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Estudo investiga mudança climática regional

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mudanca climaticaModelos climáticos regionais permitem melhor conhecimento do impacto das mudanças climáticas de uma área de interesse. Marta Llopart, professora do departamento de Física da Unesp de Bauru, utiliza esses modelos para fazer projeções de futuros cenários climáticos que possam se estabelecer.

Os dados gerados pelas projeções são depois utilizados pela comunidade científica que estuda os impactos da mudança climática na biodiversidade, como por exemplo, geração de energia, risco à sobrevivência de algumas espécies, impacto em florestas, cultivo agrícola e análise do conforto térmico em humanos e animais, entre outros.

Marta investiga as mudanças climáticas devido ao aumento da concentração dos gases do efeito estufa (aumento do CO2, NO2, CH4) na atmosfera e da mudança no uso da terra. “Trabalho como modelos climáticos em escala regional, para a América do Sul, tendo como foco o Brasil”, diz.

Os modelos climáticos regionais preveem o estado futuro da atmosfera para uma determinada região do globo. “Na minha pesquisa, uso um modelo climático regional e analiso o impacto das mudanças climáticas nas variáveis meteorológicas, como, por exemplo, a precipitação”, conta.

“Os modelos climáticos globais apresentam baixa resolução horizontal, o que limita a representação de forçantes locais e regionais nas simulações climáticas, como por exemplo, os complexos processos que envolvem as mudanças no uso da terra e a representação de um terreno mais acidentado”, diz Marta. Por isso, explica a professora, muitos grupos de pesquisa utilizam os modelos climáticos regionais para entender o clima presente e futuro em determinada região.

Os modelos climáticos regionais têm sido desenvolvidos desde as últimas décadas na tentativa de melhor representar os processos locais e regionais do clima de determinada região. Estes modelos são baseados em equações físicas e na dinâmica da atmosfera e preveem o estado futuro da atmosfera para uma determinada região do globo.

Os dados levantados pela pesquisadora são utilizados pela comunidade científica que analisam os impactos das mudanças climáticas na biodiversidade. Um dos exemplos do uso de seus dados pela pesquisa está no trabalho desenvolvido pela Embrapa sobre os impactos climáticos da soja no Estado do Rio Grande do Sul. “Estamos compreendendo como será a produtividade da soja – o Rio Grande do Sul tem a soja dentro os principais cultivos agrícolas – do ponto de vista dos cenários de mudanças climáticas, isto é, em meio às temperaturas mais elevadas”, diz.

Enquanto isto, Marta também se debruça em novos projetos. Ela conta que as principais influências antropogênicas no clima são as emissões dos gases do efeito estufa, na atmosfera, e as mudanças no uso da terra, tais como a urbanização, o desflorestamento e a agricultura.

“Emissões dos gases do efeito estufa e a mudança do uso da terra deverão alterar o clima global nas próximas décadas, aumentando os eventos extremos, como por exemplo: inundações e secas, podendo afetar consideravelmente os ecossistemas naturais e diversos setores da sociedade”, explica.

Seu novo trabalho está sendo realizado por meio de experimentos com modelos climáticos regionais considerando o aumento dos gases do efeito estufa e as mudanças no uso da terra, “ainda estamos na primeira parte do projeto. Estamos analisando as mudanças do uso do solo no clima presente, sem a contribuição antropogênica”, salienta.

“O estudo que realizamos convertendo a Floresta Amazônica em pastagem mostrou um aumento da temperatura do ar sobre aquela região, um aumento da precipitação no setor leste da Amazônia, e uma redução da precipitação no setor oeste da Amazônia. O próximo passo é realizar o mesmo experimento numérico considerando o aumento dos gases do efeito estufa”, finaliza.

Marta Llopart possui doutorado em Ciências Atmosféricas pela Universidade de São Paulo (2014), em parceria com o Centro Internacional de Física Teórica (ICTP), na Itália. Seu orientador na Itália, professor Filippo Giorgi, fez parte do Working Group I of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), que recebeu o prêmio Nobel da Paz, em 2007, pelos estudos em mudanças climáticas.

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