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Química do Futuro foi mote do 17º Congresso de Atuação Responsável

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Com destaque para o lançamento do “Manual Perda Zero de Pellets”, que auxilia a cadeia produtiva dos plásticos, evento da Abiquim contou com debates de temas que promovem a saúde, segurança e
a sustentabilidade no ambiente industrial

O 17º Congresso de Atuação Responsável da Associação Brasileira da Indústria Química – Abiquim, recebeu 650 participantes entre representantes do governo, de instituições internacionais, de órgãos regulatórios, associações, ongs, sindicatos, profissionais da indústria e de empresas de logística.

O evento, que teve como tema a “Química do Futuro: Universo de Possibilidades e Desafios”, foi realizado no Novotel Center Norte, na capital paulista, nos dias 15 e 16 de agosto, e promoveu debates sobre a legislação de substâncias químicas, controle de emissões e ações para promover a saúde e a segurança dos colaboradores, das comunidades do entorno e da sociedade, as competências dos trabalhadores e a redução do impacto da atividade industrial no meio ambiente.

O presidente do Conselho Diretor da Abiquim, Marcos De Marchi, ressaltou na cerimônia de abertura que a Associação tem o objetivo de engajar mais empresas a adotarem o Programa Atuação Responsável®. “O Congresso apresenta temas que impactam a atividade industrial e celebra o compromisso da indústria química com a melhoria contínua de seus processos e produtos gerando maior segurança aos funcionários e comunidades vizinhas. A indústria química vem aprimorando seus padrões de excelência e trabalhando para minimizar seus impactos e se tornar mais eficiente, limpa e sustentável”, explicou De Marchi.

A transparência do setor por meio do Programa e sua importância como um dos alicerces da indústria foi destacada pelo vice-presidente de governança corporativa e questões públicas da Solvay e chairman do Grupo de Líderes do Responsible Care no International Council of Chemical Associations (ICCA), Patrick Vandenhoeke. O executivo explicou que o Programa Atuação Responsável® é o principal pilar das empresas do setor e apesar de possuir ações diferentes entre os países que o aplicam, o objetivo de todos é comum: “promover a segurança nos produtos e processos químicos”.

A coordenadora-geral de Qualidade Ambiental e Gestão de Resíduos do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Letícia Reis Carvalho, que representa o Brasil na Abordagem Estratégica para a Gestão Internacional de Produtos Químicos (SAICM) apresentou as demandas mundiais do Fórum após 2020. Letícia reconhece a importância e a dependência da sociedade nos produtos químicos e explica que o consumo de químicos deve aumentar principalmente nos países em desenvolvimento, o que reforça a importância de uma gestão de substâncias químicas após 2020. “Tivemos muitos progressos desde 2016, mas muitos países ainda carecem do básico, como a participação da indústria em todo o ciclo de vida do produto e nossa meta é que todas as substâncias sejam regulamentadas a partir de 2020”.

O deputado Orlando Silva (PCdoB/SP), coordenador do tema Saúde e Segurança do Trabalho da Frente Parlamentar da Química (FPQuímica) elogiou o trabalho da indústria química na busca pela sustentabilidade e a responsabilidade que o setor tem com o meio ambiente e com o aumento de segurança de seus colaboradores e comunidades. O parlamentar também abordou o trabalho desenvolvido pela Frente: “a busca pela competividade da indústria química brasileira é um desafio da FPQuímica e deputados de diferentes matrizes ideológicas e políticas compreendem a importância de se buscar a reindustrialização do País”.

