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Consórcio PCJ alerta sobre riscos de aumentar retiradas do Sistema Cantareira

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Consorcio PCJChove acima da média em todo o Estado de São Paulo nesse início do ano de 2016, cenário bem diferente do verificado no mesmo período do ano passado. Essa mudança toda tem nome espanhol: El Niño. O fenômeno, provocado pelo aquecimento das águas do oceano pacífico e altera o clima no mundo todo, deverá causar precipitações acima da média durante o primeiro trimestre desse ano. O volume de chuvas permitiu ao Sistema Cantareira retornar ao seu volume útil, hoje operando em 3,59%, mas muito aquém ainda do volume de segurança de 60% estimado para essa época do ano pelo Consórcio PCJ, uma associação civil composta por entes públicos e privados do interior de São Paulo e Sul de Minas Gerais.

No entanto, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) pediu ao Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) e à Agência Nacional de Águas (ANA) autorização para aumentar em mais 30% a retirada de água do Sistema Cantareira pelo túnel 5, que faz a transferência para a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). Com isso, o volume sairia dos atuais 15 m³/s, autorizados em dezembro, para 19,5 m³/s no mês de janeiro.

No ofício enviado com a solicitação, a Sabesp afirma que o Cantareira está se recuperando e que o cenário para os próximos meses é de conforto para a RMSP. Porém, o cenário com chuvas volumosas deve permanecer até o final de março, quando possivelmente o El Niño tenderá a perder sua intensidade, segundo meteorologistas. Com início do período de estiagem, em abril, não há nada certo sobre o comportamento climático. Não está descartada a repetição de severa seca como ocorreu nos últimos dois anos.

Diante disso, o Consórcio PCJ acredita que é mais indicado a preservação dos volumes reservados no Sistema Cantareira, enquanto são realizadas ações para armazenar a água das fortes chuvas que estão acontecendo no início de 2016. A entidade acredita ser prematuro o aumento das vazões de retirada do sistema, haja vista as incertezas climatológicas para 2016.

Obras dos novos reservatórios não ficaram prontas

Some-se a isso que grandes obras de reservatórios não foram executadas nesse período, como a conclusão do Sistema São Lourenço para a capital – previsto para entrar em operação só em 2017 – e os reservatórios em Amparo, Pedreira e Salto, no interior, o Consórcio PCJ sugere como alternativa a construção de bacias de retenção em estradas vicinais e o aproveitamento da água represada nos piscinões da RMSP.

Piscinões são alternativa para a capital e bacias de retenção para o interior

Segundo o Departamento de Água e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE), o volume total de água reservada pelos 28 piscinões da RMSP seria de 5 bilhões de litros se esses reservatórios estivessem desassoreados. Essa água toda seria capaz de abastecer durante um mês de forma ininterrupta uma população de pouco mais de 1 milhão de habitantes ou duas regiões das mais populosas da cidade de São Paulo: a do Campo Limpo e Capela do Socorro.

Para tanto, é necessário a limpeza desses piscinões, ação que se apresenta como um grande desafio. Para a equipe técnica do Consórcio PCJ, vale a pena investir ainda na desinfecção dos piscinões para um futuro aproveitamento das águas armazenadas, quer seja para o abastecimento de uma parcela do bairro onde estão localizados, quer seja para contribuir com os reservatórios de abastecimento da RMSP.

Mão de obra carcerária: alternativa e ação de ressocialização 

Como forma de reduzir os gastos com esse tipo de operação nos piscinões uma alternativa, desde que devidamente capacitada, seria a utilização de mão de obra carcerária. O Consórcio PCJ teve acesso ao exemplo realizado na Região Metropolitana da Grande Vitória (ES). Lá, as autoridades utilizam mão de obra de presidiários para atividades similares e tem suas penas reduzidas, promovendo entre os participantes a retomada da alta estima e o incentivo por trabalhos solidários.

A preocupação do Consórcio PCJ é viabilizar o mais rápido possível o armazenamento da água que está caindo das fortes chuvas desse início de ano, promovidas pelo El Niño. “Comemorar a água que está indo embora pelos nossos rios é quase certeza de prejuízo futuro”, demonstra sua preocupação o secretário executivo do Consórcio PCJ, Francisco Lahóz.

Na visão da entidade é importante os técnicos de recursos hídricos da Grande São Paulo refletirem sobre o fato de não praticarem as bacias de retenção mesmo que escavadas em áreas verdes, nos espaços reservados às faixas de segurança das linhas de transmissão de energia elétrica, entre outras, conforme é praticado em municípios do interior do Estado, como ocorre em Piracicaba e Jaguariúna. É recomendável estudar mais detalhadamente o uso dos piscinões, seja para abastecimento ou recarga dos sistemas de reservação de água da capital.

Melhorar a gestão dos resíduos na área urbana também contribuem para o incremento no armazenamento de água em rios, lagos, bacias de retenção e piscinões. “Quando a reflexão parte para a drenagem urbana, cabe ressaltar que bocas de lobo não funcionam porque estão repletas de entulhos e lixos, muitas vezes direcionados com vassouras pela própria população. Não somente os piscinões merecem cuidados e respeito, mas todos os lagos e rios”, diz Lahóz.

Implantação de “Verdinhos” para fiscalizar lançamentos de resíduos em vias públicas

Como proposta para reverter isso, o Consórcio PCJ recomenda a intensificação de ações de sensibilização da comunidade, em paralelo com a implantação de agentes de fiscalização, intitulados “verdinhos”, a exemplo dos “amarelinhos” do trânsito, que praticariam multas aos cidadãos que jogassem resíduos em rios, lagos, lagoas, calçadas e logradouros públicos em geral, como já ocorre na cidade do Rio de Janeiro, para garantir sucesso ao slogan “Lugar de Lixo é no Lixo”.

As fortes chuvas podem causar a falsa impressão de que a crise hídrica foi contornada. Rios cheios, causando inclusive inundações, passam a sensação para a comunidade de que novamente vivemos momentos de fartura de água, o que não é realidade. Das precipitações que ocorrem, em média apenas 20% acaba penetrando e chegando até o lençol freático, recarregando-o. Ainda é necessária muita chuva para recuperarmos o rebaixamento do lençol freático e recarga dos aquíferos, bastante prejudicados pela forte estiagem vivida nos últimos anos.

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