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Mulheres ampliam sua representação na indústria e meio ambiente

por redação

Mulheres têm se destacado, cada vez mais, em atividades nas indústrias e ligadas ao setor de meio ambiente

Esta semana, no dia 8 de março, comemoramos o Dia Internacional das Mulheres. Vamos aproveitar a oportunidade para mostrar o aumento da representatividade feminina na área industrial e no setor de serviços ligados ao meio ambiente. Comunidades onde mulheres atuam possuem as florestas mais preservadas do mundo, afirma estudo realizado pela Right and Resouces Initiative (RRI), que reúne 150 organizações no mundo dedicadas a preservação de florestas e aos direitos dos povos indígenas e comunidades locais. Segundo o levantamento, cerca de 25% de todo carbono estocado na vegetação do planeta estão nesses territórios.

A Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, de 1992, já destacava, no princípio 20, que o desempenho das mulheres tem papel fundamental na proteção do meio ambiente e sua plena participação é imprescindível para conseguir o desenvolvimento sustentável.

No mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, é importante mostrar o engajamento das mulheres na busca pela produção sustentável e conservação ambiental. Um exemplo é a atuação da economista e CEO do grupo BMV (Brasil Mata Viva), Maria Tereza Umbelino, que criou uma metodologia considerada modelo de conservação de florestas.

Nascida em uma família de produtores rurais em Goiânia (GO), Maria Tereza cursou economia e se especializou em consultoria financeira e desenvolvimento de negócios.  Após realizar estudos, buscou por metodologias que contemplassem a preservação das áreas existentes e percebeu que nenhuma metodologia disponível era capaz de compreender e resolver a situação brasileira devido às especificidades jurídicas e institucionais do País.

Em 2007, Maria Tereza fundou o Programa Brasil Mata Viva, com a missão de gerar e desenvolver soluções em sustentabilidade para atender a realidade do Brasil e poder ser aplicado em outras partes do mundo. “É um programa inovador e inédito, que permite a remuneração dos produtores rurais e de todos os agentes atuantes na rede colaborativa de proteção às florestas e demais biomas com sua biodiversidade”, explica. Atualmente, o BMV conta com 5.486.842.105,26 m² de área de vegetação preservada, aproximadamente 768.465 campos de futebol.

Melhores escolhas

 

A metodologia criada pelo BMV tem como base o PSA (Pagamentos por Serviços Ambientais), que gera como produto o Crédito de Floresta. De um lado, o produtor rural, do outro, empresas que querem contribuir com a preservação ambiental. Com isso, os dois lados assumem o compromisso de preservação, gerando os créditos, que são adquiridos por essas empresas ou pessoas.

“Acredito que podemos melhorar nosso modo de interagir com o mundo e como participamos de seus ciclos e dinâmicas. Não somos capazes de controlar o futuro – nem de alterar o passado, efetivamente, mas podemos fazer as melhores escolhas no presente. Nisso, a conservação dos biomas do mundo, entre eles as tropicais como a Amazônia, é fundamental”, afirma Maria Tereza.

Um estudo desenvolvido pela economista para o Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento (PNUD-ONU), em 2009, sobre a questão ambiental, atrelada com o endividamento da propriedade rural, comprovou que a conservação da floresta é um custo que o proprietário rural arca e esta é a causa da pressão econômica exercida sobre o ambiente natural.  “É preciso olhar para o ambiente saudável, como as florestas e geleiras, como riquezas potenciais estocadas e como produtor dos bens intangíveis de que nossas vidas dependem. Nesta ótica, o homem é guardião das riquezas que protege.  Não renuncia a elas, mas trata de outro modo”, salienta.

 

Liderança feminina: mulheres à frente do mercado industrial 

 

Conquistar cargos de liderança no mercado de trabalho ainda é um desafio enfrentado diariamente pelas mulheres. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT) apenas 39,4% das mulheres estão em cargos de chefia atualmente, reforçando a realidade de que ainda há um longo caminho para ser explorado.

