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Encontro mostra percepções sobre Relatórios de Sustentabilidade

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O painel com as jornalistas abordou a qualidade dos relatórios de sustentabilidade e suas funções informativas nas redações

Um encontro da GRI – The Global Reporting Initiative, dia 5 de setembro de 2017, em São Paulo, SP, reuniu especialistas para conversarem sobre os Relatórios de Sustentabilidade no Brasil. Segundo Glaucia Terreo, diretora da GRI, atualmente contamos cerca de 400 empresas com relatórios de sustentabilidade no Brasil. Conforme ela, a teoria de mudança da GRI é de que, ao inserir perspectivas socioambientais no processo de gestão e avaliação do desempenho das empresas, estas passam a observar melhor seus impactos – tanto positivos quanto negativos. “Uma mudança de mindset de somente financeiro para socioambiental promoverá ganhos impactando positivamente a empresa, o mercado, mas também a sociedade. Por isso, o encontro teve como objetivo compartilhar a opinião dos especialistas para sabermos onde estamos nessa jornada e como está a qualidade das informações prestadas pelas empresas”, informou Glaucia.

A palestra magna foi realizada pelo professor Ladislau Dowbor, que comentou sobre seu último livro “A Era do Capitalismo Improdutivo” e deu uma aula sobre a complexidade da economia global nos dias atuais. A programação foi dividida em três painéis com a colaboração opinativa de investidores, ativistas de direitos humanos e relações trabalhistas, jornalistas, especialistas ambientais e acadêmicos.

Com o mote “Será que os relatórios atendem aos anseios?”, os painéis foram compostos por diversos stakeholders que expressaram sobre suas percepções acerca dos relatórios das empresas em geral. O primeiro painel, moderado por Lisa Gunn, contou com a participação do professor Celso Lemme, da UFRJ; Luzia Hirata, membro do GT PRI para avaliação de empresas – Santander Asset Management; e Shigueo Watanabe, da Climainfo. O segundo painel, que abordou a qualidade dos relatórios de sustentabilidade na percepção das organizações da sociedade civil que atuam em áreas sociais, foi formado por Vivian Smith, da USP, que moderou os trabalhos; Caio Borges, da Connectas; e Diego Romano, do Dieese, que apontaram que os direitos humanos não aparecem nos relatórios satisfatoriamente, sendo assim, não ajudam os trabalhadores ou movimentos sindicais o que faz com que o diálogo não se efetive. “Eles destacaram que a sensação é de que as empresas parecem conversar somente entre si”, observou Glaucia.

A Revista Meio Ambiente Industrial & Sustentabilidade foi um dos veículos convidados para compor o terceiro painel que tratou do tema “A qualidade dos relatórios de sustentabilidade na percepção de jornalistas”, com a participação da sua jornalista Sofia Jucon, que junto com Célia Rosemblum, do jornal Valor Econômico; Andrea Viali, do Valor Econômico e Folha de S. Paulo; e Cristina Spera, do Portal Envolverde; deram uma visão de leem e utilizam os relatórios de sustentabilidade, bem como sugeriram alterações para melhor aproveitamento dos conteúdos. Os diálogos foram conduzidos por Adriana Leles, que compõe o Conselho de Stakeholders da GRI.

“Eu preciso dizer uma coisa muito verdadeira, sincera e franca: os jornalistas não leem relatórios de sustentabilidade. Sempre foi assim. Buscamos informações específicas”, revelou Andrea Viali, que acompanha a evolução dos relatos das empresas desde o início dos balanços sociais e da adoção das diretrizes da GRI no Brasil. Entre os avanços, a jornalista destacou a tendência do relato integrado, que está deixando os relatórios mais sintéticos. Também ressaltou a importância das ferramentas de busca nas versões on-line, o que agiliza a consulta no momento de redigir a matéria.

Já a jornalista Sofia Jucon informou que busca nos relatórios os dados que podem ajudá-la nas pautas. “Geralmente eu os obtenho”, complementa. Ela também chamou a atenção para relatórios mais visuais e sumários que ajudam a localizar as informações. Sobre a forma como os relatórios chegam à redação, a jornalista comentou que prefere quando o release já indica os assuntos de destaques com base no perfil do veículo. “Nos últimos tempos venho fazendo muita matéria sobre inovação e vários relatórios me ajudaram”, destacou Sofia.

Cristina Spera, por sua vez, comparou os relatórios de sustentabilidade aos financeiros. “Os relatórios financeiros se tornaram confiáveis há relativamente pouco tempo. Não podemos esquecer que, em 2008, o Lehman Brothers publicou um relatório financeiro maravilhoso e, cinco dias depois, estava falido”. A jornalista lembrou que as empresas passaram a relatar prejuízos somente a partir do momento em que houve marcos regulatórios que as obrigaram a fazer um relatório mais próximo da realidade. “A questão dos relatórios de sustentabilidade também deve passar por isso”, concluiu.

Sobre essa falta de credibilidade, Célia Rosemblum comenta que a imprensa procura aquilo que não está escrito, o que ficou nas entrelinhas. Ela atentou para a questão da governança corporativa: “a empresa não pode relatar apenas que tem uma estrutura de governança e achar que está resolvido. Uma reflexão que temos feito é sobre a efetividade dessa governança”.

“Para resgatar a credibilidade, as empresas devem ser mais transparentes. A sociedade clama por essa transparência. A empresa tem que dialogar com fatos”, reforçou Andrea Viali.

“Empresas consideradas bastante confiáveis com relatórios e sistemas de integridade foram pegas em grandes casos de corrupção”, recorda Cristina, e ressalta: “essa questão da desconfiança é saudável. As empresas deveriam receber com boa vontade nosso ceticismo porque podemos estar antecipando algum problema existente no mercado ou no setor”.

Questionadas pelo público, as jornalistas concluem que a auditoria dos relatórios é importante, mas não é um fator que confere mais credibilidade. “Se houver algum furo, talvez a auditoria não consiga perceber”, completa Cristina.

Em contraponto, Adriana Leles pondera que “as empresas não querem a reputação ameaçada ou que a origem da informação seja questionada”, indicando um aspecto de aprimoramento a ser observado por consultores e profissionais de sustentabilidade que compunham a plateia.

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