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Bolsa tenta fazer decolar índice de sustentabilidade

por redação

Bolsa indice de sustentabilidadeA BM&FBovespa anunciou os novos objetivos do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), em uma tentativa de torná-lo mais relevante no mercado financeiro.  Divididas em três esferas (empresas, investidores e sociedade), as metas valerão para os próximos cinco anos.  Elas buscam atrair companhias para a listagem (que é facultativa) e fazer com que empresas financeiras apostem em produtos relacionados ao índice, como fundos, por exemplo.

Outro ponto discutido pelo conselho que elabora as regras do ISE é a transparência.  Entre março e abril, a Bolsa consultará o mercado sobre tornar obrigatória a divulgação das respostas das companhias ao questionário para integrar a listagem.  “Esse caminho (a abertura das respostas) tomou a lógica de regra”, afirma Sonia Favaretto, presidente do Conselho Deliberativo do ISE.

Hoje, apenas 2 das 35 empresas listadas não divulgam respostas: a Cesp e a TIM.  A empresa de telecomunicações diz que não abre as informações por questões estratégicas.  A Cesp não se posicionou.

Coordenadora de responsabilidade social do Insper, Priscila Claro é a favor da divulgação e afirma que, com o tempo, haverá uma “seleção natural” no mercado: “Se a obrigatoriedade afastar companhias que não querem abrir informações, talvez elas não devam fazer parte do ISE.”

Adesão.  Desde 2005, quando foi criado, o índice vinha ganhando cada vez mais participantes até atingir o pico de 40 empresas em 2014 e 2015.  O fato de o número ter caído em 2016 não é visto como um retrocesso pela Bolsa.  “Às vezes, empresas optam por outros investimentos”, explica Sonia, que não comenta casos específicos.

Este ano, Gerdau e Vale foram duas das companhias que deixaram a listagem.  A metalúrgica é investigada na Operação Zelotes, da Polícia Federal, que apura corrupção em um órgão do Ministério da Fazenda.  A mineradora é acionista da Samarco, responsável por uma das maiores tragédias ambientais do País.

Outro motivo para a adesão menor é o cenário econômico.  Ex-presidente da BB DTVM, a maior gestora de recursos brasileira, Carlos Massaru Takahashi afirma que a incerteza tira o foco da sustentabilidade: “O investidor precisa ser mais exigente”, defende o executivo, que faz parte de um grupo de trabalho sobre o tema na Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Investimentos.  Se o índice de sustentabilidade da Bolsa precisa de mais atenção da parte dos grandes investidores, mais ainda da pessoa física.

Analista da corretora Rico, Leandro Martins explica que o interesse pelo assunto esfriou desde a crise de 2008 e, no caso do Brasil, ganhou espaço a renda fixa.  “Há oito anos, a Bolsa está ruim e ainda é um investimento especulativo.” Ele, que lida com esse público há oito meses, afirma: “Nunca recebi uma pergunta sobre governança ou sustentabilidade.”

Por outro lado, empresas do ISE foram mais resistentes às turbulências econômicas.  Entre 2005 e 2015, seu ganho acumulado foi de 100%, ante pouco mais de 25% do Ibovespa, o principal índice de ações do mercado brasileiro.

Confira os Objetivos estratégicos 2016-2020 do ISE:

1. Aumentar a relevância do ISE para os investidores

i. Evidenciar as relações entre sustentabilidade empresarial e desempenho econômico-financeiro

ii. Identificar e motivar o uso do ISE por formadores de tendência do mercado financeiro

iii. Ampliar a utilidade para os agentes do mercado (investidores diretos, gestores de investimento, serviços de informação, agências de rating, analistas e operadores)

2. Fortalecer o papel do ISE para uma cultura de sustentabilidade nas empresas

i. Ressaltar o ISE como fonte de maior competividade na atração de capitais

ii. Facilitar e incentivar o uso do ISE como instrumento de diagnóstico e de transparência

3. Ampliar o reconhecimento do ISE pela sociedade

i. Dar visibilidade à contribuição do ISE aos mais diversos públicos por meio de ações de comunicação e engajamento

Fonte: http://gvces.com.br/

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