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Saneamento Básico é tema da Campanha da Fraternidade 2016

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Campanha da FraternidadeA Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016 foi lançada oficialmente nesta quarta-feira, dia 10 de fevereiro, pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Com o tema “Casa Comum, nossa responsabilidade”, a ação tem como foco a questão do direito ao saneamento básico para todos, uma realidade ainda distante no Brasil, onde quase 100 milhões de pessoas estão excluídas, por exemplo, do serviço de coleta de esgotos.

Neste ano, a campanha é realizada pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), com a participação de representantes de diferentes religiões, e terá dimensão internacional, com a parceria de uma entidade da Igreja Católica na Alemanha que trabalha na cooperação para o desenvolvimento de países na Ásia, África e América Latina.
De acordo com o presidente do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, a situação do saneamento no País é preocupante e provoca impactos que vão além da saúde pública e da preservação ambiental.
“A situação do Saneamento Básico no Brasil é muito ruim. Nós não conseguimos atender metade da população brasileira com coleta de esgotos e menos de 40% dos esgotos do País recebem algum tipo de tratamento. Essa é uma consequência muito danosa, principalmente para o meio ambiente. Verificamos que os rios urbanos estão em uma condição dramática de poluição ao ponto de não podermos utilizar suas águas, mesmo num momento de falta de chuvas e crise hídrica. Esse impacto é mais evidente no meio ambiente e na saúde pública, mas vai muito além, impacta o turismo, a produtividade do trabalho (porque as pessoas têm que faltar ao trabalho por doenças transmitidas por água poluída), traz diarreia, hepatite A, verminoses, problemas de pele, leptospirose… Estamos muito defasados em comparação com outros países da América do Sul, como Chile e Argentina, e muito atrás de países desenvolvidos, que já resolveram este problema há décadas”. 

Ter o saneamento básico como foco da Campanha da Fraternidade também representa uma esperança de que as discussões sobre o tema ganhem maior amplitude no País:
“É uma forma de levarmos essa discussão para os lugares mais distantes do País. Ainda temos muita dificuldade de mobilizar o brasileiro para este tema, uma vez que passamos décadas sem investimentos e muita gente esqueceu que isso é um direito humano, e que sua casa deve receber uma água boa para beber, e que seus esgotos devem ser afastados e tratados para serem devolvidos à natureza. Então o Brasil tratou esse tema de forma muito superficial e ficava restrito às discussões dentro dos governos ou dentro do próprio setor de saneamento. Então foi muito bom saber que a Campanha da Fraternidade desse ano tratará do tema, uma vez que temos a certeza que esse debate se espalhará por todo o País”. 

Édison Carlos também lembrou da importância de governantes preocupados com o tema e da participação popular na causa:
“É mais correto interpretar o investimento em saneamento realmente como um investimento, porque você vai colher os frutos desses recursos em médio e longo prazo, e não encarar as obras de saneamento básico como um custo, um problema, como muitas autoridades ainda insistem em ver essa infraestrutura. Ter que quebrar rua para passar tubulação. Esta é uma visão muito estreita e muito antiga. Na verdade, o bom governante olha o saneamento básico como uma oportunidade de melhorar a qualidade de vida do seu eleitor e do cidadão, melhorando a cidade para sempre. Então buscamos esse tipo de governante, que olha a cidade 30 anos a frente e não apenas o tempo de seu mandato. Esse ano de eleições é fundamental que as pessoas conversem sobre isso, discutam com seus vizinhos e cobre soluções de seus candidatos a vereador e a prefeito, porque somente mostrando a essas autoridades que nós queremos que isso seja feito é que podemos acreditar que teremos no futuro um país com mais saneamento básico e, portanto, melhor qualidade de vida”.
Durante a Campanha da Fraternidade 2016, serão distribuídos nas igrejas folhetos informativos sobre o saneamento básico. Além disso, as entidades orientam as igrejas a mobilizarem as comunidades para que se informem sobre a situação do saneamento em sua região, para que dessa maneira possam cobrar melhorias do poder público.


Fonte: http://webradioagua.org/

 

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