O coordenador da Comissão de Gestão do Atuação Responsável, Marcos Barros Cruz, destacou o trabalho realizado pela comissão para a manutenção e implantação constante do Programa Atuação Responsável® nas empresas. “Ele traz benefícios para a sociedade e empresas e deve ser visto como a fundação que dá suporte às indústrias”. Cruz destacou que aumentar a segurança dos colaboradores tem sido um dos principais focos do Programa. “Por meio de ações destinadas a prevenção e capacitação com foco no reconhecimento dos riscos, uso adequado de equipamentos de proteção e o desenvolvimento de uma cultura de segurança foi possível reduzir a frequência de acidentes com afastamento em 59,7%, de 2006 a 2017”. O livreto dos Indicadores de Desempenho do Atuação Responsável está disponível para download no site da Abiquim (www.abiquim.org.br).

O “Manual Perda Zero de Pellets”, que auxilia a cadeia produtiva dos plásticos, empresas transportadoras, operadores logísticos, empresas de atendimento a emergências durante o manuseio, armazenagem e transporte, entre outros, a reduzirem a perda de pellets plásticos (resinas termoplásticas no formato de pequenos grãos) no ambiente marinho, foi apresentado pelo presidente da Plastivida, Miguel Bahiense. “Trata-se de um material de grande importância para que se avance nos trabalhos de mitigação da poluição marinha. Desenvolvemos um Manual informativo e que promove ações práticas para que os plásticos cumpram sua função de gerar benefícios à sociedade, de forma sustentável”, afirma o executivo.

O Manual teve como base o Programa Internacional Operation Clean Sweep e busca atender uma das metas previstas pelo Objetivo do Desenvolvimento Sustentável nº 14 (ODS-14), de até 2025, “prevenir e reduzir significativamente a poluição marinha de todos os tipos, especialmente a advinda de atividades terrestres, incluindo detritos marinhos e a poluição por nutrientes”.

O documento foi produzido como parte do convênio entre a Plastivida – Instituto Socioambiental do Plástico e o Laboratório de Manejo, Ecologia e Conservação Marinha do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP). Além disso, contou com a participação ativa do “Fórum Setorial dos Plásticos – Por Um Mar Limpo”, que tem 16 signatários, entre eles a Abiquim, além de empresas e instituições com o objetivo de conhecer a fundo a questão dos lixos nos mares e promover soluções para esse problema. O Manual está disponível para download no site www.porummarlimpo.org.br.

Weber Porto, coordenador do Comitê para o Desenvolvimento Sustentável da Abiquim, apresentou o “Benchmarking de Sustentabilidade da Indústria Química”, estudo realizado pela Fundação Dom Cabral, que identifica os temas econômicos, sociais e ambientais mais relevantes para a indústria química nacional e internacional. “Para entender melhor nossa indústria precisávamos de mais informações e pudemos ver as diferenças entre as empresas brasileiras e estrangeiras”. O estudo apontou que no Brasil há uma preocupação com a formação dos colaboradores e no mercado internacional já existe uma preocupação maior com o desenvolvimento das comunidades. Porto explicou que foi possível concluir que as indústrias químicas brasileiras realizam mais do que reportam em seus relatórios de sustentabilidade, a transparência é um desafio e uma oportunidade para a indústria química, que é importante fazer parte de uma estratégia global e ter uma estratégia de esforço coletivo.

Projeto de Lei sobre a regulação de substâncias químicas

O Brasil está prestes a ter um Projeto de Lei que dispõe sobre o cadastro, a avaliação e o controle de substâncias químicas industriais. O tema foi debatido na sala temática “Regulamentação: Desenvolvimento da Legislação Brasileira de Substâncias Químicas”.

A coordenadora-geral de Qualidade Ambiental e Gestão de Resíduos do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Letícia Reis Carvalho, contou que a proposta de Projeto de Lei deverá ser entregue ao parlamento brasileiro em outubro deste ano. “Estou confiante que em outubro estaremos prontos para entregar a proposta trabalhada pelo executivo ao parlamento brasileiro e também estaremos prontos para assessorar, porque não temos dúvidas de que essa matéria precisará vir acompanhada de várias explicações e sobretudo de regulamentações secundárias, sendo que uma parte delas certamente precisa começar a ser desenvolvida imediatamente.

