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Especialistas globais alertam sobre a gestão da água no Brasil

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Técnicos reunidos em congresso internacional, no Chile, fazem diagnósticos e apontam soluções para aprimorar a gestão dos recursos hídricos na América Latina

Alejandro Sturniolo, diretor executivo da Associação Latino-americana de Dessalinização e Reutilização (Aladyr), faz um diagnóstico categórico sobre a qualidade e o uso da água na região, particularmente no Brasil.

“A América Latina corresponde a 15% do território do planeta, tem 10% da população e 30% das chuvas. Então, tem água, mas não é onde gostaríamos. Por exemplo, na região semiárida do nordeste do Brasil não tem água. Lá as opções são aqueduto, dessalinização ou reutilização do recurso, mas, para desenvolver esta última, faltam normativos, licenças ambientais”.

Sturniolo garante que há investimento, tecnologia, vontade da indústria para atuar e uma necessidade de produzir, mas o Brasil, segundo ele, não tem uma estrutura para regulamentar como avançar, disse à agenciaochile.cl, durante o congresso “Água Para Latinoamérica”, realizado em Santiago esta semana.

Ele chama atenção para a falta de tratamento dos chamados contaminantes emergentes. Tratam-se de substâncias que não vemos, mas estão no efluente, e não são tratadas. “Somente o carvão, o nitrogênio e o fósforo são tratados, mas há muitos contaminantes emergentes que se dissolvem em água, como os secretados pela urina humana ou resíduos industriais. Em efluentes europeus e em diferentes cidades, os rios apresentam resíduos de cocaína, ibuprofeno e Prozac (base de fluoxetina), entre outros”.

Sturniolo argumenta que a solução é tratar de maneira diferente uma parte da água que é captada dos rios, em que o Brasil está bem avançado, para o qual é necessário promover a reutilização para a indústria, para a irrigação e que manterá os mananciais descontaminados. Hoje são enviados para os rios da região a proporção de 30 quilômetros cúbicos de esgotos por ano. Então, nós poluímos os rios e não há água para beber.

A solução para nossos rios, sustenta Sturniolo, é reutilizar a água tratada, que logo depois de processada seja colocada em reservatórios ou aquíferos, porque indiretamente é uma forma que o regulamento deve considerar.

Em Cingapura, a água tratada é em 10 minutos envasada para consumo humano – o modo é direto e de acordo com a necessidade de cada país ou território. “Sim, temos que agir logo, porque estamos um pouco atrasados. O planeta tem a mesma água desde sua formação, e ela sempre foi reutilizada, então temos que agir ou vamos ficar para trás.

Diogo Taranto, diretor de desenvolvimento de negócios da firma Opersan, também presente no congresso no Chile, e operador no estado de São Paulo, apontou para a condição crítica da água ambiental da capital paulista, a maior da América do Sul, e a mais vulnerável do Brasil.

“São Paulo é o número um, sem água. 48% de seu esgoto vão para os rios, sem tratamento. A primeira coisa a fazer é gerar a infraestrutura para tratar a água. Em seguida, deve vir a reutilização, para a qual há um plano até 2030, que irá contemplar os contaminantes emergentes. A ideia é passar dos atuais 2m3/s para 10m3/s em uma década. Isto asseguraria a atividade industrial e o consumo humano”, apontou.

Em relação ao avanços das tecnologias para reutilização de água, Diogo Taranto diz que há 30 anos elas são consolidadas e fornecem segurança. Trata-se de membranas desenvolvidas e testadas que asseguram a qualidade e um excelente resultado no processo de reutilização.

Os obstáculos, segundo ele, estão nas regras tarifárias, no imposto cobrado por cada estado. “Enquanto em São Paulo ou no Rio de Janeiro você paga US$ 8 por m3, em zonas secas, no Nordeste, onde os reservatórios estão em 10%, você paga um dólar por metro cúbico. No Ceará, o mais crítico dos Estados com escassez de água, o custo é inferior a um dólar o M3. Por isso, se você for projetar a reutilização, você tem que combinar o estímulo necessário para participar do processo. Este reuso é uma alternativa viável para o consumo humano, sem mesmo falar sobre a dessalinização”.

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