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Seguro Popular favorece a reciclagem automotiva no Brasil

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Nova modalidade favorece o aumento da utilização de peças usadas e/ou recondicionadas nos veículos

No dia 1º de abril de 2016, de acordo com divulgação no Diário Oficial, foram anunciadas as regras para o seguro popular de automóveis para veículos com mais de cinco anos. A cobertura principal do seguro popular será a indenização em caso de colisões com dano parcial, isto é, que não causam a perda total. Entre as características da cobertura qualquer modelo e ano poderá ser segurado pela modalidade. Além disso, o segurado terá a liberdade de realizar consertos em oficinas de sua escolha. No entanto, será obrigatório informar que o reparo será realizado com peças recicladas. As seguradoras também poderão complementar os produtos com coberturas e assistências opcionais. No entanto, os objetivos do Seguro Popular vão além, pois, segundo Luiz Nassif, presidente do conselho do Inra – Instituto Nacional de Reciclagem Automotiva, esta modalidade ganha fundamental importância no cenário automotivo nacional por promover a regularização de roubo de veículos no mercado.

Com isso, as seguradoras vão ter a oportunidade de oferecer seguros para mais pessoas. Segundo Nassif, uma das premissas da Lei do Seguro Popular é que as seguradoras deixem de ser obrigadas a utilizar peças novas e originais de fábrica no conserto dos veículos segurados e, com isso, aumente a utilização de peças usadas ou recondicionadas.

Nassif explica que uma coisa é o seguro sem ser o popular – 29% da frota circulante do mercado, e neste caso só podem ser usadas as peças da montadora (genuínas). “Com o seguro popular, carros com mais de cinco poderão utilizar peças originais de recicladoras, através dos CDVs – Centro de Desmontagem Veicular, e, com isso, estamos legalizando mais o nosso mercado com a reciclagem automotiva”, pontua Nassif.

Nassif conta que atualmente apenas a Azul Seguros (do grupo Porto Seguro) e a Tokio Marine estão oferecendo este tipo de seguro, mas o processo ainda está devagar. “Em outras nações, como EUA e alguns países da Europa, existe um tempo de maturação do mercado. Acredito que em 2018 este processo comece a andar no Brasil. Hoje, apenas o estado de São Paulo está operando nesses moldes e temos Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio Janeiro iniciando o processo”, informa. Para ele, graças a proposta da Lei do Desmonte, publicada em 2014, foi possível criar o Seguro Popular.

O executivo observa que o Seguro Popular além de incentivar o aproveitamento de peças reflete também na geração de trabalho e renda representando diversos benefícios socioambientais para a nossa sociedade. “O potencial do mercado é imenso, uma vez que a frota circulante no Brasil, com automóveis com 15 anos em média de vida perfazem um volume de mais de 38 milhões de veículos, sendo que a frota segurada é de 29% desse volume o que representa um potencial de cerca de 71% do mercado ainda a ser explorado. “As estimativas dos estudos que foram feitos no mercado, das quais participei, apontam que a frota do seguro popular pode chegar há mais 20%, conseguindo, com isso, quase dobrar a frota circulante no país. Esses dados já dão uma ideia de que o Seguro Popular pode avançar no Brasil, pois tem forte demanda a ser atendida a partir de 2018”, ressalta.

Luiz Nassif informa que o potencial para utilização do Seguro Popular no Brasil é muito significativo

De acordo com Nassif, o objetivo do INRA é atuar proativamente para incentivar esta modalidade de seguro. “O INRA irá ser determinante neste processo de maturação e consolidação do mercado do seguro popular. Teremos um papel fundamental na estruturação, profissionalização e certificação do ciclo completo da desmontagem e reciclagem automotiva, desde a concepção das suas instalações, passando por crivos ambientais e técnicos até a certificação e garantia das peças que serão comercializadas pelos CDV’s. Acreditamos que o controle apenas do Estado não será suficiente para respaldar o mercado Segurador”, conclui.

Por Sofia Jucon – Redação RMAI

 

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