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Encontros online e ações empresariais marcam Semana do Meio Ambiente 2020

por redação

Em tempos da pandemia causada pelo novo coronavírus, a Semana de Meio Ambiente deste ano ganhou destaque com eventos virtuais bem-sucedidos e o empenho do setor produtivo para disseminar a importância das boas práticas ambientais

Esta Semana do Meio Ambiente ganhou um caráter excepcional em meio ao período de pandemia que estamos vivenciando por conta do novo coronavírus. Para superar o desafio do distanciamento social e seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) as atividades presenciais não puderam ser realizadas, mas com o apoio do universo digital e das redes sociais diversas entidades e empresas promoveram encontros virtuais bem-sucedidos.

Em São Paulo, a abertura da semana, dia 1º de junho, foi comandada pelo gabinete do vereador Gilberto Natalini, da Câmara Municipal, que realizou a 19ª edição da Conferência P+L e Mudanças Climáticas, com mais de 3600 participantes. Este ano o tema escolhido foi Emergência Climática e a cidade de São Paulo. O evento, pioneiro no município, abordou temas de interesse que interferem diretamente na qualidade de vida da população da nossa cidade.

Outro evento de sucesso foi realizado pela Soldí Ambiental com a webinar sobre os 10 anos da Política Nacional de Resíduos Sólidos, dia 2 de junho, com as participações da nossa jornalista, Sofia Jucon, que moderou o painel, ao lado do especialista em Direito Ambiental, Dr. Tasso Cipriano.

Para tratar da relação entre as áreas de Segurança e Saúde do Trabalho e o Meio Ambiente e sua importância para ampliar as ações em prol da sustentabilidade através dos profissionais prevencionistas, como os Técnicos de Segurança do Trabalho, nossa jornalista, Sofia Jucon, participou também, no dia 4 de junho, do Café com o Presidente, um evento online sobre o Dia do Meio Ambiente, promovido pelo Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho do Estado de São Paulo (SINTESP).

Outra iniciativa online foi da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que celebrou o Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, com o tema Indústria contra o Coronavírus, através da videoconferência “A Pandemia e o Meio Ambiente”, com as presenças de Eduardo San Martin, presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp; o jornalista Alexandre Garcia, o advogado especialista em Direito Ambiental, Édis Milaré, entre outros convidados.

Plano de recuperação do País pós-Covid-19

Além dos encontros virtuais, em todo o País, empresas e entidades corporativas se empenharam em desenvolver iniciativas que demonstram a importância de valorizar as ações ambientais neste período de pandemia e o quanto o cidadão pode contribuir para a sustentabilidade na prática. Uma pesquisa apontou, por exemplo, que para 85% dos brasileiros, proteção do meio ambiente deve ser prioridade na retomada pós-pandemia.
A pesquisa, realizada pela Ipsos para o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 05 de junho, comprovou que a pauta da conservação ambiental não perdeu sua relevância, mesmo em um cenário de pandemia. Na opinião de 85% dos brasileiros, a proteção do meio ambiente deve ser uma prioridade do governo no plano de recuperação do país pós-Covid-19. O estudo ouviu participantes de 16 países, sendo 1.000 no Brasil.
A população que mais espera atitudes governamentais no que diz respeito à defesa do verde é a da China, com 91%. Em segundo lugar, estão, empatados, a Índia e o México, com 89%. Com 85%, o Brasil ficou em terceiro. Por outro lado, Alemanha (55%), Japão (61%) e a Rússia (62%) foram os países cujos entrevistados demonstraram menor interesse na pauta ambiental.
Um dos motivos pelo qual a maioria esmagadora dos ouvidos brasileiros enxerga a relevância da proteção do meio ambiente no contexto atual pode estar relacionado à uma preocupação com o próprio bem-estar. No Brasil, 85% acreditam que problemas como degradação ambiental, poluição, desmatamento e mudanças climáticas representam uma séria ameaça à saúde.
Novamente, os chineses estão no primeiro lugar – considerando 16 países – entre os que mais concordam com a premissa: são 93%. Em seguida vêm México, com 91%, e África do Sul, com 90%. Quem menos acredita que as questões ambientais podem gerar impacto na saúde são os Estados Unidos (77%), Austrália e Japão (ambos com 81%) e Canadá (83%).

