua na produção de farinha e óleo utilizados como matéria-prima para a fabricação de ração para cães, gatos, peixes e camarões, além de ser exportada para diversos países.

Investimentos em ações de economia e reúso de água

A Ciser, destaque no fornecimento de soluções para indústrias de diversos segmentos, acredita na importância econômica, ambiental e social dos recursos naturais, realizando diversas medidas para economia de água em suas unidades fabris.

Na unidade localizada em Araquari (SC), a empresa coleta água da chuva de uma área de 10 mil m², armazenando-a para uso posterior, com reserva total de 270 mil litros. As águas da chuva fornecem 35% de toda a água consumida na unidade — no mesmo período do ano anterior a proporção era de 23%. Apenas nos dois primeiros meses de 2021, o reuso de águas tratadas e a captação de água da chuva da unidade fabril propiciaram a economia de mais de 2 milhões litros de água potável. 

Em 2020, foram realizadas melhorias na rede de distribuição de água da chuva, possibilitando o uso para limpeza geral do piso da fábrica e para atender todas as torres de resfriamento. Anteriormente, a empresa já usava essa água também para reserva técnica de incêndio, rega de jardins, descarga de banheiros, abastecimento de lavadores de gases e para parte da linha de decapagem. 

“Além da coleta de água da chuva, também reutilizamos a água tratada na Estação de Tratamento da decapagem. Toda a água resultante do tratamento é reutilizada nos processos, o que corresponde a 8% da água usada na fábrica”, evidencia Anderson Almeida Rudinick, analista ambiental da Ciser, que integra o comitê H2O, voltado para projetos de uso consciente da água dentro da Ciser. O grupo, formado por seis pessoas das áreas de manutenção, meio ambiente, engenharia e manufatura, implementa melhorias e realiza o monitoramento constante das fontes de água. 

A Ciser também protege cerca de 10 mil hectares de Mata Atlântica. É uma vasta região de florestas nativas onde se localizam as principais nascentes do rio Quiriri, que fornecem 17% da água consumida em Joinville (SC), onde fica a sede administrativa da empresa. “Investimos para que preservemos hoje o nosso amanhã”, conclui Anderson.

Reúso e atitude ambiental

Como usuária da água potável em inúmeras de suas atividades, a VLI – companhia de soluções logísticas que opera terminais, ferrovias e portos – trabalha incessantemente na conservação deste recurso natural e incentiva práticas de reutilização, bem como de uso mais adequado. Entre as ações da empresa para cumprir seu papel social e garantir o uso correto da água estão campanhas de conscientização dos empregados e da população da área de influência da VLI. De 2012 até agora, mais de 45 mil pessoas participaram de atividades e capacitações promovidas pelo Programa Atitude Ambiental.

Conforme o especialista de Educação Ambiental da companhia, Itamar Lucas Magalhães, o programa auxilia na compreensão das questões socioambientais, permitindo que as pessoas atuem para a melhoria de suas condições de vida, por meio da modificação das suas atitudes.

“O objetivo é conscientizar para a importância da preservação ambiental e o desenvolvimento de atitudes sustentáveis. Para isso, firmamos parcerias com escolas, poder público, lideranças comunitárias, conselhos, organizações não governamentais e a comunidade em geral. Atualmente atuamos em 31 municípios espalhados por 12 estados”, detalha.

Itamar Magalhães ressalta que o programa reforça a missão da VLI de promover conexões que geram valor, o que resulta em mudanças de comportamentos e atitudes em relação ao meio ambiente. “Ele possibilita ao indivíduo e à coletividade se perceberem como sujeitos sociais capazes de compreenderem a integração sociedade-natureza e de se comprometerem em agir na prevenção ambiental. Acredito que com o conhecimento, as pessoas valorizam e cuidam melhor do meio ambiente”, finaliza.

Reutilização

Em 2020, o sistema de reuso na estação de tratamento localizada em Divinópolis (MG), por exemplo, foi ampliado, gerando economia de 220 m³ por mês. Segundo a especialista em água da VLI, Belisa Mara Dias dos Santos, existem outras estações de tratamento em diversas unidades espalhadas pelo país, como em Imperatriz (MA) e no Terminal Marítimo Inácio Barbosa (TMIB), no Sergipe. Nesses locais, os efluentes tratados são reutilizados em processos operacionais, como lavagens de vagões, pátios, peças e outros equipamentos. Todo esse processo de tratamento dos efluentes segue as diretrizes estabelecidas pela legislação e normas técnicas.

Além disso, Belisa Santos ressalta que, como a VLI é uma usuária da água, é fundamental que, entre suas atividades, a conservação e a reutilização da água sejam praticadas, buscando padrões sustentáveis e responsáveis por meio de ações eficientes e racionais. Também são feitos controles do consumo diário para medir o volume de água captada e utilizada. Esse controle possibilita traçar estratégias para melhor consumo e distribuição da água.

De acordo com ela, projetos para reaproveitamento da água de chuva estão em estudos para que possam ser implantados pela companhia. “A proposta é avançar em formas de captação que preservem os mananciais superficiais e as águas subterrâneas, garantindo a reutilização da água de forma sustentável. A empresa busca garantir não só a quantidade para consumo, mas também a qualidade da água captada. A intenção é permitir que a água seja devolvida ao seu local de origem de maneira correta”. observa.

Live sobre Gestão eficiente das Águas destaca Programa Águas Brasileiras

Na semana que se comemora o Dia Mundial da Água, a Fiesp convida a sociedade para conhecer as melhores práticas de uso eficiente da água pelas indústrias paulistas e o Programa Águas Brasileiras. A live Gestão Eficiente das Águas será no dia 25 de março, as 14h30. O objetivo é promover uma discussão que vai além do debate sobre o uso racional da água e traz novos pontos de vista que consideram o uso inteligente desses recursos e seus impactos na sociedade.

Programa Águas Brasileiras é uma iniciativa dos Ministérios do Desenvolvimento Regional (MDR), da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), do Meio Ambiente (MMA), da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

 Na oportunidade, a Fiesp buscando dar o reconhecimento aos benefícios ambientais, sociais e econômicos das práticas adotadas pelas indústrias paulistas, fará a solenidade de premiação da 15ª Edição do Prêmio de Conservação e Reuso de Água, como forma de divulgar as iniciativas das 31 empresas participantes e apresentar os cases finalistas, objetivando dar ampla divulgação a estas práticas e homenagear as empresas que investem na redução do consumo e do desperdício de água.

As inscrições podem ser feitas nos link: https://apps.fiesp.com.br/sce2/InscricaoEvento/InscricaoWebinar/Inscricao/8243?lang=pt

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