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Fiesp entrega 22º Prêmio de Mérito Ambiental

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Os vencedores do prêmio na cerimônia de ontem, 7/6: a indústria em defesa da sustentabilidade. Foto: Everton Amaro/Fiesp
Os vencedores do prêmio na cerimônia de ontem, 7/6: a indústria em defesa da sustentabilidade. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A Honda Automóveis do Brasil foi a vencedora na categoria Grande Porte do 22º Prêmio de Mérito Ambiental da Fiesp, que registrou recorde de inscrições neste ano, com 56 projetos apresentados por 46 empresas, sendo 27 de grande porte, 10 de pequeno porte (em que o prêmio ficou para a GED) e 19 na categoria de responsabilidade social (destaque dado a cinco empresas). O anúncio foi feito nesta terça-feira (7/6), na sede da Fiesp.

Na abertura do evento, Nelson Pereira dos Reis, vice-presidente da Fiesp e do Conselho Superior de Meio Ambiente da entidade (Cosema), ressaltou os grandes ganhos para o meio ambiente obtidos graças aos projetos inscritos no prêmio ao longo de sua história.

A seleção dos premiados, disse Reis, é difícil para a comissão julgadora, formada por 14 membros de entidades variadas, pela alta qualidade dos trabalhos. Reis incentivou os inscritos a continuar, pelo estímulo que isso representa a que mais empresas criem seus projetos.

Este ano o destaque socioambiental estreou, por sugestão do Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp (Cores).

Gracia Fragalá, diretora titular do Cores, disse que os avanços na área ambiental inspiram os que lutam pela inserção do pilar social da sustentabilidade na vida das empresas. Questões sociais urgem, lembrou. Fator humano é o diferencial para a inovação e para a competitividade nas corporações. Investir nisso prepara as organizações para enfrentar os grandes desafios, para chegar a uma sociedade mais justa, completou.

Os vencedores

O projeto Eficiência Energética, que deu à Honda o prêmio, resultou na redução de consumo nos departamentos de pintura de chassis e dos compressores de ar. No setor de pintura da planta de Sumaré, com cinco diferentes áreas produtivas, foi alterado o processo da cabine de “Top Coat” (onde ocorre a aplicação de cor e verniz nas partes internas e externas da carroceria), em que 19 motores e 2 queimadores ficavam ligados 24 horas por dia. No terceiro turno, quando são realizadas manutenções preventivas e limpeza, passaram a ser desligados 16 motores e todos os queimadores, acionando-se o modo de economia.

Outra alteração realizada foi a interligação do sistema de 18 compressores de ar dos três prédios da planta, construídos em momentos diferentes, em rede de anel, balanceando a pressão e possibilitando o desligamento de dois dos compressores. Em cada prédio havia um sistema de compressores individual. Com as plantas funcionando de forma integrada e com o sistema de ar comprimido fechado em anel, foi possível melhorar o fluxo de ar comprimido e manter a pressão do ar balanceada.

O resultado foi a redução do custo de manutenção e do consumo de energia elétrica. A queda no consumo de energia foi de 9,3%, o triplo da meta, que era de 3%. Nos dois sistemas, de pintura e de compressores de ar, houve economia de 843 MWh/ano e redução de 105 toneladas na emissão de CO2.

Osamu Morishita, gerente da Honda Automóveis, recebeu o prêmio e disse que foi uma grata surpresa. A premiação, disse, “veio para coroar uma grande preocupação na empresa com o meio ambiente. Mostra que os esforços vêm dando resultados.”

Ainda na categoria Médias e Grandes Empresas, receberam menção honrosa:

Unilever Brasil, por ações e resultados sustentáveis em 2014/2015.

Novelis do Brasil, pela gestão de energia e a eficiência energética visando a competitividade e a sustentabilidade do negócio da Novelis América do Sul (unidade Pindamonhangaba-SP).

Duratex, pela potencialização da eficiência energética nos negócios da Deca.

Visafértil Indústria e Comércio de Fertilizantes Orgânicos, pela Solução Cíclica: compostagem e produção de alimentos.

Intelli Indústria de Terminais Elétricos, pelo projeto Nada se perde tudo se transforma, de gerenciamento de sucatas e resíduos do Grupo Intelli.

Na categoria Pequena e Microempresa, o primeiro lugar ficou com a GED – Inovação, Engenharia e Tecnologia, com o projeto Ração Sustem, de produção de rações ecológicas para cães e gatos com restos de camarões da indústria pesqueira. Com produção em escala piloto, o objetivo foi reutilizar 240 t/ano ou 650 kg/dia de resíduos contaminantes do Rio do Meio (Guarujá/SP). À fase de conscientização seguiu-se a disponibilização de bombonas de coleta seletiva nas peixarias. Em Santos, Bertioga, Praia Grande, Itanhaém, Mongaguá e Peruíbe desembarcam aproximadamente 1.370 t/ano de peixes e camarões, sendo que 50% se tornam resíduos.

Nesse projeto, resíduos indesejáveis são separados, e o composto triturado é misturado a um farelo (milho, trigo, soja etc) para compor rações com valor nutricional. A produção, ainda não comercializada, é doada para criadores locais.

A área de captação da matéria-prima é o Bairro Santa Rosa III (Guarujá), que não conta com rede de coleta de esgoto e abriga uma comunidade carente próxima a extensa área de manguezal. O processo atende a preceitos de sustentabilidade e contribui, também, para a geração de renda.

Nos quatro anos do projeto foram reutilizadas 12 toneladas e produzidas 28 toneladas de ração, com investimento de aproximadamente R$ 570 mil reais em pesquisa, desenvolvimento, equipamentos e patente. Em fase de execução, conta com um Termo de Ajuste de Conduta (TAC).

Nessa categoria, receberam menção honrosa:

Condomínio Pátio Victor Malzoni, pelo Projeto EcoMalzoni – Gestão de Resíduos e Educação Ambiental.

M.A Gomes Indústria de Acrílicos, pela redução de custo da moldagem plástica por meio da cadeia reversa de suprimentos.

Instituto do PVC, pela análise de ecoeficiência de janelas.

BHS Comércio de Produtos para Saúde, pelo Programa Descarte Consciente de medicamentos fora de uso.

Loop Logística Reversa, pelo sistema de cálculo de economia de recursos ambientais gerados por meio da reciclagem de equipamentos eletroeletrônicos e posterior reinserção de matéria-prima reciclada em ciclos produtivos.

Responsabilidade social

No destaque de Responsabilidade Social, foram premiadas:

Flamin Mineração, pelo projeto BioleveReciclaPet.

COFCO Brasil, pelo Projeto Futuro Mais Verde.

Liquigás Distribuidora, pela Campanha Chama Segura.

MRV Engenharia e Participações, pelo Projeto Escola Nota 10.

Unilever Brasil, pelos projetos de responsabilidade social Ciclo Brilhante, Vim para Unicef e Tamu Junto.

No encerramento, Aprígio Azevedo, diretor de Projetos Especiais da Fiesp, frisou o avanço do reconhecimento do tema ambiental, considerando um marco a COP21, em Paris. Evento tornou realidade o acolhimento, por unanimidade, de 195 países e a União Europeia, de documento sobre a mudança do clima. “O mundo começa a olhar com um pouco mais de atenção o tema. E qualquer iniciativa, não importa o tamanho, tem importância”, disse.

 

Solange Sólon Borges e Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

 

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