De quem é a responsabilidade?
Apesar de a maior parte dos entrevistados brasileiros concordarem na importância da pauta verde para o futuro, os resultados do levantamento apontam para um paradoxo. Embora 85% defendam que o governo deve priorizar a conservação do meio ambiente na retomada pós-pandemia de coronavírus, 41% dos ouvidos no Brasil admitem que o tema da proteção ambiental não está na sua própria lista de prioridades no momento.
Na Alemanha e na França, apenas 28% afirmam que não priorizam o tema. Na segunda posição, está o México, com 33%; a Espanha ficou em terceiro, com 35%. Na contramão destes países, os participantes da Índia (67%), da Itália (65%) e da Rússia (58%) apresentam maior descaso com o assunto atualmente.
A pesquisa on-line foi realizada com 16 mil entrevistados de 16 países, no período de 21 a 24 de maio de 2020. A margem de erro é de 3,5 p.p..

Repensar nossa relação com o planeta

Dr. Alessandro Azzoni

O Dia do Meio Ambiente traz também a necessidade de repensarmos a nossa relação com o planeta. É a opinião do advogado Alessandro Azzoni, economista e especialista em Direito Ambiental. Segundo ele, O Dia Mundial do Meio Ambiente teve como objetivo primordial chamar a atenção de toda a população mundial, independente da sua esfera social, para os problemas ambientais e a importância da preservação dos recursos naturais. A data foi escolhida na Conferência das Nações Unidas, em 1972, sobre Meio Ambiente Humano, em Estocolmo, justamente para relembrar a realização do evento.
“Muitos questionam sobre a tutela ou proteção jurídica do Meio Ambiente como trava para o crescimento econômico, mas ao nos depararmos com situações que mudem nosso dia a dia, acabamos repensando algumas atitudes. Um bom exemplo foi a crise hídrica de 2014, no Estado de São Paulo, com a iminência da falta do bem mais precioso para a humanidade. Na ocasião, a população aderiu e foi a responsável para que esse bem esgotável não chegasse ao fim. Com os reservatórios à míngua, cabia somente a população mudar seus hábitos para que o fornecimento fosse mantido”, relembra.
Estamos vivendo um novo momento de mudanças em nossas vidas com a Covid-19, doença causada por um vírus capaz de se multiplicar e comprometer as vias respiratórias, levando rapidamente ao óbito. Em 2013, Relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) apontava que 70% das novas doenças em humanos tiveram origem animal. Historicamente, uma sequência de fatos já fazia o alerta: em 2002 foi a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), de origem zoonótica; em 2005 veio a gripe aviária, causada pelo vírus influenza hospedado em aves; em 2009, a gripe suína originária de uma cepa de vírus H1N1 que teve início em porcos. “Podemos, ainda, colocar nessa conta o Aedes aegypti e as transmissões da dengue, zica e chikungunya, além da leptospirose, transmitida pela unira de animais infectados nos grandes centros urbanos”, complementa Azzoni.
Muitas dessas novas doenças se deram pelo desmatamento e pelo avanço dos centros urbanos, acelerando a aproximação entre animais selvagens e humanos e a invasão de habitats naturais. “Podemos concluir que o crescimento da população e avanço das economias em busca do desenvolvimento fazem com que as nações busquem mais espaços para acomodar o crescimento populacional. E, por vezes, as populações que não acompanham esse desenvolvimento econômico ficam às margens das cidades, fazendo com que as periferias avancem para as áreas de florestas e matas que deveriam ser protegidas. Tal contato contribuiu para o surgimento de zoonoses, disseminando contaminações por patologias entre animais e seres humanos”, diz ele.
Por isso, para ele, a reflexão que fazemos neste 5 de junho deve ser ainda maior: que mundo estamos buscando para as presentes e futuras gerações? “A Covid-19 tem refeito nosso padrão de vida. A população está pensando mais no futuro e o consumismo foi substituído, mesmo que indiretamente, pelo consumo consciente, criando uma cultura de poupar para nos prepararmos para um futuro incerto. Deixamos de sair com os nossos carros, as ruas estão mais vazias e as emissões de CO2 foram reduzidas. O ar está mais limpo em todos os grandes centros urbanos. Em São Paulo, por exemplo, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) observou uma diminuição de cerca de 50% nos poluentes primários como o monóxido de carbono e os óxidos de nitrogênio, além diminuição em cerca de 30% o material particulado inalável proveniente da frota de veículos”, explica Azzoni.
Para Azzoni, o ponto de equilíbrio que devemos buscar é o ponto de intersecção dos pilares econômico, social e ambiental, denominado como o tripé da sustentabilidade, conhecido como triple button line. “Fica o convite para repensarmos nossa relação com o planeta, como meio ambiente que proporcionou e proporciona nossa existência. Preservar não é sinal de retroceder e, sim, de avançar para um futuro certo, com qualidade de vida a toda a população”, conclui o especialista.