A sala temática também teve a participação do vice-diretor executivo da European Chemicals Agency (ECHA), Jukka Malm, que destacou a necessidade de conhecer os produtos que existem no mercado, seus riscos e as medidas para o uso seguro das substâncais; e do co-presidente da reunião intersecional do SAICM o diretor-geral da Health Canada, David Morin, que ressaltou a importância da cooperação regulatória para que os países que estão implantando uma regulação de substâncias químicas aprendam com as regulações já existentes.

Saúde, segurança, meio ambiente, logística e competências

Além da regulação de substâncias químicas, as salas temáticas do Congresso abordaram temas ligados ao Programa Atuação Responsável® com foco em Saúde, Segurança do Trabalho, Segurança de Processo, Atendimento a Emergência, Regulamentação de produtos químicos, Diálogo com a Comunidade, Comunicação, Competências, Suprimentos, Logística e Meio ambiente. Também foram realizados durante o evento o 1º Encontro de CEOs da Indústria Química e a Sala Desafio da Indústria do Plástico – Economia Circular.

A segurança no ambiente industrial foi discutida nas salas: “Fatores Humanos relacionados a Segurança de Processo”; “Prevenção e Preparação na Resposta a Emergências no Armazenamento de Produtos Químicos”; “Segurança no Transporte de Produtos Químicos”; “Capacitação e os Desafios dos Profissionais de Emergências Frente às Novas Tecnologias”; e “Tecnologias de Automação aplicadas a Segurança de Processo”.

A sustentabilidade foi debatida nas salas: “Comunidades Sustentáveis: O que queremos para o Futuro?”, “Logística Sustentável”, “Silicone: Solução Sustentável para a Indústria do Futuro”; e “Compras Sustentáveis na Indústria Química: oportunidades e benefícios”.

O mercado de trabalho e as relações trabalhistas foi tema das salas: “Impacto da Reforma Trabalhista na Saúde e Segurança do Trabalho”, “Competências da era digital, diversidade e inclusão: precisamos conversar sobre isto!”.

A sala “Qualidade do Ar” teve três sessões que debateram o histórico de inventários de emissões de fontes fixas e fontes móveis, as tecnologias da indústria química para reduzir as emissões das fontes fixas e móveis e as tendências regulatórias para tornar o ar mais limpo.

O Congresso também recebeu a reunião do grupo de Responsible Care® da América Latina, que debateu a evolução do programa no continente. Novamente o Congresso teve uma sala com foco em comunicação: “Os Desafios da Comunicação em um Futuro Conectado”.

Também foram realizados quatro minicursos: “Manuseio e Transporte Seguro de Cloro”; “e-Social – Experiências na implantação da indústria química”; “Mapa de Materialidade da Indústria Química” e “Gestão de Risco e a Governança Corporativa – Uma questão de transparência.

O 17º Congresso de Atuação Responsável foi patrocinado pelas empresas Arlanxeo, Basf, Birla Carbon, Braskem, Chemours, Clariant, Comissão Setorial de Silicones, Covestro, Croda, Dow, Elekeiroz, Evonik, ExxonMobil, Huntsman, Ingevity, Innova, Nitro Química, Oxiteno, Solvay, Suatrans, Unigel e Unipar Carbocloro.

O evento teve o apoio da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), Associação Brasileira de Engenharia Química (ABEQ), Associação Brasileira da Indústria de Cloro-Álcalis e Derivados (Abiclor), Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos e Inspeção (Abendi), Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais (ABHO), Associação Brasileira de Tecnologia da Borracha (ABTB), Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim), Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati), Instituto Brasileiro do PVC (IPVC), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Instituto Ekos Brasil, Plastivida, Sindicato das Indústrias de Produtos Petroquímicos para Fins Industriais e da Petroquímica no Estado de São Paulo (Sinproquim) e Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

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