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CEBDS realizou primeira edição do Fórum Água 2016

por redação
Evento reuniu especialistas para discutir os desafios na gestão de recursos hídricos por parte das empresas

Evento reuniu especialistas para discutir os desafios na gestão de recursos hídricos por parte das empresas

Na manhã do dia 23 de março, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) realizou a primeira edição do Fórum Água 2016, para debater os principais desafios enfrentados pelo setor empresarial na gestão dos recursos hídricos e oportunidades. Durante o evento, Monica Porto, secretária adjunta de saneamento e recursos hídricos do estado de São Paulo, informou que nos próximos dias pode ser aprovada a primeira norma de reúso de água não potável em São Paulo. A resolução está sendo finalizada em nível técnico e tramitando entre as procuradorias jurídicas e as Secretaria da Saúde e do Meio Ambiente.

Marina Grossi, presidente do CEBDS, realizou a abertura do Fórum Água 2016. Dividido em três painéis, o evento realizado no Hotel Estamplaza, em São Paulo, discutiu infraestrutura verde, reúso e redução de perdas na distribuição, além do papel do setor financeiro na gestão hídrica das empresas.

Na sequência, Benedito Braga, presidente do Conselho Mundial da Água, falou sobre a importância da segurança hídrica. “Ela é fundamental para a segurança em todos as outras áreas: alimentar, energética, de saúde da população e assim sucessivamente. É uma questão que diz respeito à todas as pessoas. Precisamos estar bem articulados entre governo, empresas e sociedade civil”, afirmou Braga.

O primeiro painel “Infraestrutura verde: uma solução de múltiplos atores”, mediado pela jornalista Flávia Oliveira, comentarista da Globonews e colunista do jornal O Globo, contou com a participação de Simone Veltri, gerente de relações socioambientais da Ambev e presidente da Câmara Temática de Água do CEBDS, Antônio Félix Domingues, gerente geral de articulação e comunicação da Agência Nacional de Águas (ANA), e Samuel Barreto, gerente nacional de Água da The Nature Conservancy (TNC).

“Não tenho dúvidas que a abordagem de investir em infraestrutura verde é inovadora. A iniciativa demonstra que a água está sendo usada cada vez mais como recurso financeiro e não só natural, pelas empresas. A água faz parte do nosso negócio, é fundamental, há mais de 20 anos. Exatamente por ter esse peso, essa importância é que conseguimos reduzir mais de 40% do nosso consumo de água nas operações nos últimos 13 anos ”, disse Simone Veltri, em relação ao cenário do Brasil para o desenvolvimento de projetos de infraestrutura verde. Ela ainda completou que, por meio da CEBDS, as concorrentes tornam-se aliadas nesse processo: “Quando o trabalho é água, as empresas querem a mesma coisa. O mundo tem muito a ganhar e a sociedade principalmente”, disse.

Felix, concorda que prover uma oferta de ambiente melhor entre as empresas é uma iniciativa muito importante. Além disso, apontou também que é um grande desafio inserir projetos de infraestrutura verde, de uma forma contundente, na agenda do governo. Segundo ele é preciso chamar a atenção dos políticos para os prejuízos existentes, assim como convidar a sociedade para participar do debate. “É preciso agendar esse trabalho de água, de recuperação, de prevenção, na agenda dos políticos, nós temos que estar em todo lugar”.

Com o tema “Reúso e redução de perdas na distribuição: mais eficiência no setor de saneamento”, o segundo debate contou com a presença de Monica Porto, secretária adjunta de saneamento e recursos hídricos do estado de São Paulo, Lina Adani, gerente de controle de perdas e sistemas da SANASA, e Ruddi de Souza, diretor geral da Veolia Water Technologies.

Lina falou sobre o uso racional da água e o problema de legislação no Brasil. “Capacitação não custa caro, falta uma política traficaria adequada”. Já Monica Porto discutiu a questão do problema de localidade dos esgotos para reúso, além dos desafios vividos atualmente.

“O século XXI nos propõe um desafio enorme e muito diferente do que a gente já viveu até hoje. A questão da água passa a ser um pouco vulnerável e temos uma necessidade gigantesca de segurança hídrica”, afirmou Monica Porto. Ela também informou que, em breve, São Paulo deve aprovar a primeira norma de reúso de água não potável para uso em lavagem de carros, trens, ônibus, produção de concreto e etc. A resolução está finalizada em nível técnico e tramitando entre as procuradorias jurídicas e algumas secretarias.

De acordo com Souza, até pouco tempo a água era um recurso considerado infindável, que estava disponível e que podia ser usado com um custo relativamente barato de processamento, com tarifas vulneráveis. “Agora a população cresceu, o clima está mudando e as condições de água decaindo. Quando isso começa a afetar a disponibilidade de água para o usuário final a preocupação vem. A primeira iniciativa foi a interligação dos reservatórios, a gestão de todo esse complexo sistema de atendimento, pois não podemos continuar vivendo numa restrição eterna de consumo”, declarou.

Segundo Mario Pino, gerente de desenvolvimento sustentável da Braskem, o assunto é uma das preocupações da sociedade, em nível internacional. “Em alinhamento com o ODS 6, que visa garantir disponibilidade e manejo sustentável da água e saneamento para todos, surgiu o Movimento de redução de perdas de água na distribuição, iniciativa da rede brasileira do Pacto Global, liderado pelas empresas Sanasa e Braskem. O movimento visa mobilizar governo, empresas privadas e sociedade no processo de redução de perdas de águas na distribuição, que são em média da ordem de 40% no Brasil”, afirmou.

Para finalizar as apresentações, Gustavo Pimentel, diretor administrativo da SITAWI – Finanças do Bem, Maria Eugênia Taborda, gerente de sustentabilidade do banco Itaú, e Percy B. Soares Neto, coordenador da rede de recursos hídricos da Confederação Nacional da Indústria (CNI), participaram do último painel “Alavancando soluções mais eficientes no uso da água: o papel do setor financeiro”.

O tema água tem sido tratado no CEBDS de forma mais profunda há cerca de dois anos, tanto para poder levar a questão à Conferência do Clima – apresentando a relação entre mudança do clima e água, como também pela questão dos ODSs, visto que a água hoje está na pauta global, graças à crise hídrica de São Paulo.

“Começamos a perceber que as empresas tinham muito o que mostrar, como reúso de água, novas tecnologias, aproveitamento, e tem muito a compartilhar com governo brasileiro e com a sociedade”, concluiu Marina Grossi.

O Fórum Água é promovido pelo CEBDS em parceria com as empresas Ambev, Brasken e Veolia.

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