Plataforma Valorização de Resíduos

A Economia Circular se refere ao conceito baseado na redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia, ou seja, é um modelo regenerativo e restaurativo, que tem por escopo extrair o máximo da utilidade e valor de produtos, componentes e materiais.
Com base neste conceito de economia, alinhado ao mercado digital, o Grupo Ambipar lança, neste Dia Mundial do Meio Ambiente, uma nova Plataforma de Valorização de Resíduos. Trata-se do Mercado Livre dos resíduos, ou seja, uma “bolsa de resíduos” visando conectar pessoas e empresas, transformando o seu Resíduo em Receita.
A plataforma, da forma como implementada, garante aos seus usuários, compradores e vendedores, toda a segurança e cumprimento das obrigações legais/acessórias, além de contar com o acompanhamento de profissionais habilitados e experientes. “E o melhor, sem cobrança de taxas de acesso e uso. Com essa iniciativa, o resíduo volta a ser matéria-prima. Além disso, a adoção de medidas como essa contribuem para deixarmos o mundo cada dia mais sustentável, trazendo benefícios hoje e para as gerações futuras”, informa Gabriel Estevam Domingos, diretor corporativo (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação de Projetos Ambientais) do Grupo Ambipar.
Mais informações no site: www.valorizacaoderesiduos.com.br

Sustentabilidade e responsabilidade ambiental no DNA

Com duas fábricas no Estado do Paraná, Roca Brasil Cerámica, celebra, neste dia do meio ambiente, seus bons resultados através da economia de recursos e mínimo impacto ambiental. A empresa monitora com precisão os principais impactos ambientais e sociais causados pelo seu negócio, o que possibilita traçar novos planos e metas sustentáveis, que vão além das práticas já exigidas pelas legislações e regulamentações ambientais vigentes. “Trabalhar com ecoeficiência significa unir responsabilidade ambiental com inteligência de mercado. Nos sentimos honrados de sermos uma empresa sustentável em todas as etapas de produção”, expressa Christie Schulka, marketing manager da Roca Brasil Cerámica.
Buscando o mínimo impacto ambiental, a Roca Brasil Cerámica conta com fábricas em Campo Largo e São Mateus do Sul, ambas no Paraná, em uma localização estratégica – a região conta com abundância de matéria-prima e possui fácil acesso à malha rodoviária. “63% da matéria-prima empregada em nossa produção é obtida no Paraná, incentivando a economia local”, aponta Sérgio Wuaden, managing director da Roca Brasil Cerámica. A empresa ainda faz toda a recuperação de suas sete jazidas, prezando pela conservação da biodiversidade. “Com base em inspeções ambientais e respectivos relatórios, definimos ações de recuperação ambiental em conjunto com os mineradores”, explica Wuaden.
A empresa implementa boas práticas ambientais, como o tratamento e reutilização de 100% da água empregada em seu processo através da implantação de Estações de Tratamento de Efluentes (ETE). Em termos de energia, a Roca Brasil Cerámica utiliza 79% de energia provenientes de fontes limpas. Os fornos e secadores operam 100% com gás natural e, em suas duas unidades, todas as lâmpadas convencionais foram substituídas por lâmpadas LED, entre outras ações. No setor de resíduos, manter o controle criterioso sobre a quantidade, tipo e destino dos resíduos gerados é outra preocupação constante da Roca Brasil Cerámica, que conta com fábricas automatizadas e com tecnologias que diminuem os riscos de quebra e descarte das peças.
“Responsabilidade ambiental está em nosso DNA. Desenvolvemos produtos que garantem qualidade de vida a quem os procura, ao mesmo tempo que respeitam e otimizam o uso de recursos naturais”, finaliza Christie.

