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Entraves dificultam venda de energia de biomassa no Brasil

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Dificuldade do setor sucroenergético em adquirir financiamentos em bancos para projetos; a instabilidade do preço-teto nos leilões; falta de sinal de planejamento de longo prazo para a biomassa e a imprevisibilidade no preço de venda no Mercado de Curto Prazo (MCP) são as principais barreiras à expansão da bioeletricidade de cana-de-açúcar, segundo estudo recente divulgado pelo Projeto SUCRE, que levantou os entraves existentes no Marco Regulatório do setor elétrico para venda de energia de biomassa. Os resultados foram apresentados na sede da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), em São Paulo, num encontro realizado com representantes do setor.

Thiago Fortunato, representante técnico de vendas da NexSteppe, empresa dedicada ao desenvolvimento pioneiro da nova geração de soluções sustentáveis de sementes para as indústrias de bioprodutos, confirma estes pontos. Segundo ele, “ ano após ano este assunto fica em pauta nas indústrias para ampliação da cogeração, porém a baixa contratação em leilões desta energia e a volatilidade dos preços no mercado livre sempre empatam os grandes aportes financeiros para estas operações”.

Outros pontos abordados no estudo e que foram apontados pelo setor são os curtos prazos de contratos no Ambiente de Contratação Livre; a precificação inadequada quanto à distância dos centros de consumo, ao benefício da sazonalidade; e o fator social de geração de empregos. Para Fortunato, além destes pontos, também é hora de rever o Preço de Liquidação das Diferença (PLD). “É ele quem baliza quase todas as operações do setor elétrico e esta grande volatilidade traz alguém que pode ganhar muito em uma ponta e alguém que perde muito dinheiro em outra ponta”, completa.

Mais um entrave, de acordo com o executivo da NexSteppe, é a dependência exclusiva do bagaço vinculado ao ano-safra da indústria. “Projetos de expansão à geração devem considerar um planejamento para outras biomassas dedicadas e de ciclo mais rápido para aproveitar as renovações do canavial”, explica.

Soluções

No encontro com representantes do setor para apresentação do estudo e apontamento de melhorias, diversas propostas foram elaboradas afim de potencializar as chances de sucesso junto ao governo. Uma delas sugere que as usinas de cana-de-açúcar que possuem excedente de exportação acima de 30MW passem a ser tratadas de forma individualizada no “novo Newave” (expressão referente ao programa utilizado nas atividades de planejamento do sistema elétrico brasileiro). Assim, mesmo as usinas que exportem valor inferior ao piso, que a fonte biomassa deixe de ser tratada no conjunto “geração de pequenas usinas”, e passem a ser representadas com destaque. Segundo os pesquisadores, essa individualização permite a operacionalização da proposta de despacho antecipado da geração de energia elétrica a partir da palha.

Para Fortunato, o setor de biomassa precisa realmente ser tratado de forma exclusiva e única. “Os esforços e investimentos para esta fonte de energia limpa e renovável são grandes e precisam ser respaldados em propostas de trabalho que garantam esta rentabilidade para dar continuidade na geração. Também devem ser tratados temas como linhas de crédito com juros subsidiados, como o governo já vem oferecendo no oeste do Paraná em agroenergia para biomassa, biogás e biometano”, exemplifica.

Neste cenário, a NexSteppe já disponibiliza para o mercado uma matéria-prima dedicada, confiável, rentável e escalável de biomassa podendo entregar em um curto espaço de tempo um volume pré-estabelecido para esta geração. Tratam-se das sementes do híbrido Palo Alto, sorgo biomassa dedicado exclusivamente à produção de energia. “Expansões no mercado de energia requerem planejamento e assertividade por parte dos responsáveis pelo negócio. Nosso papel neste momento é apresentar soluções a fim de não deixar toda a operação dependente de apenas uma fonte. Diluir riscos é pulverizar o investimento e uma vez que depende de apenas um bagaço ou cavaco de madeira sua chance de em algum momento ter um gap é alta”, garante.

“Com alternativas complementares como o Palo Alto, o setor pode ampliar seus projetos de cogeração e, ou até mesmo iniciar sua participação nesse mercado, gerando novas fontes de renda e contribuindo para a melhoria e diferenciação da matriz energética brasileira”, diz. Para ele, uma maior participação desse setor na malha energética do País trará contribuições estratégicas e significativas no que diz respeito aos custos e investimentos em linhas de transmissão, no incentivo à produção agrícola e na garantia de fornecimento de energia às indústrias e ao consumidor.

Na prática

Exigindo menos água e oferecendo mais resistência ao calor do que outras espécies utilizadas de biomassa, como casca de arroz e bagaço de cana-de-açúcar, o híbrido de sorgo biomassa Palo Alto pode ser plantado na entressafra da cana, tornando-se uma fonte de matéria-prima renovável para produção de energia e etanol a preço competitivo e em escala. “A biomassa dedicada, alinhada a um planejamento de plantio e colheita, oferece às usinas e indústrias maior disponibilidade de matéria-prima”, explica Thiago Fortunato.

Segundo o executivo, também vale lembrar que o Brasil possui vantagens globais em termos de clima, geografia, infraestrutura e know-how para sua produção. Em média, 1 tonelada de sorgo biomassa produz 0,33 MW. Em caldeiras de alto desempenho este número pode chegar a 1 MW a cada duas toneladas da matéria-prima.

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