Home Seções Economia Verde 5º CNI Sustentabilidade destacou potencial da megabiodiversidade brasileira
0

5º CNI Sustentabilidade destacou potencial da megabiodiversidade brasileira

0
0
Evento mostrou que é importante impulsionar novos modelos de negócios, especialmente em mercados ligados ao uso da biodiversidade e das florestas
Evento mostrou que é importante impulsionar novos modelos de negócios, especialmente em mercados ligados ao uso da biodiversidade e das florestas

O presidente da CNI – Confederação Nacional da Indústria, Robson Braga de Andrade, afirmou durante a abertura do Encontro CNI Sustentabilidade, dia 22 de setembro, no Rio de Janeiro, que a sustentabilidade é fator fundamental para a indústria. O empresário observou que a cobertura florestal, que correspondente a 60% do território nacional, e a megabiodiversidade são exemplos de ativos que, se manejados de forma sustentável, podem constituir enormes vantagens competitivas ao país.
“A sustentabilidade é, cada vez mais, elemento essencial para a competitividade das empresas. O momento atual requer conexão entre as melhores práticas de gestão, no que se refere à sustentabilidade de suas operações, ao longo de toda a cadeia produtiva”, frisou. O evento aconteceu no Hotel Sofitel, no Rio de Janeiro, e tem como tema “Biodiversidade e florestas: novos modelos de negócios para a indústria do amanhã”.

Robson Braga de Andrade, presidente da CNI, durante a abertura do evento
Robson Braga de Andrade, presidente da CNI, durante a abertura do evento

O secretário de Articulação Institucional e Cidadania do Ministério do Meio Ambiente, Edson Duarte, destacou que o setor industrial tem assumido um importante papel para o desenvolvimento sustentável do país e para o cumprimento da meta de redução das emissões de gases de efeito estufa. “O engajamento da CNI e de todos os seus atores é uma grande esperança para que o Brasil cumpra seu papel diante da comunidade internacional”, disse Duarte, que representou no evento o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho.

Na avaliação do secretário, o setor industrial vem demonstrando ter “forte consciência da dimensão ambiental” como diferencial de crescimento da competitividade. “Precisamos fortalecer as políticas ambientais, que não podem ser vistas como entraves ao crescimento, mas como a única alternativa viável”, acrescentou.

Segundo pesquisa, 84% das empresas dizem que Brasil não aproveita potencial da biodiversidade

A falta de perspectiva de longo prazo e de políticas públicas adequadas são os principais motivos de o Brasil não aproveitar melhor a biodiversidade como diferencial competitivo. A pesquisa Retrato do uso sustentável de recursos da biodiversidade pela indústria brasileira, feita pelo Instituto FSB Pesquisa para a CNI, mostra que, para 84,2% dos empresários, o país não tem tirado proveito de todo o potencial desse mercado. Desses, 23,8% apontam a falta de perspectiva de maior aproveitamento da biodiversidade no longo prazo e 22,8% destacam a falta de políticas públicas estruturadas como os principais obstáculos ao desenvolvimento da bioeconomia.

O levantamento, que ouviu 120 executivos de pequenas, médias e grandes indústrias de 4 a 22 de julho deste ano, foi apresentado aos participantes do encontro CNI Sustentabilidade. No evento, empresários e especialistas brasileiros e estrangeiros debatem como os valores ligados à sustentabilidade – como ética, transparência, respeito aos consumidores e conservação ambiental – podem impulsionar novos modelos de negócios, especialmente em mercados ligados ao uso da biodiversidade e das florestas.

Para 32,5% dos empresários, o grau de atenção da indústria para o uso sustentável da biodiversidade é alto ou muito alto. Outros 41,7% acham que o nível de atenção é regular. Apenas 23,3% dos executivos responderam que a atenção ao uso sustentável da biodiversidade é baixa ou muito baixa. No entanto, conforme 86,7% dos gestores, a importância dada ao tema aumentou nos últimos cinco anos. Isso se deve, especialmente,  à maior conscientização das pessoas, a campanhas na imprensa e aos empresários estarem mais atentos ao uso sustentável da biodiversidade. O aspecto legal ocupou a quarta colocação entre os motivos citados.

ESTRATÉGIA DE NEGÓCIOS – A diretora de Relações Institucionais da CNI, Mônica Messenberg, destaca que a indústria brasileira reduziu consideravelmente o impacto de sua atividade no meio ambiente nas últimas duas décadas, desde a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a Eco-92. “As empresas não tratam a sustentabilidade como uma manifestação de boas intenções. Cada vez mais, incorporam seus princípios à estratégia de negócios e, hoje, sustentabilidade e competitividade andam juntas”, afirma.

Em relação à própria empresa, 65,8% respondem que a atenção dada ao tema é alta ou muito alta e 25% informam que é regular. Prova disso é que 78,3% das empresas investem em práticas e processos para o uso sustentável da biodiversidade, 52,5% investiram em produtos que utilizam recursos da biodiversidade e 50,8% financiaram ações e projetos voluntários de conservação nos últimos dois anos. Das empresas que fizeram esses investimentos, 74,4% estão satisfeitas com os resultados obtidos, sobretudo, em relação à reputação junto à sociedade e aos consumidores.

Além disso, 48,3% das indústrias pretendem aumentar os investimentos em práticas de uso sustentável nos próximos dois anos. O principal motivo para o crescimento de recursos destinados a essas ações é a preocupação com a sustentabilidade dos negócios, seguida de promoção da conservação do meio ambiente e da necessidade de adaptar-se às novas demandas do mercado.

