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Lixões de São Paulo geram prejuízos de mais de R$ 420 milhões

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O estudo aponta que ações adotadas pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado ente 2016 e 2017 já trouxeram uma economia de R$61 milhões, o que demonstra a importância de encerrar unidades de destinação inadequada

Estudo realizado pela ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) aponta que o Estado de São Paulo comprometerá anualmente mais de R$ 420 milhões por ano para o tratamento de saúde e recuperação ambiental, caso os lixões e unidades inadequadas de destinação de resíduos permaneçam em funcionamento. Esse valor contempla a somatória dos custos médios registrados entre os anos de 2012 e 2015, que no período ultrapassou R$ 1,6 bilhão.

Segundo o levantamento da ABRELPE, o Estado de São Paulo ainda conta 43 unidades inadequadas de descarte de resíduos – lixões e aterros controlados -, responsáveis por receber mais de 14 mil toneladas de lixo por dia. Todo esse resíduo sem destinação e tratamento corretos impacta a vida de cerca de 11 milhões de pessoas, cuja saúde é exposta diariamente aos malefícios dos lixões e aterros controlados, além da degradação causada ao meio ambiente.

“Apesar de proibida desde 1981, a falta de controle dos lixões demonstra que a prática continua institucionalizada no país. Esses locais são responsáveis pela poluição do solo, do ar e das águas, constituindo-se na maior fonte de poluição contínua, que contamina a fauna, a flora, os alimentos e a vida de milhares de pessoas, com substâncias tóxicas e cancerígenas”, afirma diretor presidente da ABRELPE, Carlos Silva Filho.

O executivo observa que a inação por manter os lixões em funcionamento traz impactos consideráveis, e que a carência de estudos relevantes aliada à inexistência de um sistema de contabilidade no nível local e/ou regional torna esse alto custo distante e inexistente, adiando a conta real no futuro, para as gerações seguintes e orçamento com saúde dos próximos anos. “Essa perspectiva por si só deveria orientar os administradores públicos a promover o imediato encerramento dos lixões e unidades inadequadas, pois a herança deixada é muito custosa para a vida das pessoas e para o meio ambiente.“, observa Silva Filho.

O estudo da ABRELPE mostra ainda, que as ações realizadas pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e da Cetesb para fechamento de unidades de destinação inadequada de resíduos, já demonstram efeitos positivos em diversas frentes, além da saúde e meio ambiente. Em termos de redução de custos com impactos ambientais e gastos com tratamento de saúde, os lixões fechados entre o final do ano de 2016 e o primeiro semestre de 2017 trouxeram uma economia de R$ 61 milhões para o orçamento público, com benefício direto para 1.03 milhão de pessoas.

Mundialmente, pelo menos 1% da população incluída nos grupos de risco desenvolve doenças causadas pelo descarte e destinação incorretos de resíduos. Numa base per capita, estima-se que no Brasil cada pessoa atendida tem um custo de R$ 42 por ano, só em razão dos impactos dos lixões sobre a saúde e o meio ambiente.

“O levantamento contabilizou não só os custos para tratamento dos problemas de saúde das pessoas, causados principalmente pela existência e manutenção dos lixões, mas também foi considerado o impacto de perdas de dias de trabalho por afastamento médico, os custos psicossociais causados aos moradores das áreas próximas aos lixões e os danos ambientais motivados por essas unidades irregulares”, finaliza o diretor presidente da ABRELPE.

Preço alto para fechamento dos lixões

Mesmo diante de um cenário de custos elevados, o estudo da ABRELPE não inclui a despesa de fechamento e remediação dos lixões nem os impactos de longo prazo para os vinte a trinta anos após seu fechamento.

Estimativas da entidade revelam que investimentos de R$ 7,5 bilhões até 2023 são necessários para encerrar a operação de lixões e aterros controlados no Brasil, e substituí-los por unidades adequadas. O valor representa pouco mais da metade dos US$ 4 bilhões ou, aproximadamente, R$ 13,5 bilhões, que o País deve gastar nos próximos cinco anos por causa dos lixões existentes, tratamentos de saúde e recuperação ambiental.

“Com esses recursos, o País poderia fechar todos os seus lixões e modernizar significativamente seu sistema de gestão de resíduos, cumprindo com as diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos”, declara Carlos Silva Filho.

No País, 76,5 milhões de brasileiros ainda sofrem com a destinação inadequada dos resíduos, já que cerca de 30 milhões de toneladas de resíduos são dispostas em lixões ou aterros controlados. Moradores das localidades em que os lixões estão situados, catadores materiais recicláveis e trabalhadores de limpeza urbana são os principais grupos afetados por doenças decorrentes do não tratamento dos resíduos, que se propagam pela contaminação de água, solo, ar, fauna e flora.

 

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