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Empresas brasileiras lançam na COP26 carta compromisso indicando aumento de ambição climática progressiva, conforme o Acordo de Paris

por redação

Empresas brasileiras de diversos segmentos lançaram nesta terça, 9 de novembro, na COP26, em Glasgow, Escócia, um documento no qual se comprometem com a adoção de uma agenda climática mais ambiciosa, que seja capaz de manter viva a meta de 1,5ºC, o maior aumento de temperatura possível para o planeta segundo os cientistas, a fim de evitar o ponto de não-retorno do clima. Intitulado “Propostas e Recomendações Empresariais para a NDC Brasileira”, e organizado pelo Instituto Ethos – Empresas e Responsabilidade Social, o documento é assinado pelas empresas Aché, Ambiensys Gestão Ambiental LTDA, Green4T, ICTS, JLL, Natura & CO, Odebrecht (OEC), Servmar Serviço Técnico Ambientais LTDA, SPIC Brasil, e Synergia Consultoria Socioambiental.

O lançamento aconteceu durante o painel “Elevando a ambição climática da NDC brasileira e caminhos para a descarbonização”, que começou às 12h (15h em Glasgow) e contou com diretores de três empresas – Natura &CO (Denise Hills), Marfrig (Paulo Pianez) e Norsk Hydro (Domingos Campos) –, além dos governadores Paulo Câmara, de Pernambuco, Mauro Mendes, do Mato Grosso, e do vice-presidente da Câmara dos Deputados e relator do projeto de lei 528/2021, que visa regular o mercado de crédito de carbono no Brasil, Marcelo Ramos. Completaram a mesa a gerente-executiva do Instituto Ethos, Marina Ferro, e o secretário executivo da Rede Brasil do Pacto Global, Carlo Pereira.

De acordo com o documento assinado pelas empresas, fruto de discussões realizadas ao longo de 2021 dentro do Grupo de Trabalho de Meio Ambiente do Instituto Ethos, essa iniciativa tem o diferencial de indicar a composição de “um ecossistema dinâmico de atuação, onde as empresas proponentes colaboram e ajudam a construir uma rede de garantia dos direitos à qualidade de vida e evitação do ponto de não retorno climático”.

Empregos verdes

Em relação às emissões de gases de efeito estufa, as empresas signatárias se comprometem não só a medir e reduzir suas emissões, a fim de aumentar sua eficiência energética, buscando emissões zero até 2030, mas também divulgar anualmente seus resultados. Além disso, as empresas se prontificam a eliminar produtos oriundos de desmatamento ou exploração ilegal de suas redes de produção e comercialização e desenvolver planos de descarbonização visando “uma transição justa, promoção de empregos verdes e renda à população”.

Além de “apoiar ações de conservação dos biomas” em que atuam, as empresas se comprometem com “estabelecimento e fortalecimento” de uma economia de baixo carbono. Entre as medidas listadas nesse sentido, estão a inserção em sua base de investimentos da “precificação de carbono e auditoria das cadeias de valor para redução de emissões” e promoção de estudos internos sobre mercado de carbono e regulamentação de créditos de carbono, com o objetivo de “dar mais segurança jurídica e tributária às empresas que investem em projetos e/ou compensação”.

Cadeia de valor

O documento assinado pelos empresários também revela uma preocupação com a transparência das cadeias de valor. Entre as medidas assumidas, estão “garantir a rastreabilidade das cadeias produtivas e assegurar a transparência dos impactos da sua atuação para a sociedade”. Para tanto, se comprometem a manter relações mais próximas com as cadeias de fornecedores e estimular a “adoção de compromissos e métricas para diminuição de emissões”, além de adotar políticas que promovam “mitigação e adaptação à mudança do clima em suas operações diretas”.

Em sua carta de “propostas e recomendações”, as empresas revelam também a preocupação com a “sociobiodiversidade”. O termo se traduz em 11 pontos de ação, dentre os quais, a eliminação do desmatamento ilegal nas suas cadeias produtivas, a promoção de modelos de negócio que valorizem a floresta em pé e o investimento em pesquisa e desenvolvimento para uso sustentável dos recursos naturais, fomentando a bioeconomia e soluções baseadas na natureza, “reconhecendo e valorizando o conhecimento de comunidades tradicionais e indígenas – povos originários e tradicionais”.

Em sua parte final, o documento faz uma série de “recomendações ao governo brasileiro”, dividida por temas como “Emissões de Gases de Efeito Estufa”, “Fiscalização e Transparência”, “Comunicação e Educação” e “Resíduos Sólidos”.

Para download do documento, clique aqui:

Propostas e recomendações empresariais para a NDC brasileira

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