Mesmo sendo um processo lento, felizmente podemos contar com grandes profissionais em cargos de liderança que trazem, além de um novo olhar para o mercado de trabalho, incentivo e determinação. Com 20 anos de experiência trabalhando em multinacionais como Mann Hummel e AVK,  Roberta Bosignoli assumiu o cargo de Gerente de Operações e de Desenvolvimento de Negócios da EquipNet no ano de 2018 e desde então vem elaborando ações e estratégias que se tornaram grandes cases de sucesso.

“Assumir um cargo de liderança na minha área de atuação, depois de anos de dedicação e profissionalização, é realmente uma grande conquista. Embora o cenário em que vivemos ainda seja carregado de obstáculos é importante incentivar e oferecer ferramentas para que as mulheres reconheçam a importância da liderança feminina e continuem conquistando novos espaços”, afirma.

Além de ser muito importante para estabelecer a igualdade de gênero dentro do ambiente de trabalho, a contratação de mulheres para cargos de liderança traz diversos resultados positivos. A criatividade e a produtividade são algumas das habilidades que se destacam no ambiente de trabalho comandado pelas mulheres, empresas com líderes femininas têm resultados até 20% melhores, é o que afirma pesquisa feita pela ONU.

Além de um cargo de liderança, Roberta tem um grande papel em difundir no território nacional essa nova cultura de gestão de ativos usados. “Quando eu iniciei os meus trabalhos na EquipNet assumi alguns desafios que envolviam a reestruturação da empresa. Foi desenvolvido uma nova gestão, mais organizada e clara, para tornar a empresa reconhecida no mercado. Passar por essa fase em um ambiente diverso, com homens e mulheres, permitiu com que tivéssemos novas perspectivas que ajudaram a disseminar nossos serviços e suas vantagens”, ressalta.

Sempre em busca de melhoria, Roberta busca atualmente tornar a EquipNet reconhecida em todo o Brasil como um processo de compliance rentável que oferece, além do serviço de compra e venda dos equipamentos, uma solução completa na gestão de ativos, prezando pela qualidade e transparência.

 

Indústria também é lugar de mulher

 

A indústria é, possivelmente, o mais masculino dos setores econômicos. De acordo com dados do CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, enquanto as mulheres representam 45,3% dos postos de trabalho do mercado formal, considerando todos os setores econômicos, na indústria de produtos de limpeza, que movimenta R$26 bilhões por ano, o índice é de apenas 26%. Mas este cenário não deve durar muito tempo. A participação feminina, entre os fabricantes de saneantes, vem sendo bastante estimulada nos últimos anos e tem crescido o número de mulheres no setor. “É possível que em cerca de uma década já tenhamos um equilíbrio entre homens e mulheres (confira entrevista completa no final do texto)”, afirma Juliana Marra, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional (Abipla).

A Abipla, por sinal, é um exemplo do espaço que as mulheres vêm conquistando. Além de Juliana, que é a primeira mulher a ocupar a presidência da entidade em 45 anos de existência, a direção da Associação é composta por 28 pessoas, sendo que 14 são mulheres. No Comitê Regulatório, por sua vez, a dominância já é feminina: 87 mulheres e 49 homens.

 

Desenvolvimento

 

E a ascensão na carreira não se limita ao trabalho associativo. Na Candura, por exemplo, a química industrial Eloísa Samarini lidera uma equipe de 15 pessoas, tendo construído toda sua trajetória profissional na empresa. “Entrei na Candura como estagiária técnica, em 2001, e permaneço até hoje”, diz, acrescentando: “Nunca sofri nenhum tipo de preconceito por ser mulher, nem entre colaboradores nem na administração. Para mim, isso nunca foi um empecilho”, completa ela, que abraçou a educação e especializações para alavancar a carreira. “Sempre busquei me especializar. Fiz curso técnico, faculdade de química industrial e cursos de especialista de formulação em produtos para casa”, conta.

A procura por aperfeiçoamento profissional entre as mulheres, realmente, chama a atenção no setor. De acordo com dados divulgados pelo Serviço Social da Indústria (Sesi), a busca por cursos de graduação e pós-graduação nas Faculdades da Indústria (Instituto Euvaldo Lodi e SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) é maior entre as mulheres, mesmo elas sendo minoria entre os trabalhadores. O público feminino é maior na graduação à distância (56%) e na graduação presencial (54%).

