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Metano Zero: Pesquisa propõe uso de microalgas para tratamento do biogás

por redação

Técnica purifica o combustível, que pode ser reutilizado pelo agronegócio ou indústria. Planta piloto do projeto (Foto: Divulgação/Lactec)

O Ministério de Meio Ambiente lançou nesta semana o Metano Zero – Programa Nacional de Redução de Emissões de Metano, com o objetivo de reduzir a emissão de gases de efeito estufa. Entre as ações estão medidas de incentivo ao uso de biometano e biogás. Uma pesquisa realizada pelo Lactec tem utilizado microalgas para purificar o biogás resultante do tratamento de resíduos da suinocultura e o transformar em biometano – aumentando seu potencial para geração de energia. Os estudos realizados pelo centro de ciências e tecnologia apontam que a biotecnologia pode ser uma das grandes aliadas da inserção do conceito de bioeconomia circular na cadeia produtiva do agronegócio.

A biomassa de microalgas gerada nesse processo pode retornar à própria planta de produção de biogás ou ser destinada à indústria como insumo para fabricação de ração animal ou biofertilizante, entre outras aplicações a serem validadas em novas frentes de pesquisa.

O pesquisador do Lactec, especialista em biotecnologia, Bruno Miyawaki, explicou que em um dos projetos realizados pelo instituto na área de tratamento de emissões e resíduos agroindustriais, o objetivo principal foi o de purificar o biogás, usando um sistema biológico e, em paralelo, desenvolver tecnologias de produção das microalgas, em um conceito de biorrefinaria. Esses microrganismos fotossintéticos consomem o dióxido de carbono (CO2) e outras impurezas do biogás, o que melhora o poder calorífico e permite sua aplicação em usos mais nobres, como geração de energia elétrica ou como combustível de veículos, por exemplo.

Validação em campo

O conceito proposto para purificação de biogás foi avaliado em uma planta piloto instalada em uma granja agropecuária no interior de Santa Catarina, que mantém sistemas de biodigestão para tratar os dejetos de suínos. Nos testes realizados em campo, o grau de pureza do biogás – que é medido pela concentração de metano – passou de 65% para 90%, aproximadamente, comprovando a eficiência da aplicação de microalgas no processo de refino.

De acordo com Miyawaki, para cada quilo de biomassa de microalgas produzida, quase dois quilos de CO2 deixam de ser emitidos para a atmosfera. Além de fixar o CO2, o sistema de produção de biomassa usa o efluente dos biodigestores para “alimentar” as microalgas. Ou seja, reduz-se, também, a carga orgânica do resíduo líquido resultante do tratamento dos dejetos e se obtém um material rico em proteína, carboidrato e óleo.

“Ao implantar o modelo de biorrefinaria, agrega-se valor aos resíduos agroindustriais, transformando-os em biomassa, que pode ter diferentes aproveitamentos e gerar novos modelos de negócio”, acrescentou o pesquisador. A expectativa é que os estudos no país avancem nesse sentido, considerando a aderência da proposta aos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS). Outro estímulo vem da portaria assinada esta semana pelo Ministério de Minas e Energia, que inclui os investimentos em biometano no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi).

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