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Sustentabilidade: estudo divulga dados de relatório anual das empresas brasileiras

por redação
Sustentabilidade: estudo sobre divulgação de relatório anual das empresas brasileiras - RMAI

48% das empresas brasileiras de capital aberto divulgam relatório anual de sustentabilidade ou integrado, revela estudo feito pela Grant Thornton

A Grant Thornton Brasil, companhia global de auditoria, consultoria e tributos, acaba de finalizar um estudo que visa a demonstrar o atual cenário das empresas de capital aberto no Brasil em relação à adoção das práticas de reporte relacionadas ao tema ESG.

 

Nas 328 empresas pesquisadas, foram identificados diversos segmentos de atuação, cujos principais são:

 

Transporte e Logística                                                 14%

Energia                                                                           13%

Construção Civil                                                            10%

Comércio (Atacado e Varejo)                                     9%

Bancário e Serviços Financeiros                                   7%

Tecnologia e Comunicações                                       6%

Saneamento                                                                     5%

Indústria Química                                                            4%

Têxtil, Vestuário e Calçado                                          4%

Outros                                                                              27%

 

Apesar de 48% das empresas divulgarem o relatório anual de sustentabilidade ou integrado – principalmente dos setores de energia e transporte, com os maiores índices, 19% e 17%, respectivamente, seguidos pelo de saneamento (10%) –, apenas 8% desses relatórios são auditados ou revisados por entidade independente. Outro dado importante é que 49% das empresas incluem a indicação ou link referente ao local onde o relatório com as informações ESG pode ser encontrado.

 

Com relação à elaboração dos relatórios, 48% das empresas divulgam as metodologias ou padrões seguidos, utilizando principalmente o Global Reporting Initiative (GRI) – 46%; International Integrated Reporting Council (IIRC) – 22%, e o Sustainability Accounting Standards Board (SASB) – 21%.

 

Energia e saneamento

 

Os temas materiais são divulgados por 31% das empresas pesquisadas em seus relatórios ESG, no entanto, somente 8% informam as metas relacionadas a esses temas, com destaque para os setores de energia (27%), transporte (19%) e saneamento (15%).

 

% de metas informadas por tema

Equidade de gênero                                                    22%

Gestão de resíduos                                                     19%

Poluição Atmosférica – Emissão de gases            19%

Uso eficiente da água                                                  16%

Gestão de fornecedores                                             5%

Uso de fontes de energia renováveis                    5%

Equidade social                                                               5%

Uso eficiente de energia                                            3%

Gestão de riscos                                                             3%

Saúde e segurança do trabalho                                   3%

 

O estudo aponta, ainda, que 12% das empresas divulgam os temas materiais em outros relatórios, como o Relatório de Administração, Demonstrações Financeiras e Informes Trimestrais, mas menos de 1% das empresas, do setor de saneamento, divulga as metas relacionadas aos temas materiais nesses relatórios.

 

% de metas informadas por tema

Qualidade da água                                                       33%

Equidade social                                                             33%

Adoção de políticas                                                      33%

 

Quanto à adesão aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), 35% das empresas contribuem com dois ou mais objetivos. Nessa questão, se destacam os setores de energia (21%), de transporte e logística (18%), saneamento (10%) e bancário e serviços financeiros (9%).

 

Entre os ODS com maior nível de aderência pelas empresas, o item “trabalho decente e crescimento econômico” ocupa o topo da lista, com 30%, seguido pela “ação contra mudança global do clima” (26%) e “indústria, inovação e infraestrutura”, com 25%. Muito próximos às três primeiras posições estão os itens “saúde e bem-estar”, “consumo e produção responsáveis”, “paz, justiça e instituições eficazes” e “igualdade de gênero”, todos com 24%. Nas três últimas posições, se encontram “erradicação da pobreza” (12%), “vida na água” (9%) e “fome zero e agricultura sustentável” (7%).

 

ESG

 

Dos três aspectos englobados pela sigla ESG (ambiental, social e de governança, do inglês), governança é o pilar que recebe mais atenção em divulgação por parte das empresas brasileiras de capital aberto:

 

. 85% divulgam sua política de Gerenciamento de Riscos;

. 84% divulgam o Código de Conduta e Ética;

. 83% divulgam a existência do Canal de Denúncia (interno ou de terceiros);

. 81% divulgam a existência de uma área de Gerenciamento de Riscos e de Compliance;

. 79% divulgam informações sobre Anticorrupção, Programa de Integridade e práticas para sanar desvios e/ou fraudes.

 

Além disso, mais de 60% das empresas contemplam entre os fatores de riscos questões sociais, ambientais, climáticas e relacionadas a fornecedores, e 74% divulgam política ou prática de remuneração do conselho de administração e/ou demais executivos.

 

Nas questões ambientais, 30% das empresas avaliadas divulgam seus inventários de emissão de gases de efeito estufa, principalmente as dos setores de energia (22%) e de transporte e logística (19%).

 

No que se refere a questões sociais, 63% das empresas tem práticas de Promoção da Diversidade, Equidade e Inclusão, mas os dados ainda são tímidos: 38% divulgam o número de colaboradores por gênero; 11% divulgam número de colaboradores por cor/ raça/ etnia; 26% divulgam número de terceirizados ou funcionários temporários; e 35% divulgam o índice de rotatividade / turnover de colaboradores.

 

Para Adriana Moura, sócia líder de Governança, Riscos e Compliance (GRC) da Grant Thornton Brasil, responsável pelo estudo, é importante entender como as empresas de capital aberto percebem essa crescente demanda global pelo tema ESG para auxiliá-las a fortalecer abordagens de comunicação, aprimorar processos e indicadores materialmente sensíveis de forma a responder às expectativas de todas as partes interessadas.

 

“As empresas ainda não estão devidamente estruturadas para alavancar todas as questões que ESG abrange ou mesmo divulgar os dados de sustentabilidade com especificidades para obter maior credibilidade junto aos investidores. Observamos que a divulgação da materialidade e metas, por exemplo, ainda é limitada”, avalia.

 

“De forma geral, acreditamos que a qualidade e quantidade de reportes nos temas ESG tendem a melhorar, especialmente por conta do interesse crescente de investidores e da atuação dos órgãos reguladores. Por isso, para contribuir com o avanço da agenda Sustentabilidade nas empresas, além desse estudo, estamos lançando o Programa ESG on Board, que objetiva compartilhar dados e discutir temas relevantes com conselheiros de administração e membros de comitês tanto em eventos presenciais quanto por meio de divulgações eletrônicas e no site da Grant Thornton”, revela Adriana.

 

Daniele Barreto e Silva, líder de Sustentabilidade da Grant Thornton Brasil, ressalta também que o principal motivador da sustentabilidade na agenda de decisão executiva, na grande maioria das organizações, ainda é a pressão pelo compliance e por questões ligadas aos riscos de reputação e à valorização da marca. “É preciso avançar e ir além dessa agenda reativa. As empresas brasileiras ampliaram seu olhar para os aspectos ESG, mas ainda há lacunas importantes. Os aspectos ambientais e sociais ainda não alcançaram o devido lugar nos reportes. Com as diversas movimentações relacionadas aos aspectos ESG, a sociedade e os investidores estão cada vez mais aptos e atentos a identificar as empresas que estão realmente comprometidas e possuem práticas concretas de sustentabilidade”, conclui.

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