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Racionalizar uso de água na indústria foi tema de debate

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O Water Business Day foi promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI)

A discussão sobre políticas que podem ser adotadas por indústrias para racionalizar o uso da água tomou conta do evento Water Business Day, realizado na Confederação Nacional da Indústria (CNI), domingo último (18/3). Representantes do setor industrial, além do Ministério do Meio Ambiente e da Agência Nacional de Águas (ANA), compartilharam iniciativas de sucesso, ressaltaram que muitas delas são pontuais e concordaram que ainda há muito a ser feito para melhorar a gestão dos recursos hídricos.

Para o diretor da ANA, Oscar de Moraes Cordeiro Netto, é preciso que o assunto “suba alguns degraus na escada política”. Ele considera que é um desafio aos tomadores de decisão como inserir melhor o tema nas decisões políticas. “A questão da água é um desafio para o século 21, em todos os países”, apontou.
Um dos problemas discutidos no encontro foi o fato de que, atualmente, 34 milhões de brasileiros não têm acesso à rede de abastecimento de água, o que equivale a 40% da população. O presidente do Conselho Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Marcos Guerra, afirmou ser “urgente” que o Brasil supere os déficits de saneamento básico, que afetam a saúde da população. Para ele, esse assunto precisa entrar na agenda da indústria.

Esgoto

Além de ressaltar o alto número de pessoa sem acesso a saneamento básico, a presidente da BRK Ambiental,Teresa Vernaglia, lembrou que o país joga esgoto bruto nos mananciais e rios, o que “causa problemas gravíssimos, porque, além de tudo, gasta-se muito mais para tratar a água que se coleta nesse estado para fazer a entrega à população”. Não por acaso, R$ 4,2 bilhões — ou 60% dos R$ 7 bilhões que a empresa investirá em questões hídricas — serão voltados à coleta e tratamento de esgoto.
Para mudar esse quadro, é preciso mais que boa vontade. Universalizar os sistemas de esgoto no Brasil até 2023 exige um investimento de R$ 20 bilhões por ano, estima Teresa. Essa é a quantia necessária para que os investidores, junto com agentes públicos, “possam tirar literalmente o país do esgoto”, disse. “Hoje os investimentos são poucos quando comparamos ao que precisa ser feito”, acrescentou.
A iniciativa privada, segundo a presidente da BRK Ambiental, tem condições de absorver parte desse investimento, mas esbarra nas dificuldades impostas pelo arcabouço jurídico, que “precisa trazer mais segurança para quem quer investir no país”. “Temos uma situação onde existe o privado que quer investir, sabe onde investir, tem visão de longo prazo, mas os projetos não saem”, resumiu.

Distribuição

Outro problema discutido no evento foi a dificuldade na distribuição da água. Só no processo entre a captação e a distribuição para empresas e famílias, o Brasil perde o equivalente a sete sistemas Cantareira por ano, ressaltou Teresa. Devido a essas e outras dificuldades, 35 milhões de brasileiros — o equivalente à população do Canadá — não têm acesso à água. Na empresa, mais de R$ 100 milhões serão investidos nos próximos anos nessa redução de perdas. Segundo ela, o investimento tem dado “resultados impressionantes”.
Além disso, embora 12% da água utilizável do mundo esteja no Brasil, a localização dela ainda é um problema, de acordo com Guerra. 81% da água disponível no país fica na região Norte. “Há grandes desafios considerando uma distribuição regional”, afirmou.
Cordeiro Netto, da ANA, lembrou que 18% da água doce renovável do mundo circula pelo Brasil. O problema, segundo o diretor da ANA, é que “quase nunca a água está em abundância onde o povo está”. A maior parte dela fica no Norte, enquanto a maior parte da população é distribuída na costa atlântica. Além da distribuição, ele citou o problema da poluição. “Principalmente em centros urbanos, sempre vai se deparar com riacho, açude, córrego poluído”, lembrou.

Racionamento

O diretor da ANA também mencionou os problemas hídricos que têm sido enfrentados pelos brasileiros. “Em Brasília, há mais de um ano tem racionamento. Brasília é referência de cidade planejada, e depois de 50, 60 anos de existência se encontra submetida a um racionamento”, pontuou. “Fazer a gestão da água é uma tarefa extremamente complexa e se torna cada vez mais complexa”, completou.
Um dos problemas, segundo ele, é o fato de a agência regular situações “completamente díspares”. “Temos regiões onde já existe uma certa organização local, estadual, para fazer face à gestão das águas. Em outras, trabalhamos com ainda um certo despreparo dos estados nessa gestão”, disse. Outro item na agenda da ANA é a unificação da regulação brasileira.

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