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A hora e a vez dos investimentos sustentáveis

por redação

Finalmente os grandes players financeiros estão entendendo a lógica do investimento de impacto e das oportunidades relacionadas aos investimentos em ativos ASGs (sigla que vem do inglês ESG, onde o E de environment significa meio ambiente, S representa o social e o G boas de práticas de governança corporativa).

Já havia contado aqui na coluna que empresas estão adotando comportamentos mais sustentáveis e socialmente responsáveis, em parte por conta dos hábitos de consumo das novas gerações, que almejam trabalhar, investir e comprar de empresas sustentáveis, e em parte por pressão de investidores que almejam gerar impacto positivo além de retorno financeiro. Nos EUA, as grandes fundações e seus fundos filantrópicos detém ativos que ultrapassam 1 trilhão de dólares de patrimônio e precisam ser investidos em produtos financeiros compatíveis com suas missões de inclusão social e proteção do meio ambiente. Na Europa acontece algo similar, mas em escala muito maior, com os fundos de pensão dos governos. Esses fundos, que ultrapassam 70 trilhões de euros em ativos, também precisam ser investidos em produtos financeiros sustentáveis.

Uma das pessoas que mais entende do assunto dos ativos sustentáveis no Brasil, Sonia Favaretto, prefere chamar as ESGs de EESGs (acrescentando o primeiro E, que seria o fator Econômico). Sonia tem uma carreira robusta na área de sustentabilidade: foi head de Sustentabilidade do Itaú, dirigiu o setor de investimento social na B3 e também foi presidente do conselho do Índice de Sustentabilidade Empresarial. Hoje preside o conselho da Global Reporting Initiative (GRI) no Brasil, organização que fomenta a transparência empresarial e uniformiza os padrões para relatórios de sustentabilidade. De acordo com Sonia, as questões sociais e ambientais precisam estar integradas com o modelo econômico, e essa integração é uma questão de posicionamento estratégico: “se a liderança executiva da empresa não enxergar os fatores econômicos, sociais e ambientais de forma conectada, estará colocando em risco o próprio futuro da empresa. Quando se pensa em produto ou serviço, é necessário pensar nas questões sociais e ambientais desde o início, e não como um acessório depois.”

Além dos aspectos sociais e econômicos, a boa governança empresarial e a transparência nunca foram tão importantes. A pandemia exacerbou o quanto a sociedade quer informação e agenda da GRI serve como insumos para tomadas de decisão. “O mundo está em modo “on”, não existe mais “off” e as empresas se comunicam mesmo quando não comunicam. Transparência é o nome do jogo: além de ser uma ferramenta de gestão e de prestação de contas, ela traz insumos para tomada de decisões seguras, completas, responsáveis e consequentes”, completa Sonia.

Mas ao passo que o setor de ativos que atendem aos critérios da sigla ESG representam o “novo normal” dos investimentos no hemisfério norte, até pouco tempo não haviam ofertas no mercado brasileiro nesse sentido. Felizmente isso vem mudando. Na semana passada a XP anunciou o lançamento de produtos ESG, trazendo a oferta de investimentos sustentáveis para o varejo, com produtos financeiros sustentáveis negociados a partir de 500 reais, além de opções de fundos para grandes investidores, em parcerias com gestoras que já operam na lógica ESG – como a Fama, Constellation e JGP. De olho na demanda de investidores institucionais estrangeiros por produtos mais sustentáveis, o Banco BTG também estruturou no começo deste ano uma área de investimentos de impacto, fomentando a criação de produtos e serviços que unam retorno financeiro com impacto socioambiental positivo.

As métricas ESGs servem também para gestão de risco associadas aos investimentos. Métricas ambientais ajudam o investidor a entender o relacionamento da empresa com o planeta e a sua dependência de recursos naturais; métricas sociais ajudam os investidores a entenderem as relações da empresa com seus colaboradores, com as comunidades onde operam e com o público. Companhias com boa governança são mais confiáveis e menos propensas a ceder para corrupção ou situações de conflito de interesse. É natural, portanto, que investidores estejam cada vez mais interessados em ativos financeiros responsáveis. Para os gestores, esse interesse representa também novas oportunidades de negócios.

 

Fonte: ECOA
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