Os supermercadistas associados à Apas - Associação Paulista dos Supermercados, estão mobilizados com a campanha "Vamos Tirar o Planeta do Sufoco" e investem em ações para chamar a atenção de seus consumidores habituais para o dia 25 de janeiro, data em que deixarão de ser entregues as sacolas descartáveis. "Quase 100% dos 1.200 associados já confirmaram a adesão à campanha. Além disso, a campanha foi lançada oficialmente em 120 municípios em todo o Estado, com o apoio formal do poder público", afirma João Sanzovo, diretor de Sustentabilidade da Apas.
Desde o início de janeiro, os supermercadistas começaram a expor nas suas lojas banners e cartazes informando os objetivos da campanha. "Somos contra a cultura do descarte. Queremos promover a conscientização da população sobre a importância do uso de sacolas reutilizáveis", acrescenta Sanzovo.
O dia 25 de janeiro - que marca o aniversário da cidade de São Paulo - foi estabelecido por meio de um Termo de Cooperação assinado com o Governo do Estado de São Paulo em maio de 2011. Desde então, representantes da Apas tem percorrido o Estado para angariar o apoio de prefeitos e autoridades locais. No dia 15 de dezembro, a Apas recebeu o apoio formal da prefeitura de São Paulo e, no mesmo dia, foi confirmada a adesão das três grandes redes - Grupo Pão de Açúcar, Carrefour e Walmart -, contribuindo para que mais de 1,7 bilhão de sacolas descartáveis deixem de ser distribuídas em suas 600 lojas no Estado de São Paulo. A rede Sonda de supermercados, com 24 lojas na grande São Paulo, também aderiu ao termo. No total, os supermercadistas associados à Apas somam 2.600 lojas em todo o Estado. Como alternativa aos clientes, os supermercados irão oferecer, a preço de custo, sacolas biodegradáveis compostáveis e sacolas reutilizáveis, além de incentivar outras formas de transporte. Os supermercados respondem pelo abastecimento de 85% da população brasileira e constituem um palco privilegiado para fomentar o debate em torno do consumo consciente e da preservação ambiental.
Oposição
Segundo Miguel Bahiense, presidente da Plastivida - Instituto Sócio Ambiental dos Plásticos e do INP - Instituto Nacional do Plástico, a adesão ao Termo de Cooperação é voluntária e as redes não são obrigadas a seguir. "Banir a utilização das sacolas é um equívoco completo, pois proibir nunca foi solução para nada", explica. "O que entendemos é que devemos propor soluções no sentido de reduzir o problema que está no desperdício de sacolas."
O que deve ser feito, segundo ele, é a conscientização para o consumo sustentável de sacolas plásticas. "Temos como objetivo orientar a indústria a fabricar sacolas dentro das normas e os supermercados a comprar sacolas plásticas que estiverem dentro da norma, que suportem até 6 kg", observa.
Com a PNRS - Política Nacional de Resíduos Sólidos será implementada, efetivamente, a logística reversa para todos os agentes envolvidos no processo de produção. Segundo ele, a Plastivida adere à ideia e, inclusive, entrou como signatária do projeto que está sendo apresentado ao Ministério do Meio Ambiente, participando do grupo de embalagem. "É um erro dizer que as sacolas são descartáveis. Elas são reutilizáveis", finaliza.