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Encontro debateu segurança alimentar em tempos de mudanças climáticas

por redação
Os Diálogos sobre Mudanças Climáticas e Segurança Alimentar reuniu representantes da representantes da academia, entidades da sociedade civil, poder público e setor empresarial

Os Diálogos sobre Mudanças Climáticas e Segurança Alimentar reuniu representantes da representantes da academia, entidades da sociedade civil, poder público e setor empresarial

Iniciativa inédita do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável(Consea-SP), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, órgão consultivo do Governo do Estado, reuniu especialistas para debater a segurança alimentar, sua interface com as mudanças climáticas e alternativas que possam colocar São Paulo na vanguarda dessa dicotomia.

Os paulistas ainda guardam na memória os efeitos da anomalia climática, fenômeno caracterizado pela escassez de precipitações, baixa umidade relativa do ar e alta incidência de luminosidade, que atingiu os Estados Centro-Sul do Brasil entre o final de 2013 e durante todo o ano de 2014, provocando a mudança radical dos hábitos de consumo de água pela população, além de diversos efeitos negativos sobre a agropecuária paulista. A experiência foi importante para colocar em pauta um tema que, até então, tinha ficado restrito aos gabinetes e fóruns de ambientalistas.

Quando a Agricultura começou a ser apontada como vilã da crise hídrica, a população se viu diante de um importante dilema: sem a produção agropecuária não existe alimento, fibra, combustível renovável e energia. Na verdade, estudos da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO – do inglês Food and Agriculture) indicam que a produção de alimentos terá que dobrar nos próximos 35 anos para alimentar uma população global de 9 bilhões de habitantes em 2050, contra os 7 bilhões atuais. Por outro lado, o aquecimento global tem impactos profundos no planeta, como a extinção de espécies animais e vegetais, alteração na frequência e intensidade de chuvas, elevação do nível do mar e intensificação de fenômenos meteorológicos: tempestades severas, inundações, vendavais, ondas de calor, secas prolongadas.

De acordo com o secretário executivo do Consea-SP, José Valverde Machado Filho, o objetivo do evento foi buscar, dentro do escopo do Conselho, trabalhar seus propósitos, sem perder de vista uma visão sistêmica que conduz à abordagem de temáticas mais globais. “Essa conexão de temas, como na área específica de Segurança Alimentar e Mudanças Climáticas é uma orientação do secretário de Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim, e também do governador Geraldo Alckmin, de ter um olhar de longo alcance para antecipar as demandas da sociedade moderna. Essa questão tem que ser pauta de discussão, internalizada, concebida e dar encaminhamentos para que o Estado de São Paulo esteja na vanguarda do debate de assuntos como esse”, explicou.

Para o produtor rural e engenheiro agrônomo, Marco Antônio Fujihara, a produção agrícola talvez seja a mais frágil de todas. “Se você mudar o clima, a Agricultura muda completamente. A gente tem que ter muito claro que as mudanças climáticas afetam cada cultura: café, arroz, feijão, a produção de carne, tudo. Eu acho que tendo consciência disso, é importante saber quais são as soluções para o problema, que tipo de mecanismos podemos utilizar para mitigar ou até mesmo prevenir esse problema”, afirmou.

Fujihara, que trabalha com o tema desde 1999, ressalta que “ainda estamos tentando combater os efeitos que a mudança do clima provoca; temos que começar a eliminar as causas e, para isso, o setor privado precisa de instrumentos financeiros que o ajude”.

Como membro da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Eduardo Bastos, acredita que o Brasil tem que aprender a produzir e preservar ao mesmo tempo, já que grande parte do aumento da produção de alimentos recai principalmente sobre o País. “Segundo projeções da FAO, 40% da produção global terá que vir do Brasil e nós precisaremos fazer isso acontecer dentro de um contexto de preservação. Ver como é possível combinar essas coisas para garantir a produção de alimentos não só para os brasileiros, mas excedente para exportar, senão não conseguiremos alimentar os 9 bilhões de pessoas no futuro”, destacou.

Como os demais, Luís Fernando de Freitas Penteado, advogado especialista em Mudanças Climáticas pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), observa a existência de um ciclo vicioso no qual o aumento da produção da forma que está hoje é pouco eficiente e causa impacto no aumento das emissões dos gases de efeito estufa, que por sua vez aumentam a temperatura global e prejudicam a agricultura. “É preciso investir em novas tecnologias que permitam aumentar a produção para atender a demanda e, ao mesmo tempo, lidar com a questão do clima que já está colocada. Esse é um grande desafio para as instituições de pesquisa”, afirmou.

Na sequência, João Carlos Pimentel, representando o Dr José Luiz Fontes (Diretor da Assessoria Técnica da Pasta), destacou as ações da Secretaria de Agricultura, gestora do grupo encarregado de elaborar o Plano de Agricultura de Baixo Carbono (ABC) do Estado de São Paulo, especialmente em relação a estruturação que consiste em sete eixos: Recuperação de Pastagens Degradadas, Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) e Sistemas Agroflorestais (SAFs), Sistema Plantio Direto (SPD), Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN), Florestas Plantadas, Tratamento de Dejetos de Animais e gestão de resíduos da agroindustria além de ações de adaptação às mudanças climáticas.

Silene Maria de Freitas, pesquisadora científica do Instituto de Economia Agrícola (IEA), especialista em geração de energia limpa, achou o evento bastante interessante. De acordo com a pesquisadora, o debate ainda não está esgotado. Um possível desdobramento seria a realização de um diagnóstico para a gestão de risco dos produtores rurais e quais culturas estariam mais fragilizadas. “O Consea-SP tem como indicar as comunidades mais debilitadas e o IEA poderia fazer o diagnóstico”, opinou.

Segundo Valverde (primeiro à esquerda), os especialistas presentes deram o primeiro passo para a discussão sobre este tema tão importante para toda a sociedade

Segundo Valverde (primeiro à esquerda), os especialistas presentes deram o primeiro passo para a discussão sobre este tema tão importante para toda a sociedade

O evento foi aberto e contou com a participação de conselheiros e convidados ligados às áreas de preservação ambiental, produção agrícola sustentável e segurança alimentar. De acordo com José Valverde, esse foi apenas o primeiro passo, as colocações serão levadas para discussão no âmbito do Conselho Estadual e suas comissões regionais e possível aprofundamento deverá ocorrer antes de encaminhar um documento com as considerações do grupo para conhecimento do governador Geraldo Alckmin.

O evento Diálogos sobre Mudanças Climáticas e Segurança Alimentar foi realizado no dia 18 de maio e contou com as presenças de membros do Consea-SP, corpo técnico SAA, representantes da academia, entidades da sociedade civil, poder público e setor empresarial.

Fonte: Secretaria da Agricultura-SP

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