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Monitoramento ambiental foi tema de workshop internacional

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Fiesp sediou Workshop Internacional sobre gestão de dados de monitoramento ambiental
Foto: Ayrton Vignola

“Hoje não se faz mais negócio sem questão ambiental controlada em função de pressão do mercado e dos marcos legais. O tema passou a integrar a empresa”, afirmou João Carlos Redondo, diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp, ao tratar da visão do setor industrial quanto ao monitoramento ambiental. A avaliação foi feita, na Federação, no dia 27 de abril de 2017, em workshop internacional sobre a gestão de dados de monitoramento para melhor controle ambiental em empreendimentos. Ele frisou a mudança ocorrida, em termos de cultura, desde as primeiras discussões ambientais, até marcos como a ECO 92, a Rio+20 e o recente Acordo de Paris, resultado da COP20, na França.

Em sua avaliação, o monitoramento conflita com resultados a curto prazo. Um programa de monitoramento deve ter como foco a eficiência e a redução do risco. Outro desafio, segundo o expositor, é olhar a cadeia de valor, os fornecedores e parceiros, que podem ter impacto na marca/reputação: “o que não se mede não se gerencia”, avaliou. “A falta de controle ambiental pode fechar um negócio, e os dados afetam diretamente a tomada de decisão nos negócios. As empresas falam com o mercado”, segundo Redondo. Ele lembrou que a Fiesp fez um levantamento e há mais de 850 normas ambientais, o que é insano para o empresário acompanhar.

Redondo citou o Monitore da Fiesp, sistema de gerenciamento de obrigações ambientais, acessível em http://www.fiesp.com.br/indices-pesquisas-e-publicacoes/obrigacoes-ambientais/.

Entre os problemas enfrentados pela Cetesb está o fato de os dados entrarem basicamente pelo licenciamento ambiental a fim de cumprir as etapas de licença prévia, autorização de instalação e autorização de operação. Para Ana Cristina Pasini da Costa, diretora de Avaliação de Impacto Ambiental, é possível fazer a análise de dados qualitativos e quantitativos, que dizem respeito a geomorfologia, água, ar, recursos hídricos, fauna, flora e atividades socioeconômicas para a realização de um diagnóstico ambiental. O desafio é a quantidade de dados brutos versus a diversidade no formato de apresentação de dados, pouca uniformidade quanto a unidades de escala e temporalidade e, ainda, a ausência de um banco de dados de monitoramento digitalizado. Mas hoje com a entrada de dados apenas online (projeto papel zero) está sendo realizada a uniformização e a gestão documental, com dados acessíveis pelo geoportal e sala de cenários, inclusive.

O representante do Ibama/SP, engenheiro Fábio Callia, tratou dos problemas enfrentados e as necessidades do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente. O principal problema é o fato de os dados não estarem integrados e não existir inteligência na mineração de dados, o que leva à falta ou à duplicidade de informações, segundo ele. “Às vezes, as ações fiscalizatórias chegam ao local do desmatamento quando este já foi executado”, afirmou. Há incertezas regulatórias originadas pela ausência de normatização e falta capacitação para analistas. Não há monitoramento pós-licença ambiental e se dá prioridade à renovação daqueles que já têm licenciamento em detrimento dos que realizam o pedido pela primeira vez, pontuou o expositor.

Brasil e Noruega: aprendizagem internacional

Brasil e Noruega mantém relações próximas desde o século 19, frisou o cônsul para assuntos comerciais desse país, Stein-Gunnar Bondevik, que também responde pela Innovation Norway. As empresas norueguesas empregam mais de 18 mil pessoas no Brasil e têm grande expertise em petróleo e gás, especialmente, mas também podem compartilhar conhecimento marítimo, na aquicultura, em energia e bioeconomia.

A Noruega conta com ferramenta funcional, o PRTR – registro de emissões e transferência de poluentes. O portal agrega dados totais de emissões e também setorizados: indústria, agricultura, comércio, transporte etc. E estão relacionados os 19 principais poluentes do ar, além de conter dados específicos por instalação, como água residual de grandes empresas, por exemplo. E, ainda, informações relativas ao salmão e bacalhau, fortes produtos nacionais. Nesse portal é possível obter relatórios eletrônicos gerais ou específicos, e o uso do papel foi totalmente abolido. É possível aplicar diversos tipos de filtros de pesquisa a fim de garimpar resultados personalizados. O sistema também permite realizar o upload e download de tabelas. Com capacidade ilimitada, todas as atividades devem reportar seus dados, que são auditados por autoridades.

Dessa maneira, é possível monitorar a disponibilidade da água no solo, tendências, situação de aterros, da água potável e do tratamento de esgoto de todo o país, permitindo a verificação rápida de problemas. Tal nível de informatização do banco de dados traduz a lição que vem da Noruega: “como temos poucas pessoas, precisamos da automatização para não perder a competitividade”, concluiu Bondevik em sua exposição. O cônsul explicou que há um debate público sobre a água e é preciso compreender sua disponibilidade e qualidade, bem como o modo como o oceano vem sendo afetado, enfim, o status do meio ambiente.

Para saber mais: www.environment.no e http://vann-nett.no/portal/map

O presidente da empresa norueguesa Envitech As, Arne Hansen, disse que o PRTR foi construído a partir da uniformização de dados – cada um quer apresentá-los de uma forma – e é isto o que a empresa oferece como serviço: tratar as informações ofertadas para o devido input no sistema. “Há grande preocupação com aterros, tratamento de esgoto e seus efluentes gerais e industriais, redes de água potável, bacias de drenagem e estações de medição. É possível importar dados de laboratórios, por exemplo, e de seus diários de operação e estações de monitoramento. A entrada e a visualização de dados facilitadas podem se dar no tablete, celular etc.”, afirmou. Isso permite que uma pessoa que está dirigindo um caminhão, por exemplo, acesse dados em tempo real sobre emissões, ilustrou.

Apresentação de cases

O evento contou, em seu encerramento, com o depoimento do consultor Cyro Bernardes Junior (Ambconsult), que frisou que o foco do monitoramento é perceber se, de fato o empreendimento está causando ou não impacto ambiental. E exemplificou com a obrigatoriedade de um relatório semestral de uma empresa que pode ter mais do que 700 páginas, custar caro, conter excessivos parâmetros, mas os dados que são relevantes estão condensados em umas 40 páginas apenas. Esses relatórios com coleta de dados não permitem análise mais aprofundada se melhorou ou piorou a questão ambiental de dada empresa, se indica alguma tendência; trata-se de um dado no tempo. Portanto, o expositor criticou a execução desses relatórios que  servem mais ao cumprimento de uma exigência legal do que à avaliação das condições ambientais.

Bernardes Junior relatou que no caso da Barragem do Fundão, em Mariana (MG), rompida em novembro de 2015, os relatórios continham dados inconsistentes, duplicados, coletas feitas manualmente. A maneira como foram apresentados dificultou sua interpretação. “A consequência de um monitoramento inadequado pode ser grave. A não-conformidade é não entregar o relatório e não propriamente as condições ambientais”, concluiu.

No encerramento, Walter Lazzarini, diretor da Walter Lazzarini Consultoria Ambiental, avaliou que, quando se fala em monitoramento e coleta de dados, levantam-se dificuldades. Ele trouxe uma série de cases nos quais atuou, ilustrando o descompasso entre a realidade, a falta de conhecimento e as exigências inadequadas de órgãos estaduais.

Por Solange Sólon Borges

Agência Indusnet Fiesp

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