CRESCIMENTO DAS EMPRESAS – Para 82,5% dos executivos, a redução da biodiversidade no Brasil afetaria a capacidade de crescimento das empresas. Entre as medidas que devem ser adotadas pelo setor industrial para estimular o uso sustentável da biodiversidade estão a promoção da consciência ambiental, assinalada por 35% dos empresários, e a busca de informações sobre financiamento, apontada por 12,5% dos entrevistados.

Já em relação a medidas a serem adotadas pelo governo para aumentar o engajamento e as ações empresariais no uso sustentável e na conservação da biodiversidade estão incentivos fiscais, assinalada por 26,7% dos empresários, fiscalização adequada e orientativa, apontada por 21,7% dos entrevistados, e disponibilização de recursos e linhas de crédito, citada por 14,2% dos respondentes.

O levantamento mostra ainda um elevado grau de desconhecimento dos gestores empresariais quanto às políticas e programas do governo voltados à conservação e ao uso sustentável da biodiversidade. Apenas 25,8% dos empresários conhecem iniciativas governamentais que incentivam essas práticas e, desses, apenas 22,6% se beneficiam delas. Apesar disso, 67,5% consideram que as linhas de financiamento são insatisfatórias para estimular o uso sustentável da biodiversidade pela indústria, especialmente, porque não há informação sobre os recursos governamentais disponíveis.

Ainda no dia 22, empresários destacaram que o Brasil pode aproveitar mais e melhor o potencial dos mercados de biodiversidade e floresta pela diversificação e fabricação de produtos de maior valor agregado. Essa é a conclusão dos estudos Florestas e Indústria: agenda de desenvolvimento e Uso econômico da biodiversidade pela indústria no Brasil, lançados pela CNI, durante a quinta edição do CNI Sustentabilidade. O evento, cujo tema foi Biodiversidade e florestas: novos modelos de negócios para a indústria do amanhã, reuniu empresários e especialistas brasileiros e estrangeiros em debates sobre os desafios e as oportunidades para a indústria quando valores éticos e socioambientais, como transparência, respeito a comunidades e conservação do meio ambiente, reorientarem os padrões de consumo.

No segundo painel do evento, que tratou do papel do mercado na valorização das florestas e da biodiversidade, o diretor-executivo da Union For Ethical Biotrade, Rik Kutsch Lojenga, mencionou que as empresas têm se conscientizado cada vez mais quanto a importância da biodiversidade como fonte de inovação. “Biodiversidade não é só uma coisa legal que você usa, mas é uma fonte de inovação para muitas empresas”, frisou.

Para o presidente da empresa Beraca, Ulisses Sabará, as ações de sustentabilidade e o uso consciente da biodiversidade, além de colaborarem com a conservação do planeta, geram retornos expressivos para as empresas. “Precisamos mudar o nosso sistema de fazer negócios, alterando os nossos valores. Este é um desafio, mas temos uma janela de oportunidades para aproveitar. Existe espaço para todos nos engajarmos e temos que fazer isso”, recomendou Sabará.

Na mesma linha, a presidente da Indústria Brasileira de Árvores, Elizabeth Carvalhaes, defendeu que as empresas usem de forma sustentável a enorme biodiversidade brasileira. “Cuidar da biodiversidade é permitir que outras gerações usufruam o que temos hoje”, disse. O português Rui Pedro Ribeiro, CEO da Agrocortex Florestas do Brasil, afirmou que a biodiversidade representa uma “oportunidade enorme de negócios”. Ele comanda uma empresa de manejo florestal sustentável, no Acre.

Cidade inteligente

A construção de um futuro sustentável para o planeta passa essencialmente pela transformação das cidades. A opinião é do norte-americano Boyd Cohen, especialista em empreendedorismo e inovação. Ele afirmou, durante a palestra magna do CNI Sustentabilidade, no Rio de Janeiro, que as cidades têm a chave para o desenvolvimento sustentável do planeta. Segundo Cohen, as mudanças acontecerão com ampla participação dos cidadãos nas tomadas de decisões.
“Podemos tornar as nossas cidades mais desenvolvidas e mais sustentáveis. Talvez a solução para isso seja a ‘cidade inteligente’. Temos que focar nos esforços de sustentabilidade e inovação em nosso território, melhorando a qualidade de vida local”, destacou. PhD em urbanismo, Cohen mencionou os casos de sucesso que vêm sendo desenvolvidos em cidades como Amsterdã, Barcelona, Medellín e Singapura.

O especialista defende que essas cidades sirvam de exemplo para outras localidades. Amsterdã investirá 50 milhões de euros em um período de 10 anos em um projeto voltado para a sustentabilidade urbana. “Amsterdã lançou um edital de propostas para criar um espaço de inovação, com o envolvimento da prefeitura e de empresas globais. São quatro desafios de sustentabilidade urbana: resolver problemas nas áreas de energia, água, construção e sistema de alimentação urbana”, detalhou.

Cohen mencionou que Barcelona e Medellín se destacam como cidades onde os cidadãos se envolvem nas principais decisões. Em Singapura, ele mencionou que houve uma união da sociedade em torno da busca por soluções para o abastecimento de água, por meio de processos como o tratamento de esgoto e a dessalinização da água do mar. “Hoje, 100 empresas estão trabalhando na solução dos problemas de recursos hídricos. Há um espaço colaborativo com participação da sociedade”, contou.

Fonte: Agência CNI de Notícias

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *