Flavio Oliveira
E-mail: flavio.oliveira@pmanalysis.com.br
Site: www.pmanalysis.com.br
Os termos “conservação” e “preservação” são frequentemente confundidos como sendo variações do mesmo conceito. Embora todos nós acreditemos que a semântica seja menos importante do que o conceito em si é importante esclarecer tais conceitos ou, no mínimo, fazer com que as interpretações sejam convencionadas, de forma a manter o mínimo de comunicabilidade e clareza das informações que circulam dentro da empresa e entre diferentes organizações.
Os chamados conservacionistas são aqueles que acreditam que o progresso, além de implacavelmente certo, é benéfico aos interesses humanos, desde que não seja conseguido a preços altos demais, especialmente aqueles pagos pela natureza. O princípio conservacionista não se opõe à utilização de recursos naturais no decorrer do processo evolutivo da humanidade, mas sim ao seu uso indiscriminado com propósitos pouco nobres ou evitáveis. Assim, é possível entender o conservacionismo se tivermos como principais beneficiários da conservação do meio ambiente as gerações que virão depois de nós. Trata-se de conservar hoje para que não falte amanhã. Algo muito simples e intuitivo, mas que normalmente negligenciamos por termos uma forte tendência de tomarmos nossas atitudes baseados nos efeitos de curto (frequentemente curtíssimo) prazo.
Como forma de evitar a tentação do imediatismo, algumas correntes de pensamento adotam a simples regra de manter a natureza como está hoje, ou como era há alguns anos. Nesta categoria de pensadores e ativistas enquadramos os preservacionistas, pessoas cujos esforços residem na tentativa de preservar os recursos naturais da mesma forma em que estariam se não houvesse homens sobre o planeta. Entre os preservacionistas encontra-se a maioria dos ativistas ambientais e Organismos Não governamentais de Preservação.
Afora nossas opiniões pessoais, que tendem mais para um lado que para outro, é impossível não associar as organizações empresariais contemporâneas como, na melhor das hipóteses, conservacionistas. Certamente encontraremos empresas mais ou menos preocupadas com o impacto causado por suas atividades ao meio ambiente, contudo, grosso modo todas elas necessitam de certa forma dos recursos que a natureza oferta para sua própria sobrevivência. Entendido isso, fica claro que todos os esforços que estas organizações despenderem na tentativa de mitigar seu impacto intrínseco serão entendidos como atitudes conservacionistas que, embora imbuídas de interesse econômico, também trarão consigo a preocupação com as consequências futuras das suas atividades atuais.
A Ecoeficiência é uma das abordagens mais modernas para a canalização destes esforços, pois organiza o pensamento dos gestores dos processos virtualmente poluidores ou consumistas, potencializando a sua capacidade investigativa e criativa para a obtenção de soluções alternativas para as práticas atualmente adotadas, tendo como premissa a redução dos impactos ambientais e a diminuição dos gastos gerados por eles. Entender a forma como interagimos com o meio ambiente é fator primordial para a nossa existência e progresso sustentáveis, e há diversas metodologias para a identificação e a avaliação desta interação. A mais comum e eficiente é a Avaliação de Aspectos e Impactos Ambientais, que a partir do estudo das atividades, produtos e processos de uma empresa, determina as prioridades, permite a identificação de ações de mitigação ou eliminação dos aspectos ambientais, e permite a gestão preventiva de eventuais impactos.