 

A última barreira

 

Apesar do recente crescimento profissional feminino nas empresas, ainda é raro encontrar uma companhia que tenha uma mulher ocupando a cadeira de presidente. De fato, das 46 empresas associadas à Abipla, apenas quatro são comandadas por mulheres. “A maioria dos fabricantes de produtos de limpeza são empresas familiares. Com isso, as empresas ainda estão com a liderança masculina, de quem as comprou ou fundou”, explica Talita Santos, diretora-executiva da Gtex Brasil, que deve assumir a presidência da companhia nos próximos anos.

Talita, que é filha dos fundadores da empresa, José Domingues e Neiva Santos, também seguiu o caminho do aperfeiçoamento profissional para se preparar para o cargo. É graduada em Relações Públicas, possui pós-graduações em áreas variadas, além de ter atuado em, praticamente, todos os departamentos da Gtex. “Apesar de jovem, eu sempre me preparei. Cresci nos corredores da empresa”, afirma ela.

A executiva conta que a própria estrutura familiar permitiu que ela tivesse as ferramentas necessárias para se desenvolver profissionalmente. “Nasci em uma família em que a mãe tem uma presença muito forte. A Gtex quebrou um pouco esse tabu por ter minha mãe como presidente do conselho. Há uma liderança conjunta na empresa”, analisa ela.

Ciente do desafio que a aguarda, Talita fez parte do programa de líderes femininas globais da Fundação Dom Cabral, mantém contato com outras mulheres em cargos de alta direção e responsabilidade e segue atenta às pautas de diversidade e inclusão. “As empresas do setor estão crescendo e introduzindo novas tecnologias. Isso abre a cabeça para ter um time multidisciplinar, com muito mais diversidade, em que é necessário ter pessoas com características diferentes”, analisa.

 

Toque feminino

 

Segundo ela, um exemplo simples do que as mulheres podem agregar à alta gerência é a empatia que líderes femininas costumam demonstrar junto às suas equipes. “Tem que olhar pessoas e não só números. A empresa é feita por pessoas. Se eu não tenho pessoas felizes, dedicadas e engajadas com o propósito, eu não entrego o número”, afirma Talita.

Eloísa concorda: “A mulher é mais acolhedora, sabe ouvir, enxergar o ser humano, saber que, por trás de um colaborador, de um cargo, existe uma pessoa”.

 

Setor de Produtos de Limpeza e Saneantes está atento à diversidade, diz presidente da Abipla

 

Pela primeira vez, desde 1976, a Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional (Abipla), entidade que representa o mercado de saneantes do Brasil, setor que movimenta R$ 26 bilhões anuais e emprega 58 mil pessoas, é comandada por uma mulher. Desde março do ano passado, Juliana Marra ocupa a presidência da entidade, com a meta de modernizar a associação e consolidá-la como a principal referência em sanitização no Brasil. Para ela, todos os players do setor já têm trabalhado a questão da diversidade, o que deve fazer com que aumente o número de mulheres que podem construir carreira em um fabricante de produto de limpeza.

Confira a opinião de Juliana Marra sobre a ascensão feminina no mercado de trabalho e no setor:

1) As mulheres representam apenas 26% da força de trabalho do setor, mas diversas companhias já têm pessoas do sexo feminino assumindo cargos de liderança. Acredita que as empresas estão criando políticas para que essa inclusão ocorra no nível gerencial?

Juliana Marra: O setor de bens de consumo tem trabalhado bem essa pauta afirmativa e uma empresa influencia a outra. Isso é muito bom nesse mercado. É uma concorrência saudável. Uma empresa cria um compromisso de usar menos plástico, por exemplo, e a outra empresa também o faz. A questão da inclusão, da igualdade de gênero, é presente em quase todas as empresas. Por isso, vemos cada vez mais posições estratégicas ocupadas por mulheres. Muitas delas foram formadas e preparadas dentro da própria empresa, dando valor ao desenvolvimento dos colaboradores, e outras chegam para reforçar o time vindas de outras companhias e até de outros setores.

2) A própria Abipla é um retrato disso, já que a diretoria é ocupada por 14 mulheres e 14 homens.

