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Líderes globais pedem ação urgente por adaptação climática

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Novo relatório da Comissão Global sobre Adaptação aponta que o investimento global de US$ 1,8 trilhão de 2020 até 2030 pode resultar em benefícios que somam até US$ 7,1 trilhões
À luz de novas descobertas científicas, líderes da Comissão Global sobre Adaptação reforçaram hoje o pedido aos governos e às empresas para que tomem ação urgente em busca de inovar e avançar em soluções de adaptação à mudança do clima. A Comissão é chefiada por Ban Ki-moon (ex-secretário-geral das Nações Unidas), Bill Gates (co-presidente da Bill and Melinda Gates Foundation) e Kristalina Georgieva* (CEO do Banco Mundial).

O relatório é publicado ao mesmo em que os impactos climáticos – como a intensificação de furacões, enchentes, e incêndios florestais – estão se tornando uma realidade cada vez mais urgente. Como eventos recentes deixam claro, a mudança do clima afeta a pessoas em todo o mundo. Dessa forma, sem ação, milhões de pessoas serão empurradas para abaixo da linha da pobreza, o que pode nos levar a conflitos e instabilidades crescentes.

A publicação traz uma visão ambiciosa de como podemos transformar sistemas-chave para melhorar nossa resiliência e produtividade. A Comissão conclui que adaptação pode produzir retornos econômicos significativos. A taxa geral de retorno do investimento em melhoria na resiliência é alta, com a proporção de custo-benefício indo desde 2:1 até 10:1 e, em alguns casos, ainda mais alto.

Especificamente, a análise aponta que o investimento de US$ 1,8 trilhão em âmbito global em cinco áreas ao longo da década entre 2020 e 2030 pode gerar até US$ 7,1 trilhões em benefícios líquidos totais. As cinco áreas consideradas pelo relatório são: sistemas de alerta antecipado, infraestrutura resiliente ao clima, melhoria da agricultura em terras secas, proteção de mananciais, e investimento em resiliência dos recursos hídricos. Essas áreas representam apenas uma porção do total de investimentos necessário e do total de benefícios disponível.

Adaptação climática também pode gerar um “dividendo triplo” – ela evita perdas futuras, gera ganhos econômicos positivos via inovação, e gera benefícios sociais e ambientais adicionais.

O relatório também pede que a adaptação enderece as desigualdades inerentes à sociedade e incorpore mais pessoas, especialmente aquelas mais vulneráveis aos impactos climáticos, dentro do processo decisório. A realidade é que as pessoas mais afetadas pela mudança do clima são as que tiveram menor responsabilidade na causa do problema – o que torna adaptação um imperativo humano.

“Mudança do clima não respeita fronteiras: ela é um problema internacional que apenas pode ser resolvida através da cooperação e da colaboração entre fronteiras e em todo o mundo”, ressalta Ban Ki-moon. “Está ficando cada vez mais claro que, em muitas partes do mundo, nosso clima já está sendo transformado, e nós precisamos nos adaptar a ele. Mitigação e adaptação vão lado-a-lado como duas bases fundamentais do Acordo de Paris sobre mudança do clima. Adaptação não é apenas a coisa certa a ser feita, mas também é a coisa mais inteligente para se fazer para impulsionar crescimento econômico e criar um mundo mais resiliente ao clima”.

Para Bill Gates, as pessoas já estão experimentando os efeitos devastadores da mudança do clima. “Aqueles mais impactados são os milhões de pequenos agricultores e suas famílias nos países em desenvolvimento, que lutam contra a pobreza e a fome causadas pelas perdas na produção resultantes das condições extremas de temperatura e precipitação. Com maior apoio para inovação, nós podemos destravar novas oportunidades e promover mudança ao redor do ecossistema global. Adaptação é uma questão urgente que precisa de suporte dos governos e das empresas para garantir àqueles sob risco a oportunidade de prosperar”.

“A mudança do clima ameaça os lares, as vidas e a sobrevivência de pessoas em todo o mundo, mas os mais pobres são os mais atingidos já que eles não têm recursos para se sustentar. Sem ação urgente para responder à devastação da mudança do clima, outros milhões podem cair na pobreza”, ressalta Axel van Trotsenburg, CEO interino do Banco Mundial. “Estamos investindo cada vez mais em adaptação porque a evidência nos mostra que edifícios, infraestrutura e serviços públicos resilientes são bons para as comunidades, os negócios e para o crescimento sustentado de toda a economia”.

O relatório está sendo lançado com eventos em mais de dez capitais e cidades ao redor do mundo, incluindo: Majuro, nas Ilhas Marshall; Pequim, China; Nova Délhi, Índia; Genebra, Suíça; Cidade do México, México; Ottawa, Canadá; Wainibuka, Fiji; Washington DC, Estados Unidos; entre outras. Esses eventos e uma nova campanha de redes sociais – #AdaptOurWorld – buscam demonstrar a forte demanda por adaptação ao redor do mundo.

A análise da Comissão destaca muitos benefícios econômicos, sociais e ambientais relacionados à adaptação, tais como:

· Restaurar florestas de mangue em lugares como Tailândia, Índia e Filipinas pode proteger comunidades costeiras de tempestades mortais, ao mesmo tempo em que provê um habitat essencial para pesca local, impulsionando a prosperidade regional.

· A estratégia “room for the river” da Holanda moveu diques para dentro do território, alargou rios e criou praças absorventes de água. Esses projetos conseguem gerenciar e reduzir as enchentes, ao mesmo tempo em que disponibilizam usos inovadores de espaços públicos e a revitalização de vizinhanças.

· No Zimbábue, agricultores que utilizaram sementes de milho tolerante à seca conseguiram colher mais de 600 quilos a mais de milho por hectare. A colheita adicional foi o suficiente para alimentar uma família com seis pessoas por nove meses e prover US$ 240 de renda extra, ajudando-as a mandar as crianças para a escola e provendo outras necessidades domésticas.

· A redução de risco de enchente em áreas urbanas diminui os custos financeiros, aumenta a segurança, e viabilizam investimentos que seriam vulneráveis demais aos riscos climáticos. A Canary Wharf e outros projetos na região leste de Londres seriam impossíveis sem a proteção contra enchentes dada pela barreira do Tâmisa.

O relatório pede por revoluções em três áreas – entendimento, planejamento e finanças – para garantir que os riscos, impactos e soluções climáticos sejam levados em consideração no processo decisório em todos os níveis. A publicação explora como essas mudanças podem ser aplicadas em sete sistemas interligados: alimentação, meio ambiente natural, água, cidades, infraestruturas, gestão de risco de desastre, e finanças.

A Comissão fará diversos anúncios e divulgará ações adicionais durante a Cúpula sobre Ação Climática das Nações Unidas, que acontece neste mês de setembro. Esses action tracks, que são descritos no relatório, cobrem áreas como segurança alimentar, resiliência, gestão de risco de desastre e finanças.

Além disso, a Comissão também anunciará o começo do Ano da Ação em um evento organizado pelo governo holandês na sede das Nações Unidas, em Nova York, no dia 24 de setembro. O Ano da Ação partirá das recomendações deste relatório para mobilizar ação sobre mudança do clima, que será apresentado na Cúpula sobre Adaptação Climática prevista para acontecer em outubro de 2020 na Holanda.

O relatório está disponível no site da Comissão Global sobre Adaptação pelo link https://gca.org/global-commission-on-adaptation/adapt-our-world
* Observação: Kristalina Georgieva está atualmente licenciada do cargo de CEO do Banco Mundial em virtude de sua nomeação como candidata para a direção do Fundo Monetário Internacional.

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