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Campo de golfe trouxe ganhos ambientais para a APA de Marapendi

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Campo de golfeO Campo de Golfe Olímpico, na Barra da Tijuca, trouxe ganhos ambientais para o terreno onde está sendo implantado e para a própria Área de Proteção Ambiental (APA) de Marapendi, onde está inserido. Essa foi a conclusão de um perito designado pelo Tribunal de Justiça, que fez uma inspeção do local em dezembro de 2015, acompanhado por promotores de Justiça, assessores jurídicos e técnicos da área ambiental (como biólogos, engenheiros agrônomos e florestais, arquitetos e urbanistas). De acordo com o laudo pericial, pedido dentro de uma ação civil pública impetrada pelo Ministério Público Estadual, que questiona os impactos ambientais da obra, o campo de golfe gerou benefícios para o ecossistema da região, ao ampliar a cobertura vegetal da área, recuperar toda uma região que se encontrava degradada desde os anos 80 e gerar uma espiral positiva para o desenvolvimento da fauna da região.

“A área da lide estava totalmente degradada antes das obras, exceto a FMP (Faixa Marginal de Proteção). (…) No momento em que a área da lide recupera a sua biodiversidade, em total entrelaçamento com a existente com as demais Unidades de Conservação do entorno, ela passa a ser um importante esteio da manutenção da biodiversidade e, consequentemente, uma agente indutora dessa biodiversidade”, diz o laudo.

Com 27 páginas, o documento informa que “ocorreram ganhos de cunho ambiental e paisagístico com a implantação do projeto”, benefícios observados pelo perito, que percorreu toda a região no final do ano passado. O documento aponta, por exemplo, que a implantação do campo implicará, ao final da obra, num aumento de 167% na cobertura vegetal do local em relação à vegetação nativa encontrada antes das obras.

Outra constatação da inspeção é a de que o projeto não gerou prejuízos à Faixa Marginal de Proteção (FMP) do terreno voltado para a Lagoa de Marapendi. Em determinado trecho do texto, o perito informa: “A FMP sofreu poucos replantios ou transplantios, mantendo seu formato original. A partir das ações executadas pelo andamento do projeto do CGO, o principal vetor do desenvolvimento da FMP foi a evolução natural da flora e fauna.”

A perícia confirmou ainda que a área estava plenamente degradada antes da obra. “Anteriormente às intervenções realizadas, o panorama da área era de degradação ambiental, com o agravamento do quadro com o tempo, o que gerava um contraste com o cenário natural em que se inseria e o sistema de lagos circundante. O terreno onde está sendo construído o campo de golfe havia sido deteriorado por extração de areia e, posteriormente, utilizado para fabricação e depósito de pré-moldados de concreto para construção de CIEPs.

A descaracterização do ambiente natural, entre meados da década de 80 até o início da década de 90, levou ao surgimento de uma extensa área antrópica, ou seja, sem vegetação.”

Outra vantagem encontrada na inspeção foi na execução do transplantio de algumas espécies nativas dentro do terreno. Esse trabalho foi feito somente quando necessário e foi bem sucedido. Além disso, as mudas produzidas no viveiro montado na área foram plantadas com sucesso.

No laudo, a perícia reconhece que o projeto também trouxe benefícios para a fauna da área. “Pelos relatórios listados, pode-se notar que a dinâmica das populações do componente faunístico existentes na área do CGO, ao longo das fases de implantação e operação do empreendimento, promovera acréscimos na biodiversidade da região e um amplo enriquecimento da fauna silvestre”, diz o texto, completando “Desde o inventário inicial (junho de 2013), que, a partir das atividades de manejo da vegetação nativa com plantio e transplantio de espécies de origem nativas, até o inventário atual (novembro de 2015), o registro da fauna passou de 118 espécies até alcançar as 263 espécies”.

O laudo revela ainda que o terreno já é frequentado por aves, como corujas buraqueiras, e outros pássaros, que se alimentam de insetos na área. Ele aponta ainda que durante a inspeção foram encontrados vestígios (fezes, rastros, pegadas, tocas e outros vestígios) de mamíferos, animais esses que já foram observados in loco durante o monitoramento da fauna e da flora determinado para o período da obra.

O documento acrescenta que os corredores ecológicos de circulação dos animais terrestres foram protegidos. “Os corredores na área são (ou estão) nas vegetações que foram mantidas ou repovoadas. Nos horários em que o CGO está deserto, como a noite, dias com chuvas intensas etc., os animais circulam normalmente pelo gramado e pelas trilhas já existentes”.

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