Selo de Uso de Energia Renovável

A Semana de Meio Ambiente deste ano é uma boa oportunidade para o Grupo Sabará comemorar o recebimento do Selo de Uso de Energia Renovável para a planta localizada em Santa Bárbara d’Oeste (SP). Este selo certifica que 100% da energia consumida pela unidade está lastreada pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e foi gerada por fontes de energia renováveis provenientes do mercado livre, tais como usinas eólica e solar, de pequenas centrais hidrelétricas e biomassa.
“Trabalhamos com base nos princípios da economia circular, que tem como fundamento o melhor aproveitamento dos recursos naturais, evitando desperdícios e descartes, e o resultado deste modelo sustentável é a nossa nova planta”, comemora Ulisses Sabará, sócio-diretor do Grupo Sabará.
Em 2019, a planta de Santa Bárbara d’Oeste, com operações de três das unidades de negócio do grupo (Concepta Ingredients, Sabará Químicos e Ingredientes e BioE), adquiriu energia de fonte renovável suficiente para suprir 100% de seu consumo e reduziu em 116,51 Ton a emissão de CO₂, um dos gases causadores do aquecimento global.

Construções sustentáveis

O Dia Mundial do Meio Ambiente permite também que alguns setores econômicos mostrem que estão mais adeptos para incorporar práticas sustentáveis ao desenvolvimento progressista da área, como é o caso do mercado imobiliário.
De acordo com o levantamento de 2019 do US Green Building Council (USGBC), criador do sistema LEED (Liderança em Energia e Design Ambiental, em português) de classificação de edifícios sustentáveis, o Brasil ocupa a 4ª posição entre os dez países e regiões fora dos Estados Unidos com maior área certificada LEED. O país possui mais de 1.450 projetos certificados pelo LEED, que são avaliados de acordo com uma séria de requisitos impostos pelo órgão.
A utilização da água da chuva, a implementação de painéis de energia solar e gestão de resíduos estão entre as práticas de sustentabilidade predial, mas o processo começa antes mesmo do edifício ser construído. Uma obra sustentável leva em consideração todo o projeto, desde o planejamento até eventuais manutenções após a entrega. Sendo assim, outras medidas já são previamente determinadas, como a minimização do uso de matérias-primas levando ao reaproveitamento de materiais e à utilização de fontes renováveis e recicláveis, que tenham baixo impacto ambiental até mesmo com relação ao transporte.
Segundo João Vitor Gallo, sócio da Petinelli – empresa de consultoria em sustentabilidade para certificação de edificações LEED e WELL– o futuro das construções sustentáveis é muito promissor e nem um pouco distante da realidade atual. “Estamos numa era onde os recursos naturais estão cada vez mais escassos e a demanda por energia só cresce, contribuindo para o aumento do custo ao usuário final. Nesse cenário, construir melhor, gastando menos recursos, economizando dinheiro do usuário e trazendo um espaço mais saudável é um caminho sem volta. Em alguns estados norte americanos já é lei certificar prédios públicos e no Brasil isso está se tornando um padrão de mercado. Assim como os selos que encontramos em equipamentos eletroeletrônicos, a certificação de edifícios sustentáveis torna-se, cada vez mais, um requisito obrigatório para o comprador”, explica.

