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IPT divulga estudo inédito sobre o mercado ambiental brasileiro

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iptO mercado brasileiro de remediação ambiental já movimenta R$ 1,3 bilhão ao ano; conta com 230 empresas atuando na área e tem potencial de crescer muito mais, considerando que há no País 6.291 áreas contaminadas cadastradas, principalmente no Estado de São Paulo. Estes dados constam do primeiro “Panorama do Setor de Gerenciamento de Áreas Contaminadas”, divulgado dia 9/12, em evento na sede do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em São Paulo.

A pesquisa foi realizada pelo IPT, em parceria com a AESAS (Associação Brasileira das Empresas de Consultoria e Engenharia Ambiental), a CETESB  (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), agências ambientais de 11 estados brasileiros e as maiores empresas do setor. O cenário desenhado pelo estudo deixa clara a baixa maturidade do mercado, mas também aponta a grande oportunidade de sua expansão.

Eugenio Singer, diretor geral no Brasil da Ramboll Environ – uma das maiores consultorias do mundo na área ambiental, especializada em gestão de áreas contaminadas – destacou a tendência irreversível de crescimento deste mercado no País. “As empresas terão que realizar uma rigorosa avaliação ambiental de suas atividades, incluindo planos de prevenção e de remediação para acidentes, o que continuará dando impulso ao setor nos próximos anos”, afirmou Singer, um dos moderadores do seminário realizado no IPT e, em cuja opinião, o número de áreas contaminadas é muito superior ao apontado no estudo, pois muitas delas sequer estão cadastradas.

Para favorecer o dinamismo dos negócios na cadeia produtiva ambiental, o estudo apontou os seguintes requisitos: aumento de pessoal qualificado, capacitação dos órgãos públicos de controle e fiscalização, desenvolvimento do arcabouço legal, geração de novas tecnologias e aumento das fontes de financiamento.

Atualmente, os estados de São Paulo – pioneiro na criação de leis ambientais -, de Minas Gerais e do Rio de Janeiro concentram o maior número de negócios neste setor. Empresas de consultoria técnica e jurídica, laboratórios, fornecedores de tecnologia e equipamentos, entre outras atividades do ramo, compõem o mercado que movimenta cerca de R$ 1,3 bilhão ao ano. Nos Estados Unidos – país que gerencia suas áreas contaminadas desde a década de 80 – e na Europa, o mercado de remediação gerou US$ 61,7 bilhões,  indicando que há muito por crescer ainda no Brasil.

De acordo com o estudo, os avanços no mercado ambiental estão diretamente relacionados à ocorrência de contaminação e à sua remediação. O rompimento da barragem da mineradora Samarco, no último dia 5 de novembro, que ocasionou o maior desastre ambiental da história do País, serviu de alerta sobre a necessidade de se aprimorar a legislação e os parâmetros técnicos e de ações de prevenção e remediação. Outros casos emblemáticos de desastres ambientais apresentados no evento foram o do campus da USP Leste, construído numa área de aterro onde há concentração de gás metano, e divulgado em 2014, e o da Rhodia, que contaminou o solo e o lençol freático na região de Cubatão entre 1977 e 1981.

De acordo com o “Panorama do Setor de Gerenciamento de Áreas Contaminadas”, a região Sudeste é mais avançada do que as demais no gerenciamento de áreas contaminadas. Dos 11 órgãos ambientais estaduais que responderam à pesquisa, apenas São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais enviaram dados estatísticos.

Em São Paulo, postos de combustíveis, indústria e comércio são os maiores poluentes, e os principais contaminantes são solventes aromáticos, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (PAHS) e metais. Em Minas Gerais, a maior parte das áreas contaminadas cadastradas está concentrada nos setores de postos de combustíveis, indústria e ferrovia, e os principais contaminantes são hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (PAHS) e os metais relacionados à atividade mineradora, como o chumbo. No Rio, os postos de combustíveis, a indústria e o setor de viação respondem pelo maior número das áreas contaminadas cadastradas.

“Apesar da exigência do licenciamento promover um banco de dados mínimos sobre as atividades poluidoras, a maior parte dos órgãos ambientais brasileiros não têm setor de áreas contaminadas”, afirma Tatiana Tavares, do IPT.

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