Juliana Marra: Sim, são líderes de diversas áreas. Mas isso só é possível porque temos nas empresas uma dinâmica que possibilita isso. Existe um movimento e um olhar para a liderança feminina. O que mostra que os associados, ao indicarem nomes, entenderam que essas pessoas tinham potencial para representá-los na ABIPLA. Mostra que as empresas vêm investindo nessa pauta.

3) Com plantas de produção cada vez mais modernas e automatizadas, precisando menos de força física, avalia que a presença das mulheres pode aumentar, também, nas áreas fabris?

Juliana Marra: Quanto mais modernizada for a indústria, mais mulheres entrarão. Mas vale ressaltar que as mulheres já são maioria nos cursos de graduação (nota: de acordo com relatório Education at Glance 2019, da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, 25% das mulheres entre 25 e 34 anos têm Ensino Superior no Brasil. A proporção de homens na mesma faixa etária é de apenas 18%) e, claramente, isso vai refletir no mercado, pois elas estarão cada vez mais preparadas para ocupar postos qualificados. Além disso, há oportunidades em diversas áreas, como comunicação, por exemplo, já que, mesmo sendo uma indústria, é um setor que reúne marcas, muito famosas, que têm que trabalhar sua imagem. Claro que o desenrolar da carreira e o momento que a mulher decide casar e ter filhos podem fazer com que elas acabem priorizando a família, o que pode ser um fator inibidor de crescimento de carreira. Talvez as novas e futuras gerações façam escolhas diferentes.

4) Em quanto tempo prevê que o setor de saneantes terá uma divisão equilibrada entre homens e mulheres?

Juliana Marra: Acredito que, em uma década, devemos conseguir avanços e teremos proporções mais equilibradas entre homens e mulheres na indústria de produtos de higiene, limpeza e saneantes. Essa dinâmica da educação já vai estar estabelecida e é uma questão do aproveitamento do espaço que vai ser criado. A independência de escolha da mulher, em relação à carreira, família e filhos, somada à educação e às políticas de igualdade podem fazer com que fiquemos perto do equilíbrio.

 

Mulheres ocupam 40% dos cargos de alta liderança na Ambipar

 

A Ambipar, líder em gestão ambiental, possui 40% dos cargos de alta liderança ocupados por mulheres. A diversidade e igualdade de gênero sempre fizeram parte da política da empresa, assim como outras ações alinhadas aos indicadores ESG (Environmental, Social Governance, na sigla em inglês).

A companhia é uma das únicas empresas da B3 que possui uma mulher como CEO. “Eu me sinto feliz, porque na Ambipar a igualdade entre homens e mulheres sempre existiu, enquanto que outras empresas passaram a prestar mais atenção nesse aspecto há pouco tempo. Então, saímos na frente no quesito mulheres na liderança”, afirma Cristina Andriotti, CEO da Ambipar.

Além de ser uma empresa completamente comandada por uma mulher, o conselho administrativo da companhia conta com a diretora de Sustentabilidade, Onara Lima, como membro para tomar decisões assertivas que levam os indicadores ESG em consideração. “A maioria das empresas não tem um diretor de sustentabilidade dentro do conselho e nem mulheres. Na Ambipar, o time é composto por pessoas de diferentes idades e gêneros para garantir a pluralidade de pensamentos”, afirma.

A Ambipar também conta com Renata Gregolini como CEO da divisão Environment e a gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), Bianca Ayres. Duas mulheres que atuam na gestão e valorização de resíduos, com foco em economia circular para preservar o mundo para as futuras gerações.

A companhia possui mulheres na liderança espalhadas por 20 estados brasileiros. Na área administrativa, 60% dos cargos são compostos por mulheres. A área técnica e operacional possui 36% de mulheres.

A Ambipar continua apoiando as mulheres de todo o mundo. No dia da mulher, em 8 de março, a companhia anuncia doações para a Organização Não Governamental (ONG) Grupo Mulheres do Brasil. Cada colaboradora que fizer o cadastro em uma página desenvolvida especialmente para o mês da mulher, é convertido em verba para doação ao projeto “Aceleradora de Carreira”. A ação visa ajudar mulheres que já estão no mercado de trabalho a acelerarem suas carreiras, através de mentorias em comunidades.

 

 

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