Exemplos de edifícios verdes em meio às cidades grandes
Ainda em fase de construção, o Bosco Centrale, empreendimento da GT Building em parceria com Teig Empreendimentos e a Gadens Incorporadora, é um lançamento de alto padrão que está localizado em uma das mais importantes vias do coração de Curitiba. Todos os apartamentos foram planejados para usufruir do bosque vertical instalado em toda a parte exterior do edifício, o que gera mais frescor, aconchego e noção de sustentabilidade. O empreendimento é o primeiro da cidade a possuir esse visual contemporâneo de bosque vertical habitável. Além disso, está em processo de certificação do GBC Condomínio.
O renomado arquiteto paisagista, Benedito Abbud, responsável pelo projeto arquitetônico do Bosco Centrale, diz que o empreendimento é rico em detalhes criativos e inovadores. “Seguindo tendências internacionais, a presença da natureza marca o projeto. Além da preocupação visual e física, também nos atentamos a um termo denominado biofilia, que nada mais é do que uma estratégia para reconectar as pessoas com a natureza e o ecossistema. O termo é um complemento para a arquitetura verde, que diminui o impacto ambiental do mundo construído e utiliza design inteligente para criar espaços mais naturais e preservados nas cidades”, ressalta.
Além disso, o empreendimento irá utilizar a tecnologia de irrigação Bubbler (termo americano que significa borbulhamento – em tradução livre) pois sua adoção é fácil, de baixo custo e funciona por energia gravitacional. Ou seja, não precisa de energia de bombeamento de água porque trabalha numa pressão muito baixa, o que é visto como mais um fato inovador e sustentável.
Já do outro lado do mundo, na Austrália, foi lançado em 2013 o One Central Park para ser a parede viva mais alta já construída. Os responsáveis pelo projeto são o expert em jardins verticais Patrick Blanc e o renomado arquiteto Jean Nouvel. A vegetação cobre os 166m de altura dos dois prédios residenciais em Sidney e as espécies são divididas entre plantas nativas do país e outras exóticas. Outra inovação foi a instalação de um heliostato entre as duas torres, que possui espelhos que se movimentam para que a luz solar seja refletida para o jardim e para outras áreas do prédio, gerando iluminação natural ao longo do dia.

Reciclar no Brasil é ainda um desafio de peso

Este Dia Mundial do Meio Ambiente traz um dado alarmante em relação à reciclagem. O Brasil, dentre muitos problemas ambientais, tem um desafio de peso, cerca de 55 trilhões de quilos. Essa é a quantidade de resíduos sólidos gerada por ano no País. O Brasil, segundo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), é o quarto maior produtor de lixo no mundo. Conforme dados contabilizados entre 2018 e 2019 pelo WWF produzimos 1,15 quilo diariamente por cada habitante. Mas apesar de toda essa quantidade, a porcentagem do que é reaproveitado ou reciclado é extremamente pequena, apenas 1,28% do total.
As indústrias, em sua grande maioria, precisam tirar da natureza parte dos recursos necessários para seus processos fabris. O desafio é devolver ou reaproveitar ao máximo esses recursos e com isso impactar minimamente no meio ambiente. Um desafio que o Grupo Marajoara Alimentos tem conseguido cumprir com dois programas internos desenvolvidos em sua indústria de laticínios na cidade goiana de Hidrolândia, são eles: o tratamento das águas residuais geradas pelas fábricas, que garante um nível de eficiência na purificação superior a 90%; e uma central de reciclagem que arrecada mais de 30 toneladas por mês de papel, papelão e plástico.
Desde 2013 a Marajoara usa, para tratamento de toda água residual de seu parque industrial, um método chamado Flotação – por meio de flotador por ar dissolvido – que garante um nível de eficiência no processo de purificação superior a 90%. “Esse processo que adotamos nos garante um alto grau de pureza da água, com índices bem acima dos 60% previstos na legislação ambiental. Isso nos dá muita tranquilidade ao retornar essa água para o meio ambiente”, frisa o presidente do Grupo Marajoara, André Luiz Rodrigues Junqueira.
As impurezas retiradas da água ainda se transformam numa biomassa que é fornecida gratuitamente para produtores rurais como fertilizante. Ao todo, nesse processo de tratamento da água, são geradas cerca de 300 toneladas de adubo por mês. “Essa água residual da indústria de laticínios tem uma carga orgânica muito alta e um grande desafio é justamente encontrar um método adequado para fazer esse tratamento, em especial quando se usa uma enorme quantidade de água. Felizmente aqui na Marajoara conseguimos fazer esse processo dentro de um alto grau de eficiência e ainda geramos essa biomassa que vira fertilizantes para produtores locais”, explica o gerente de indústria da Marajoara, Antônio Júnior Vilela.
Segundo ele, são cerca de 40 mil litros de água tratados por hora, num sistema que precisa funcionar sem parar, 24 horas por dia. Toda a água que é gerada pelas fábricas da indústria Marajoara, desde aquela que sai do próprio leite, que naturalmente já é composto por mais 87% de água, até a que é usada na lavagem industrial, de máquinas e na limpeza em geral passa pelo sistema.

