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Importadores cumprem meta de 100% na reciclagem de pneus

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A Abidip – Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Pneus, entidade constituída por importadores independentes em 2009, vem, desde seu nascimento, trabalhando forte nas questões de Meio Ambiente e Reciclagem, seguindo com determinação a Lei 12.305/2010 – que disciplina a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Em 2015, os associados à entidade haviam atingido 98% das metas de coleta e correta destinação de pneus considerados inservíveis e, em 2016, conquistaram 100% das metas definidas pelo Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.

“A Lei 12.305 é bem clara e tem detalhes importantes na questão da reciclagem e correta destinação, no nosso caso, de pneus. Levamos muito em consideração a questão de prever nesta lei o incentivo à indústria de reciclagem, haja vista que, sem essas empresas não existe uma forma plausível para se resolver a questão ambiental de resíduos sólidos, seja ela qual for”, afirma Milton Favaro Junior, presidente da Abidip.

Segundo ele, a Abidip dá especial atenção a isso e incentiva a pulverização de empresas de reciclagem por todo o Brasil. “Não concordamos que um resíduo, como o pneu, deva circular pelo país em caminhões para destinação em uma recicladora a mais de 1.000 Km de distância”, diz.

Segundo o executivo, o poder público deve ajudar a indústria da reciclagem, um setor normalmente constituído por empresas de pequeno porte e com custos tributários muito elevados, fato que dificulta em muito suas operações.

“Uma indústria que exerce um papel socioambiental dos mais relevantes, que retira o resíduo que provém de uma cadeia de produção e comércio – um bem que se torna lixo e problema sanitário para Estados, Municípios, empresas privadas e a população -, ainda tem de pagar impostos para pode dar fim e transformar esse resíduo? Acredito que a visão do governo esteja equivocada, a forma de como o poder público enxerga esse tipo de empresa deveria mudar. Essas empresas deveriam ter zero de imposto a pagar e ainda ter incentivos para operar. Se assim fosse estaríamos com praticamente todo o setor de resíduos resolvido no Brasil”, diz Favaro Junior.

O resíduo gerado pelo pneu em seu processo de reciclagem tem muita riqueza em materiais nobres, como aço, náilon, poliéster, borracha natural, borracha sintética e negro de fumo. São mais de 65 tipos de matérias-primas diferentes usadas na fabricação de um único pneu e o Brasil usa quase 80% desse resíduo nobre para queima, devido ao potencial energético e de geração de calor.

“Nós, da Abidip, estamos focados em dar prioridade a projetos que tenham geração de subprodutos do pneu, sendo nosso carro-chefe de incentivo e apoio o pó de borracha para utilização em asfalto ecológico -, que aliás já está muito desenvolvido no Brasil em termos de qualidade e técnica de aplicação, porém, ainda é modesto devido ao poder público não dar preferência a este tipo de asfalto em suas obras de infraestrutura e manutenção de estradas -, mesmo já existindo leis estaduais que preveem esse tipo de produto como preferência em licitações”, aponta Favaro Junior.

Conforme ele, os maiores consumidores deste tipo de asfalto são as concessionárias de rodovias, que são empresas privadas e observam em sua análise o custo/benefício desse tipo de produto, muito mais vantajoso em comparação ao asfalto normal, principalmente em durabilidade e manutenção. Vale destacar que as melhores e mais seguras rodovias brasileiras hoje são feitas com asfalto ecológico.

A Abidip também promove aos seus associados a apresentação de empresas de reciclagem que buscam produtos como pisos para uso interno e externo em residências e espaços públicos, como o utilizado nas Olimpíadas Rio 2016, cujas instalações utilizaram pisos feitos de pneus reciclados. Existem hoje no Brasil três empresas produzindo e promovendo esse tipo de produto.

Outro exemplo são vasos para substituir o antigo vaso de Xaxim (oriundo da natureza e que hoje está com a comercialização proibida). Também são produzidos cones de sinalização, a partir de pneus reciclados, dentre outros projetos que ainda estão em desenvolvimento.

“A Abidip dá preferência a esse tipo de empresa, que produz algum tipo de subproduto para benefício da população e do meio ambiente, mas essas empresas precisam de ajuda, de benefícios, de financiamento sem burocracia, para que haja pleno desempenho às iniciativas. A queima de pneus é importante, pois utiliza a maioria dos pneus que devem ser reciclados, mas devemos focar em novos caminhos. Também temos acordos com empresas que utilizam a tecnologia de pirólise, que é espetacular, pois gera óleo, energia, combustível, sobrando apenas o negro de fumo, tudo isso apenas com pneu. A sobra de negro de fumo – resultante do processo de pirólise – é utilizada por algumas empresas como insumo para produção de novos produtos”, diz o presidente da Abidip.

“Ainda há muito por se fazer, porque temos muitos pneus jogados em lugares errados e sem correta destinação no Brasil. Isso se deve ao poder público não ter atentado que o passivo ambiental que os pneus geram duram décadas, até séculos, e tal fato também não foi levado em consideração quando o Ministério do Meio Ambiente mudou a forma de calcular as metas de destinação de pneus em 2008, através da 92ª reunião do Conama. Porém, ainda dá tempo de ajustar essas questões e de buscar a desoneração das indústrias de reciclagem que penam para sobreviver”, diz.

Fonte: Dino

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