Central de reciclagem
Só de leite longa vida a Marajoara envasa mais de 12 mil litros por hora. Ao todo, a marca oferece mais de 10 itens em sua linha de produtos, entre leites desnatado, semidesnatado, sem lactose, creme de leite, leite condensado e achocolatado. Por isso, o Grupo Marajoara, há seis anos, montou uma central de reciclagem onde são reunidos e separados todo o tipo de papelão, plástico e embalagens cartonadas gerados dentro da empresa. “São essencialmente embalagens geradas por fornecedores, sobras de nossa produção, resumindo tudo que sobra dos nosso processos fabris”, esclarece Antônio Júnior.
Todo o material reciclado é destinado à Copel, uma empresa em Goiânia especializada em reciclagem desses materiais. “Temos um funcionário dedicado a fazer o trabalho de separação e prensagem desse material reciclável”, explica.

Economia mensal com energia solar

Considerada uma das fontes de energia mais sustentáveis do mundo, por ser renovável e inesgotável, a produção de energia solar no Brasil corresponde a apenas 1,4% da matriz elétrica, de acordo com dados do Ministério de Minas e Energia. No entanto, a previsão é que, em dez anos, sua participação na matriz brasileira seja quatro vezes maior do que a atual, saltando para 8% em 2029.
Além do baixo impacto ao meio ambiente, sem emissões de gases estufa, sem resíduos e sem ruídos, a energia solar também apresenta benefícios na esfera estratégica, com a diminuição da dependência da energia elétrica vinda de hidro e termelétricas – cujos custos de transmissão e distribuição são bastante elevados – e fazem com que a conta de luz, seja nas residências ou em indústrias, tenha grande peso nas despesas mensais.
A Fronius, empresa de origem austríaca que há quase 30 anos fornece uma ampla gama de produtos voltados para a geração, armazenamento, distribuição e consumo de energia solar, vem observando o crescimento no consumo dessa fonte de energia no Brasil. Instalada em nosso país desde 2003, a Fronius do Brasil já contabilizou mais de 50 mil instalações fotovoltaicas registradas em seu portal de monitoramento.
“O retorno do investimento em energia solar está cada vez mais atrativo. Os custos com a geração de energia centralizada continuarão a subir e, com isso, existe a necessidade pela descentralização do sistema”, ressalta Alexandre Borin, gerente comercial da Unidade de Solar Energy da Fronius do Brasil. “Além disso, a competição entre fabricantes e distribuidores no mercado de energia solar tem se intensificado nos últimos dois anos, o que traz benefícios para o instalador e cliente final, já que podem contar com maior oferta de geradores fotovoltaicos a preços mais atrativos’, explica.
A Maza Tintas, indústria química que fabrica tintas e solventes, instalou, no ano passado, o sistema fotovoltaico em suas instalações em Mococa (SP). A partir de um estudo de viabilidade e projeto desenvolvido pela MySol, a empresa instalou 1.560 placas solares no telhado e 16 inversores Fronius, equipamentos responsáveis por transformar a energia solar em elétrica e possibilitar que o excesso de energia produzido possa ser enviado para a concessionária da rede púbica de energia, em forma de crédito.
De acordo com Anderson Maziero, diretor-geral da Maza Tintas, a decisão de adotar a energia solar, além de desenvolver processos sustentáveis, era trazer uma economia para a indústria. No total, foram investidos R$ 2 milhões e, desde então, os módulos fotovoltaicos têm proporcionado uma economia mensal de 37% para a empresa. De janeiro de 2019, quando adotou o sistema, até março deste ano, a Maza Tintas economizou mais de R$ 450 mil na conta de luz. Com essa economia, em breve o investimento feito na aquisição da planta solar será totalmente recuperado.
Para Elvis Almeida, diretor comercial da MySol, além da economia significativa, contribuindo financeiramente para a perenidade da empresa, “o projeto coloca a Maza em um grupo de indústrias que investem em energia fotovoltaica, tornando-se um exemplo a ser seguido na região. É a pioneira nesse projeto e colhe seus frutos no campo da sustentabilidade”.

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